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Puerto Maldonado: cultura amazônica e valores do Evangelho

Entrevista com Dom David Martinez de Aguirre, Bispo do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado sobre as prioridades e os desafios da Igreja Missionária na floresta peruana

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Em uma longa entrevista à revista "Selvas Amazônicas", dos Missionários Dominicanos, Dom David Martinez de Aguirre, Bispo do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, fala sobre as prioridades e os desafios da Igreja Missionária na floresta peruana.

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Segundo o Bispo Dominicano, missionário no Peru desde o ano 2000, “as prioridades da Igreja naquela área, difícil de evangelizar, foram definidas pelas 80.000 vozes amazônicas, durante a preparação do Documento de Trabalho do Sínodo sobre a Amazônia. Tais prioridades, descritas pelo “núcleo temático” da Exortação apostólica pós-sinodal “Querida Amazônia”, respondem aos desafios concretos da Igreja local”.

Acompanhar a cultura local

“O primeiro desafio, diz Dom David, é que os povos tomem posse da Igreja, se sintam parte dela e sejam arautos da evangelização e não apenas objetos. Ao descobrirem a Boa Nova, tornam-se verdadeiros agentes de transformação da realidade. Porém, para atingir este objetivo precisamos, como Igreja, acompanhar as suas culturas, promovendo a formação e o desenvolvimento cultural”.

Universidade Católica Pan-amazônica

O Bispo recorda ainda que “a ação missionária na floresta sempre trilhou o caminho da educação. Por meio da catequese nas paróquias e Capelas das pequenas aldeias e nas escolas, agora, com a proposta da criação de uma Universidade Católica Pan-amazônica, podemos responder aos desafios da educação bilíngue e intercultural”. Só assim, diz o Bispo, “a Igreja missionária poderá contribuir, concretamente, para o desenvolvimento da cultura amazônica, segundo os valores do Evangelho”.

Por fim, Dom David Martinez de Aguirre fala sobre a experiência missionária dos Dominicanos na América Latina: “Acho que estamos em um momento crucial. Depois dos primeiros cem anos de atividade missionária, os Dominicanos estão dando, cada vez mais, espaço à Igreja local. Nossa obra começa a produzir frutos: as comunidades camponesas cristãs continuam a fazer o que os missionários começaram; delas nasceram vocações sacerdotais, que animam, com dedicação e entusiasmo, grande parte das nossas paróquias, o que não aconteceu entre os povos indígenas da Amazônia. Vejo que há entusiasmo por parte dos missionários vindos de outras partes, peruanos ou estrangeiros, mas na Amazônia ainda não conseguimos trabalhar”.

(Agência Fides)

 

20 junho 2021, 07:35