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Ucrânia: Caritas Europa pede acesso da ajuda humanitária a vítimas do conflito no leste

O conflito no Donbass teve início na primavera de 2014, coincidindo com a crise na Crimeia anexada à Rússia após o referendo de 15 de maio daquele ano. Desde então, tem havido um aumento nos confrontos e recriminações entre a Rússia e a Ucrânia, o que que já custou a vida de milhares de pessoas, a maioria civis.

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Garantir o acesso "sem obstáculos" das ajudas humanitárias a todas as pessoas necessitadas no leste da Ucrânia e o respeito pelos direitos da população civil. Foi o que pediu a Caritas Europa no último sábado, 8, ao final de uma visita de três dias de uma delegação da entidade à região, palco de novos confrontos com separatistas pró-russos. A delegação foi liderada pelo presidente da Caritas Europa, Dom Michael Landau, acompanhado por Dom Andrij Waskowycz, presidente da Caritas Ucrânia.

A organização, que reúne 49 agências humanitárias católicas europeias, expressa preocupação pela nova escalada de tensões que ameaça reacender a guerra que começou há sete anos. Existe o “risco de que o conflito que agora envolve mais de meio milhão de pessoas que vivem nas imediações dos combates se estenda a uma área muito mais ampla, com um impacto exponencial sobre muito mais pessoas”, adverte a Caritas. Muitas dessas pessoas, idosas ou pertencentes a outros grupos vulneráveis, já sofrem bombardeios e tiroteios regulares e estão expostas ao risco de minas.

"As recentes violações do cessar-fogo e a propagação da Covid-19 acentuaram ainda mais a vulnerabilidade das pessoas necessitadas, colocando em risco suas vidas, saúde e bem-estar", disse Dom Landau, que visitou a cidade de Kramatorsk e outras áreas controlada pelo exército de Kiev ao longo da linha de fronteira com os territórios sob o controle dos separatistas, onde a Caritas local assiste a população e os deslocados internos com ajuda alimentar, serviços de saúde e programas de apoio psicológico.

Devido ao conflito e à falta de perspectivas de trabalho, muitos jovens deixaram a região, deixando para trás os idosos. Uma nova escalada do conflito leva ao risco de afetar precisamente essas pessoas mais vulneráveis. Neste sentido o apelo aos beligerantes para que permitam o acesso das organizações humanitárias: “Garantir um acesso seguro e sem obstáculos a todas as pessoas necessitadas é um princípio fundamental do Direito Internacional Humanitário. Pedimos a todas as partes que respeitem esses direitos e a dignidade humana das pessoas que não fizeram nada de errado, mas têm a infelicidade de morar em casas que se encontram naquela que se tornou uma zona de combate”.

O presidente da Caritas Europa elogiou a Caritas local por seu trabalho incansável em favor da população civil. Depois pediu às nações europeias para aumentarem os fundos para a ajuda humanitária, que ele disse que ajudará a "salvar vidas e garantir meios de subsistência na Ucrânia".

O conflito no Donbass teve início na primavera de 2014, coincidindo com a crise na Crimeia anexada à Rússia após o referendo de 15 de maio daquele ano. Desde então, tem havido um aumento nos confrontos e recriminações entre a Rússia e a Ucrânia, o que que já custou a vida de milhares de pessoas, a maioria civis.

As duas cidades rebeldes de Donbass, Donetsk e Luhansk, onde a população é formada por clara maioria de língua russa, formaram duas Repúblicas independentes e começou uma guerra que ainda não acabou, apesar dos Acordos de Minsk e dos repetidos cessar-fogo. A recente concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia - então retirada - levantou temores de uma guerra aberta entre Moscou e Kiev.

Vatican News Service  / LZ-RG

10 maio 2021, 12:59