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Papa Francisco con padre Jean Pierre Schumacher na Catedral de Rabat, em 31 de março de 2019 Papa Francisco con padre Jean Pierre Schumacher na Catedral de Rabat, em 31 de março de 2019 

Falece aos 97 anos último monge de Tibhirine

A notícia foi anunciada no domingo pela Arquidiocese de Rabat e um comunicado do Mosteiro de Notre-Dame de l'Atlas em Midelt, Marrocos, onde faleceu o religioso de 97 anos. Ele conheceu o Papa Francisco em 31 de março de 2019. A comunidade da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (Trapistas) presente hoje em terras marroquinas é a que mantém vivo o "espírito de Tibhirine".

Tiziana Campisi e Cyprien Viet - Cidade do Vaticano

Durante meses, após o assassinato de seus sete confrades sequestrados do mosteiro de Tibhirine, na Argélia, na noite de 26 para 27 de março de 1996, ele se perguntou por que, junto com o irmão Amédée, havia sido poupado. Ele encontrou a resposta logo depois, em uma carta recebida da Suíça, do Mosteiro de Fille-Dieu: “Há irmãos que foram chamados a testemunhar com o dom da vida, e outros a quem foi pedido testemunhar com a vida”.

Essas palavras o livraram de todas as perguntas que o perseguiam, confessou o próprio irmão Jean-Pierre Schumacher. O religioso faleceu no dia da Solenidade de Cristo Rei, pela manhã, após ter recebido a Unção dos Enfermos. «Unidos na oração, o Altíssimo nos conceda continuar a manter 'o espírito de Tibhirine', dando testemunho a esta comunidade exemplar», escrevem os trapistas Midelt que recolheram o legado dos seus irmãos que viveram na Argélia.

Da França para a Argélia

 

Na trappa marroquina, junto com o irmão Jean-Pierre, o irmão Amédée Noto,  viveu os últimos anos de sua vida, também ele escapado do sequestro de 1996 e falecido em 27 de julho de 2008, na França, na Abadia de Aiguebelle, departamento de Drôme.

 

Nascido em 1924, o último sobrevivente daquela comunidade argelina nasceu na Lorena em 15 de fevereiro. Ele estava entre os jovens alsacianos e lorenses alistados à força no exército alemão e destinados ao front russo, mas depois de contrair tuberculose, evitou a partida e, terminada a guerra, voltou-se para a vida religiosa.

Formado pelos padres maristas e ordenado sacerdote em 1953, poucos anos depois ingressou no Mosteiro trapista de Timadeuc, na Bretanha. Em 1964 foi enviado, juntamente com outros dois monges, à Argélia, então independente há dois anos, para apoiar os confrades da comunidade de Tibhirine. Foi o cardeal Léon Étienne Duval, arcebispo de Argel, quem pediu uma maior presença dos religiosos. O irmão Jean-Pierre permaneceu no país por mais de 30 anos, dando testemunho do Evangelho em uma terra predominantemente muçulmana, dilacerada pela guerra civil dos anos 1990.

O "espírito de Tibhirine"

 

A comunidade trapista de Tibhirine, discreta e bem integrada na população local, que desejava apenas testemunhar a sua presença evangélica cultivando o diálogo e mantendo uma convivência pacífica, foi dizimada em 1996, quando 7 monges, dos 9 que ali residiam, incluindo os Prior - padre Christian de Chergé -, foram sequestrados e depois assassinados.

O anúncio de sua execução - sobre a qual ainda restam inúmeras interrogações – foi dado no dia 21 de maio por uma nota atribuída ao Grupo Armado Islâmico (GIA).

O Irmão Amédée e o Irmão Jean-Pierre continuaram a animar o 'espírito de Tibhirine' desde então, mesmo quando tiveram que deixar a Argélia e o Mosteiro de Nossa Senhora do Atlas foi transferido para Midelt, Marrocos, recebendo os peregrinos, acreditando firmemente no diálogo inter-religioso e no testemunho da esperança cristã em terras muçulmanas.

Os sete monges martirizados foram beatificados em 8 de dezembro de 2018 em Oran, junto com 12 outros mártires religiosos da guerra civil argelina. O irmão Jean-Pierre, então com 94 anos, pôde assistir à cerimônia.

No dia 31 de março de 2019, o Papa Francisco o abraçou com grande emoção na Catedral de Rabat durante o encontro com sacerdotes, religiosos, pessoas consagradas e o Conselho Ecumênico das Igrejas, durante sua visita ao Marrocos.

Encontro do Papa com sacerdotes, religiosos e religiosas e vida consagrada em Rabat
22 novembro 2021, 13:00