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Eleições gerais no Paquistão Eleições gerais no Paquistão  (AFP or licensors)

Eleições no Paquistão: os bispos pedem voto livre e seguro

O Paquistão vai às urnas neste 25 de julho com grande desejo de justiça e liberdade. Um atentado suicida na manhã desta quarta-feira em uma sessão eleitoral em Quetta, matou ao menos 30 pessoas. Paul Bhatti voz das minorias religiosas fala ao Vaticano News, à luz do apelo da Conferência Episcopal do país.

Gabriella Ceraso e Robin Gomes – Cidade do Vaticano

O Paquistão renova nesta quarta-feira, 25 de julho, as 342 cadeiras do Parlamento e não faltam tensões e medos ligados principalmente à violência cega do extremismo islâmico.

Extremismo islâmico e violência

 

Dois ataques no início de julho causaram centenas de vítimas, incluindo a morte de três candidatos nas eleições de hoje e outro ataque a uma igreja em Punjab causou o ferimentos em cerca de vinte fiéis e a destruição de vários objetos sagrados.

E na manhã desta quarta-feira, um ataque suicida reivindicado pela facção Estado Islâmico, em uma seção eleitoral na cidade de Quetta, matou ao menos 30 pessoas.

Eleições, coração da democracia

 

No entanto, o voto permanece "o aspecto central de uma democracia", escrevem os bispos em uma declaração sobre as eleições. Falando ao Vatican News o Presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, Dom Joseph Arshad, assim resume as esperanças da Igreja para o futuro:

R.- Estamos felizes porque o processo democrático no Paquistão continua. É uma boa esperança para o país, nunca devemos detê-lo! Mas, apesar disso, parece que nenhum partido terá maioria absoluta para formar o governo, portanto servirá uma aliança entre várias partes e também parece que qualquer governo enfrentará muitos problemas para levar o país à prosperidade.

Sobre luzes e sombras da delicada vida do Paquistão hoje fala Paul Bhatti, voz das minorias religiosas e figura fundamental na luta contra a intolerância. O médico e político paquistanês, irmão do ministro católico Shabaz Bhatti – assassinado em um atentado terrorista em 2011 - se encontrou com os bispos do país na véspera de sua declaração e traça um quadro do atual clima social no Paquistão.

Bispos como os cidadãos pela liberdade e pela paz

 

A conferência episcopal - explica - compartilha o desejo de todo cidadão paquistanês de que "as eleições sejam transparentes, que cada etapa do processo eleitoral possa ser facilmente entendida e que os escrutínios sejam públicos para todos". O Paquistão quer "mudança", quer "progresso", quer "harmonia nacional e internacional", que passa antes de tudo pela luta contra a corrupção e o nepotismo desenfreado na política. O grande medo para todos, acrescenta, é o isolamento devido ao fanatismo religioso, mas também é verdade que, recorda Bhatti, "os partidos religiosos nunca tiveram mais do que seis ou sete cadeiras no Parlamento, o que significa que as pessoas não querem ser governadas pela lei islâmica, mas por uma lei normal ".

Educação de qualidade que derrote o ódio

Paul Bhatti relança também o temor de vinganças entre partidos vencedores e perdedores no final da votação, e destaca as necessidades da sociedade que - como escrevem também os bispos - dizem respeito a "saúde, educação, segurança, promoção de sólidos valores humanos e responsabilidade internacional". "O país", afirma Bhatti "não pode mudar se se continua a pregar o ódio nas escolas contra os não-muçulmanos": portanto, "menos megaprojetos que atraiam corrupção e mais hospitais, escolas e, acima de tudo, uma educação de qualidade que dê mais trabalho aos jovens".

Otimismo do PTI

Concorrem às 342 cadeiras no Parlamento neste 25 de julho, principalmente três partidos: a Liga Muçulmana do Paquistão, colocada à prova pela condenação por corrupção do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif; o Partido Popular Paquistanês e o Movimento pela Justiça do Paquistão de Imran Khan, um ex-parlamentar que espera se tornar o próximo primeiro-ministro. Embora este último seja um "partido religioso", destaca Paul Bhatti, "esperamos que possa fornecer ideias importantes para o diálogo" e promover o respeito pelas minorias religiosas.

25 julho 2018, 11:37