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Em em Kahnawake, sapatinhos de crianças expostos em protesto contra valas comuns contendo crianças indígenas Em em Kahnawake, sapatinhos de crianças expostos em protesto contra valas comuns contendo crianças indígenas  (ANSA)

Canadá: bispos promovem coleta de fundos para sobreviventes de escolas residenciais indígenas

O trabalho de cura e reconciliação com os povos indígenas é de fundamental importância para nossas comunidades católicas e para todos os canadenses”, afirma uma nota do episcopado, garantindo a solidariedade e a oração de toda a Igreja pela cura dos sobreviventes.

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Uma campanha de arrecadação de fundos para apoiar o processo de cura e reconciliação já começou com as comunidades indígenas. A iniciativa foi lançada nesta última semana pelos bispos de Saskatchewan, Canadá, com a intenção de dar seguimento ao seu compromisso de contribuir para a busca da verdade e da justiça sobre os maus-tratos e violências perpetrados nas escolas residenciais católicas indígenas da província, mas também para apoiar os sobreviventes e suas comunidades.

A iniciativa se dá após a recente descoberta de 751 túmulos anônimos em uma antiga escola residencial católica em Marieval, um mês após a descoberta dos restos mortais de 251 crianças na escola residencial indígena Kamloops, na Colúmbia Britânica. Descobertas que foram seguidas por outras e que reacenderam os holofotes da opinião pública sobre a tragédia vivida ao longo de um século por mais de 150 mil crianças nativas arrancadas à força de suas famílias pela política governamental de assimilação, chamando em causa também a questão das responsabilidades da Igreja.

 

Apoio à campanha de arrecadação dos bispos de Saskatchewan e iniciativas semelhantes promovidas por outras dioceses canadenses, é expresso pelo Conselho Permanente da Conferência Episcopal (CECC / CCCB) que em uma nota reitera sua "profunda tristeza" pela herança das escolas residenciais e o desejo de colaborar com as comunidades nativas para curar essas feridas profundas.

“O trabalho de cura e reconciliação com os povos indígenas é de fundamental importância para nossas comunidades católicas e para todos os canadenses”, afirma a nota, garantindo a solidariedade e a oração de toda a Igreja pela cura dos sobreviventes.

 

No entanto, no Canadá, são sempre mais numerosos os católicos que pedem informações às dioceses sobre as escolas residenciais. Para responder às muitas perguntas desta página sombria da história do país, a Arquidiocese de Toronto publicou recentemente em seu site um documento de oito pontos que corresponde às perguntas mais frequentes sobre a história e os objetivos deste sistema introduzido no final do século XIX, o número das escolas geridas pela Igreja Católica, as vítimas e as causas das suas mortes.

O material informativo relata que das 139 escolas residenciais identificadas no Indian Residential School Settlement Agreement (Irssa), 46% (64) eram administradas por instituições católicas. O sistema envolveu dezenas de comunidades religiosas e 16 dioceses canadenses de um total de 70.

Em 2015, a Comissão da Verdade e Reconciliação havia identificado 3.200 mortes, número atualizado recentemente para pelo menos 4.100, mas o número exato de vítimas, seus nomes e idade - explica o relatório da Arquidiocese - são difíceis de saber porque muitas mortes não foram registradas e vários registros existentes foram perdidos ou destruídos. A este respeito, a Arquidiocese de Toronto afirma que não há evidências de que arquivos secretos relativos a escolas residenciais estejam escondidos no Vaticano.

Vatican News Service - LZ

18 julho 2021, 08:23