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Crise social e política gera refugiados, divide famílias e deixa órfãos Crise social e política gera refugiados, divide famílias e deixa órfãos  (AFP or licensors)

Congoleses morrem na fuga para países vizinhos

Segundo o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, na semana passada, 22 mil refugiados atravessaram o lago Albert para chegar em Uganda. Desde o início do ano, 34 mil congoleses fizeram o trajeto.

Cidade do Vaticano

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, lamentou a morte de quatro refugiados congoleses e alertou que mais pessoas podem perder a vida ao tentar sair do país. Calcula-se que mais de 5 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a sair das suas casas devido ao conflito na RDCongo.

Na semana passada, 22 mil refugiados atravessaram o lago Albert para chegar em Uganda. Desde o início do ano, 34 mil congoleses fizeram o trajeto.

Milhares de crianças, mulheres e homens continuam abandonando suas casas devido ao aumento de operações militares contra os grupos armados Mai Mai na província de Kivu do Sul.  

Travessia perigosa

Os refugiados utilizam pequenas canoas e barcos de pesca, muitas vezes com 250 pessoas, com excesso de lotação, para fazer uma travessia que chega a demorar 10 horas. Frequentemente as autoridades do país resgatam embarcações à deriva.

No acidente de 11 de fevereiro, em que morreram as quatro pessoas, os refugiados remavam há dois dias para chegar a outra margem, quando foram atingidos por grandes ondas.

Crise de refugiados

O Acnur prevê que a crise se agrave este ano e pede aos dadores que contribuam.  Dos US$ 368,7 milhões pedidos, no entanto, apenas 1% foi angariado.

Manifestação em Roma

“Basta de violência. Nós estamos cansados de tanto sangue. Em 20 anos são mais de 8 milhões de mortos. E o silêncio da comunidade internacional: é ignorância ou cumplicidade?” O questionamento do Padre Dieudonne Kambale resume o drama que se perpetua neste país da África central mergulhado em uma grave crise política, econômica e social. Conflitos regionais e mortes de inocentes, com a cumplicidade do governo, espalham o medo e o terror.  

O sacerdote participou da manifestação em favor da paz da comunidade congolesa na capital italiana que reuniu domingo (11/02) mais de 300 pessoas vindas de diversas partes da Itália. O ato começou com missa na igreja da Natividade, na Praça Pasquino e se encerrou na Praça São Pedro, na oração do Angelus com o Papa Francisco. Cânticos, orações e reflexões lembraram as vítimas da violência e reforçaram o pedido pela saída do presidente Joseph Kabila, no poder desde 2001.

Participaram da manifestação muitos religiosos e religiosas comprometidos com a causa da R. D. Congo e da África. Padre Syvestre Kumbo Du Sa Adesengie, capelão da comunidade católica congolesa em Roma, pediu a defesa de uma só bandeira: “a unidade e integridade do país”. O padre jesuíta Rigobert Kyngu reforçou o apelo com um comunicado em inglês dirigido a todos os amigos do Congo.

Entenda o caso

O Presidente Kabila se recusou a deixar o cargo quando seu mandato expirou em 2016 e ainda não realizou novas eleições. As manifestações antigovernamentais, também promovidas pela comissão dos leigos da diocese da capital, Kinshasa, muitas vezes acabaram em repressão. Na última, em 22 de janeiro, seis pessoas foram mortas. Além disso, mais de setenta pessoas foram feridas e 115 presas, incluindo dez padres. A Conferência Episcopal do país denunciou o clima de ódio contra os cristãos e religiosos, vítimas de violência e sequestro, a exemplo do que ocorreu na semana passada com o Padre Sebastien Yabo, nos subúrbios de Kinshasa.

A solidariedade do Papa Francisco

Após o Angelus, o Papa Francisco cumprimentou a comunidade congolesa presente na Praça São Pedro e uniu-se à oração pela paz na República Democrática do Congo. Francisco recordou o Dia da Oração e do Jejum programado para o próximo 23 de fevereiro dedicado a este país e ao Sudão do Sul.

No Angelus do dia 15 de agosto de 2016, o Papa já havia criticado o “silêncio vergonhoso” que favorece a perpetuidade dos conflitos e a morte de inocentes sem “peso na opinião mundial”.

Presença dos missionários

Os missionários da Consolata trabalham na RDCongo desde 1972 em diversas frentes de evangelização. Diante de tanto sofrimento, inseridos na Igreja local, os missionários procuram ser sinais de consolação. Hoje atuam naquele país 22 padres, quatro irmãos e um diácono, nas dioceses de Kinshasa, Kisantu, Isiro-Niangara e Wamba. Os missionários da Consolata congoleses são 61, entre os quais 34 padres, quatro irmãos, 17 estudantes professos e seis noviços.

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(ACNUR/POM)

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Milhares deixam o país em fuga da pobreza e da violência política
14 fevereiro 2018, 08:15