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Peregrinação Anual de Jovens ao Santuário de Nossa Senhora de Luján realizou-se no mesmo final de semana da apresentação da peça teatral Peregrinação Anual de Jovens ao Santuário de Nossa Senhora de Luján realizou-se no mesmo final de semana da apresentação da peça teatral 

Igreja na Argentina condena blasfêmias contra a Virgem Maria em peça teatral

No emblemático Teatro Colón de Buenos Aires, uma adaptação do oratório "Teodora" de Händel provoca a indignação dos católicos diante das expressões ultrajantes de passagens do Evangelho relativas à Virgem Maria.

Alina Tufani – Cidade do Vaticano

 A Comissão Executiva da Conferência Episcopal Argentina (CEA) manifestou seu repúdio à representação teatral do oratório "Teodora" de Georg Friedrich Händel no último fim de semana (2-3 de outubro) no Teatro Colón em Buenos Aires, onde em ode à liberdade de expressão artística, foram adulteradas passagens do Evangelho relacionadas aos mistérios sagrados da Anunciação e da Encarnação do Verbo, no claro desejo de ofender a Bem-aventurada Virgem Maria e violar em grande parte os sentimentos religiosos do povo argentino.

“Recebemos com tristeza e dor como em uma suposta expressão artística foram pisoteadas e blasfemadas a fé e a religiosidade com palavras referentes à Virgem Maria, que não podem ser aceitas”, diz o comunicado divulgado no domingo, 10 de outubro, no portal da CEA.

Indignação contra os fiéis católicos

 

A Comissão Executiva do episcopado enfatiza que tal espetáculo foi realizado no principal teatro da capital argentina, o Teatro Colón, "um ícone da cultura da Cidade de Buenos Aires" e do país. Com efeito, é um complexo cultural reconhecido em todo o mundo pela qualidade das suas propostas artísticas e musicais e destino de importantes espetáculos internacionais.

“Lá foram ditas expressões que ultrajaram a sensibilidade de uma parte muito importante de nosso povo, que para além de sua crença religiosa, sempre respeita a Virgem”, afirmam os bispos argentinos que pedem às autoridades competentes que “velem por uma sociedade sã e democrática, na qual todos os símbolos sagrados sejam respeitados, qualquer que seja a religião, tanto quanto se respeita e defenda a liberdade de expressão dos artistas”.

Um povo que peregrina à casa da Virgem

 

A nota assinada pelo presidente da CEA, Dom Oscar Ojea, bispo de San Isidro, pelos vice-presidentes cardeal Mario Aurelio Poli e Dom Marcelo Colombo, junto com Dom Carlos Malfa, secretário Geral, destaca que paradoxalmente, naquele mesmo final de semana, realizava-se a Peregrinação Anual de Jovens ao Santuário de Nossa Senhora de Luján, após um ano repleto de privações, incertezas e angústias devido à pandemia de Covid-19

“A Peregrinação Juvenil para Católicos - reitera o comunicado - é uma imagem da Igreja peregrina que, apesar das provações, recebe muitas graças e consolações por meio da Mãe do Salvador, e por isso fomos cantando e caminhando para pedir “trabalhe e saúde para o nosso povo."

Advogados católicos pedem garantias constitucionais

 

A Associação Civil Coorporación de Abogados Católicos, em carta dirigida ao Governador de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, solicita a intervenção direta das autoridades frente ao que consideram atos “lesivos à liberdade religiosa”, garantida pela Constituição Nacional , a Constituição da Cidade de Buenos Aires e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

A carta, de 7 de outubro, pede ao funcionário do Governo o cancelamento de duas manifestações artísticas, realizadas em centros culturais do Ministério da Cultura da capital, por violarem manifestamente o sentimento religioso da população: a exposição “Amar, Luchar, Vivir”, no Centro Cultural Recoleta, e as apresentações da peça “Teodora”, no Teatro Colón, em Buenos Aires.

“Em ambos os casos, esta lesão se configura - e agrava especialmente - por aquilo que objetivamente os crentes entendem ser ofensas à Santíssima Virgem Maria, seja pela desnaturação de imagens sacras pertencentes à veneração popular - como acontece com a da Virgem de Guadalupe, reconhecidamente referida à Imaculada Conceição -, no primeiro caso, ou com expressões absolutamente ultrajantes de passagens do Evangelho relativas aos Sagrados Mistérios da Anunciação e da Encarnação do Verbo, no segundo, levadas a cabo durante interrupções deliberadas da obra musical, e de que dão conta inúmeras reivindicações públicas feitas por diferentes instituições e moradores da cidade e do resto do país nos meios de comunicação”, diz a nota.

Por lei, os sentimentos religiosos não podem ser perturbados

 

Os advogados católicos argentinos recordam que a Santíssima Virgem Maria é objeto de veneração pública pela grande maioria do povo argentino, tanto por pessoas pertencentes à religião católica como por aqueles que professam outros cultos e, mesmo, por muitos não crentes, “sendo então evidente, que os fatos mencionados são praticados ilegalmente no âmbito oficial, visto que nele não podem ser manifestados atos lesivos aos sentimentos religiosos da população”.

Depois de mencionar o respaldo legal que estabelece que "os sentimentos religiosos não podem ser perturbados de forma alguma, muito menos por meio de atos de colaboração ou facilitação governamental", pedem a renúncia e destituição dos atuais funcionários que administram os "bens e recursos públicos, pertencentes para toda a população”.

Vatican News Service - ATD

12 outubro 2021, 07:11