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Reflexão para o 29º Domingo do Tempo Comum

É, para o Senhor, mais importante servir, dar a vida, do que sentar-se à sua direita ou à sua esquerda. Jesus não pensa em humildade versus orgulho, mas em entrega até à morte, em favor do irmão

Padre César Augusto dos Santos, S.J. - Vatican News

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No Evangelho de hoje, extraído de Marcos 10, 35-45, temos o pedido insólito dos irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, para ocuparem os dois assentos de honra, ao lado de Jesus, quando esse estiver na glória.

A resposta do Senhor, antes de ser sim ou não, é uma pergunta sobre o preparo dos dois em relação à paixão, se eles estavam preparados para vivê-la, para em seguida anunciar a dificuldade em responder, já que isso não dependia dele.

A atitude dos dois irmãos demonstra o sentimento dos demais discípulos, ao ficarem indignados pela ousadia deles em se adiantarem naquilo que todos desejavam, ou seja, destaque, honra, poder. Jesus, certamente decepcionado com a reação dos escolhidos, aproveita o momento e dá mais uma lição, não tanto de humildade, mas de serviço. Jesus não aproveita o momento para falar da humildade, como tal, mas para falar na entrega de si ao serviço dos irmãos. É, para o Senhor, mais importante servir, dar a vida, do que sentar-se à sua direita ou à sua esquerda. Jesus não pensa em humildade versus orgulho, mas em entrega até à morte, em favor do irmão; do mesmo modo que na última ceia, ao lavar os pés dos apóstolos, o Senhor não coloca o acento no gesto próprio dos escravos, mas sim no serviço. É o que Tiago colocará em sua carta, a fé sem obras é morta! Podemos dizer que a humildade sem serviço é estéril.

Vestir uma roupa simples, ter modos recatados pode até ser louvável em uma sociedade cristã, mas isso não significa imitar a simplicidade do Messias. A simplicidade tem valor, para ele, se for consequência de um gesto de serviço, se estiver unida à entrega pelo bem do outro. A simplicidade do presépio, da vida em Nazaré, anunciava o nascimento do Servo de Javé, o anúncio do Reino de Deus, com a inversão dos valores até então pregados. O Rei deixa o palácio, sua vida de poder, para se solidarizar com o marginalizado e, através da entrega total, reintegrá-lo na Vida! 

A segunda leitura, tirada da Carta aos Hebreus 4, 14-16 nos fala de Jesus como o eminente Sumo Sacerdote que entrou no Céu, que se compadeceu de nossas fraquezas, após sua provação em tudo, exceto no pecado.

Finalmente o autor da Carta nos convida a nos aproximarmos, com total confiança, do trono da graça, para alcançarmos misericórdia e auxílio no momento oportuno. Esse convite, claro que é também para nós, cristãos do século XXI. Jesus é nossa salvação, nosso recurso para a Vida. Deveremos nos permitir uma vida serena, sabendo que Jesus de Nazaré, o Servo do Senhor, o Seu Filho, se entregou por nós e prestou a maior liturgia possível, a entrega ao Senhor, através de sua paixão e serviço. 

Como nos fala a primeira leitura Isaías 53, 10-11, o Justo “fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.” Essa é a missão do Cristo, daquele que é o grande servidor, que se entregou ao Pai, na cruz, em nosso favor. Ele nos justificou. Também nós, deveremos trabalhar pela justificação de todos. Peçamos esse auxílio para o momento oportuno, não de nos sentarmos em tronos privilegiados, mas em colaborarmos totalmente com a salvação de nossos irmãos, mesmo que isso implique a paixão, a cruz.

16 outubro 2021, 08:00