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A floresta, o rio e a vida do povo A floresta, o rio e a vida do povo 

Valorizar os povos da floresta

Na Reserva do Iratapuru, no Amapá, a comunidade explora principalmente a castanha-do-Brasil, mas também outras espécies como a andiroba, a copaíba e o camu-camu e a pesca.

Cristiane Murray - Cidade do Vaticano

Hoje vamos à comunidade São Francisco de Assis do Iratapuru, na  Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru (RDS), no Amapá, e conheceremos Sebastião Freitas Marques, o seu Sabá, como é conhecido por lá.  Seu Sabá nasceu e cresceu às margens do Rio Iratapuru. O rio e a floresta são a sua vida e a vida de seu povo.

Ele encontrou a reportagem do Voz da Amazônia no porto improvisado à beira deste rio, ao lado da Hidrelétrica Santo Antônio do Jari, causadora de grandes impactos ambientais contra as comunidades daquela região.

Seu Sabá, de fala serena, permeada por grandes silêncios e olhar para além do rio e da mata, conduziu a equipe da VdA até sua comunidade. Mostrou os estragos que a barragem produziu, com a morte das árvores devido à inundação. Falou com tristeza da mortandade de peixes e do açaizal que foi para debaixo da água. Disse que o açaí era umas das fontes de subsistência das comunidades que vivem às margens do Jari.

Na Reserva do Iratapuru, a comunidade explora principalmente a castanha-do-Brasil, mas também outras espécies como a andiroba, a copaíba e o camu-camu e a pesca.

Sabá revela que em comunidade fica mais fácil construir a vida.

“ Agrupados, as conquistas ficam mais fáceis ”

Conta que ficaram perplexos com o Decreto do governo federal que pretendia extinguir, em agosto, a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), região da qual faz parte a RDS Iratapuru. 

Todo mundo tem que se preocupar com a Amazônia

A RDS do rio Iratapuru tem 806.184 hectares e foi criada por meio da Lei Estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997, e propõe o uso sustentável da biodiversidade que é em abundância. E está localizada entre os municípios de Laranjal do Jari, Mazagão e Pedra Branca do Amapari.  Possui limites com a Terra Indígena Waiãpi, ao norte, com o curso do rio Jarí a oeste e parte da Estação Ecológica do Jarí, ao sul.

“Uma mensagem que eu deixo aqui, que eu levo pro mundo todo, é que todo mundo tem que se preocupar com a Amazônia, tem que se preocupar com a natureza. Então, mesmo que você não esteja aqui ao redor de nós, mas que esteja protegendo a Amazônia, que se preocupe com a Amazônia, que tenha essa preocupação de também defender a Amazônia, assim como nós temos defendido como extrativistas e como moradores dessa comunidade. Só sobreviveremos com nossas gerações futuras em virtude desta natureza”, disse Sebastião Freitas Marques.

A equipe do Voz da Amazônia é formada pela Irmã Osnilda Lima, assessora de imprensa da REPAM-Brasil, o documentarista da Verbo FilmesGaspar Guimarães e Paulo Airton Maia, fotógrafo do Instituto Humanitas da Unicap.  

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19 dezembro 2017, 12:00