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O encontro de empresárias realizado em Veneza O encontro de empresárias realizado em Veneza 

O sonho das mulheres que querem mudar o sistema econômico

Empresárias sociais de todo o mundo contaram suas histórias de coragem e de mudança por ocasião do evento “Campo Aberto para Empreendimentos Sociais” que se concluiu nesta segunda-feira (26) em Veneza. A história de Francine Muyaneza, de Ruanda, ativa no setor de energia limpa

Francesca Sabatinelli – Vatican News

Derrubar e revolucionar o sistema econômico atual, baseado única e exclusivamente no lucro, e colocar as pessoas e o meio ambiente em primeiro lugar. Esta é a motivação que uniu as empresas sociais que participam do "Social Enterprise Open Camp", (Campo Aberto para Empresas Sociais), organizado pela Fundação Opes-Lcef e pela CGM, a principal rede de empresas sociais na Itália. Cerca de duzentos empresários de todo o mundo participaram de um diálogo com figuras de destaque da indústria e das finanças, em busca de ideias e soluções para aumentar o impacto das empresas sociais, para ajudá-los a crescer e ter sucesso, através de financiamentos adequados.

Olhar para as pessoas e o meio ambiente

O alarme lançado é importante: o mundo produz muito plástico, espécies e habitats estão sendo destruídos, a água, um bem primário, está em falta, e as Metas de Desenvolvimento Sustentável estão longe de serem alcançadas. Por isso é importante criar um novo sistema que não responda apenas às regras do mercado, mas que dê prioridade às pessoas e ao meio ambiente em detrimento do bem-estar. Se este método for usado para enfrentar problemas e novos desafios, poderia levar a uma pequena revolução, que é o que as empresas sociais pretendem conseguir.

A história de Francine Muyaneza

O encontro foi também uma oportunidade para ouvir as histórias de mulheres empreendedoras de todo o mundo, que compartilharam suas experiências, visando acima de tudo apoiar as pessoas, sobretudo as mulheres, a realizar seus sonhos, mesmo "em lugares onde parece impossível", explicaram, onde a diversidade de gênero, apesar de seu óbvio valor em termos econômicos e de investimento, ainda é pouco aplicada. No palco alternavam-se histórias de coragem e mudanças reais, como a de Francine Muyaneza, uma empresária de Ruanda que trabalha no setor da energia limpa. Francine é a fundadora da Munyax Eco, uma empresa especializada em energia solar, e da 'La Maison Verte', um projeto ecológico de construção. Diz-se que ela está "silenciosamente começando a causar impacto na região dos Grandes Lagos com sua empresa de energia limpa e renovável e a agenda de empoderamento das mulheres através da luta contra a mudança climática".

A coragem das mulheres

No meu país", disse ao Vatican News, "muitas vezes me sinto sozinha, apesar de não ser a única a fazer empresariado social, mas é bom estar aqui na Itália, pensando juntos para progredir mais rapidamente". Francine, desde o início, enfrentou grandes desafios, como apoiar as mulheres em países com sistemas patriarcais fortes, ou entrar no setor solar.  "Em Ruanda", explica, "ainda é um setor muito novo, e há problemas de financiamento, este é um dos maiores desafios, juntamente com a disponibilidade de técnicos e engenheiros, pessoas que conheçam o setor de sistema solar, obviamente é um setor dominado por homens, há pouquíssimas mulheres. Temos que promover a presença das mulheres, para que elas sejam corajosas, corajosas o suficiente, para desafiar a hegemonia dos homens".

O G20 em Roma

Ao lado do pragmatismo exigido de uma empresária empreendedora como ela, Francine combina um sonho: o de ver o desafio da mudança climática sabiamente enfrentado. Ela é muito específica em relação ao G20 em Roma no final de outubro. "Estamos enfrentando este desafio há anos e anos", diz ela, "com todas as limitações associadas ao sistema capitalista. Entretanto, gosto de sonhar, de sonhar e pensar que um dia, mesmo a curto prazo, seremos realmente capazes de resolver todas estas questões e fazer com que aqueles que poluem paguem o preço, e serão eles que financiarão os projetos para reduzir esta poluição". Há definitivamente uma maneira diferente de trabalhar, bem diferente da atual, continua Francine, que menciona os jovens "que estão desafiando tudo isso, desafiando o G20 e os poluidores, dizendo que temos que fazer alguma coisa". São jovens que, é claro, não têm o poder de mudar as coisas, mas têm o poder de nos sensibilizar a nós que somos mais velhos, para que façamos algo para realmente mudar, para desfazer os danos do passado". Por fim,  a recomendação final da empresária é "vamos continuar sonhando".

27 outubro 2021, 14:27