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Dom Paul Hinder, Administrador Apostólica da Arábia Dom Paul Hinder, Administrador Apostólica da Arábia 

Dom Hinder: a importância do apelo do Papa para o Iêmen

Um conflito silenciado como um celular: é assim que o administrador apostólico da Arábia, Dom Paul Hinder, reitera a urgência de não olhar para o outro lado diante do drama das guerras e o descompasso de prioridades entre a vida das pessoas e os lucros das armas. O prelado recorda o sofrimento das crianças em um contexto de combates e doenças e agradece ao Papa por ter recordado o Iêmen na entrevista à RAI no dia 5 de fevereiro

Fausta Speranza – Vatican News

Após sete anos de combates, o conflito no Iêmen se intensificou nas últimas semanas. As forças de coalizão estão tentando retomar os territórios conquistados pelos rebeldes Houthi, que também controlam a capital Sana'a. Um cenário dramático de guerra que o Papa mencionou em sua entrevista no programa de televisão da RAI no domingo passado (05/'2), falando de vidas humanas que para alguns contam menos do que o lucro das armas. O eco do apelo do Papa nas palavras de Dom Paul Hinder, administrador apostólico da Arábia:

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Excelência, qual foi sua primeira reação à referência do Papa ao conflito esquecido do Iêmen?

Quando vi o comentário do Papa Francisco, fiquei satisfeito por ele ter mencionado o Iêmen. A realidade é dolorosa e certamente não é um prazer saber. Mas é verdade que este conflito é como se fosse "silenciado".  Às vezes tenho a impressão de que, assim como colocamos o telefone celular em silêncio - quando não queremos perturbar os outros ou mesmo se não queremos ouvir as chamadas - assim parece que o fazemos em relação a este conflito. Está esquecido pela opinião pública mundial. 

Não agrada ouvir o que o Papa nos recordou com veemência a propósito de qualquer guerra, ou seja, dar prioridade às armas sobre as pessoas, à venda de instrumentos de morte sobre a vida das pessoas...

É triste, mas é a realidade do que vemos. Os que estão no poder evidentemente têm interesses diferentes daqueles que se preocupam com as pessoas. Como Igreja, somos chamados à política de reconciliação e paz, que continua sendo nossa missão. Infelizmente, muitas vezes é uma política mal sucedida - devemos ser honestos - no sentido de que na história da humanidade os conflitos são evidentes.


O que o senhor pode nos dizer sobre a situação no Iêmen?

Há muitos anos não consigo ir ao Iêmen, estou em Abu Dhabi. Não há voos diretos para Sana'a, a capital, e não é possível ir para o sul do Iêmen. Portanto, eu não tenho mais conhecimento direto do que está acontecendo, só posso ter o eco de notícias.

O Papa destacou, entre outras coisas, a tragédia das crianças.

Sabemos que nos cenários de guerra muitas doenças se propagam e que as crianças são as mais vulneráveis, elas não têm a possibilidade de se defender, são dependentes dos adultos. A guerra é um drama para as crianças e quando há uma família, podemos dizer que ainda está indo bem mas, muitas vezes, são órfãs de um ou de ambos os pais. As crianças são a face mais frágil da sociedade, além dos idosos.

Excelência, além das opiniões sobre o conflito, várias populações dos países que participam da coalizão que combate os rebeldes Houthi no Iêmen têm seus filhos engajados nesta guerra. Como é visto o conflito?

Acho que alguns eventos que aconteceram ultimamente têm despertado um pouco a população, mas em alguns casos, os que fazem a guerra são os estrangeiros. Certamente existe um segmento da população que reza pela paz ou deseja a paz. Nas igrejas cristãs, reza-se pelo bem de todos.

As palavras do Papa

Durante uma entrevista no sábado, 5 de fevereiro, ao programa televisivo da RAI 'Che tempo che fa', o Papa Francisco disse: "Há quanto tempo o Iêmen está sofrendo com a guerra e há quanto tempo estamos falando das crianças do Iêmen?” Ele prosseguiu dizendo que "há categorias que importam e outras que estão no fundo: crianças, migrantes, os pobres, aqueles que não têm comida", acrescentando: "Estes não contam, pelo menos não contam em primeiro lugar, porque há pessoas que amam este povo, que tentam ajudar, mas na imaginação universal o que conta é a guerra, a venda de armas".

A situação no Iêmen

Após sete anos de combates, o conflito no Iêmen se intensificou nas últimas semanas. As forças da coalizão estão tentando reprimir o território capturado pelos rebeldes Houthi, que também controlam a capital Sana'a. Os Houthis, por sua vez, intensificaram seus ataques com mísseis e drones, que agora não mais atingem apenas alvos na Arábia Saudita, mas, desde janeiro passado, também nos Emirados Árabes Unidos. Durante o fim de semana, fontes militares relataram que dezenas de soldados morreram durante a ofensiva das forças do governo iemenita contra as posições rebeldes dos Houthi em Harad, província de Hajjah, perto da fronteira com a Arábia Saudita. A ofensiva está ainda em curso. 

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09 fevereiro 2022, 11:27