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Católicos de Mianmar agradecidos ao Papa pela Missa: uma bênção para a nação

Atendendo ao pedido de um sacerdote birmanês residente em Roma, o Papa Francisco celebrou uma Missa no último domingo para a comunidade de Mianmar presente na Itália. As leituras foram proclamadas em birmanês, bem como alguns dos cantos. Em sua homilia, o Santo Padre dirigiu palavras inspiradas e encorajadoras à população, especialmente aos cristãos.

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“As palavras de proximidade do Papa Francisco tão fortes e claras, aquela mensagem 'Não percam a esperança', são um encorajamento especial para todas as pessoas que sofrem em Mianmar. Nos sentimos chamados a permanecer fiéis ao Evangelho mesmo com a vida em risco. Agradecemos sinceramente ao Santo Padre porque ele tem o destino de nossa nação no coração".

Com essas palavras de agradecimento ao Santo Padre enviadas à Agência Fides, o diretor do jornal católico digital birmanês Gloria News Journal, Joseph Kung Za Hmung, revela o sentimento dos milhares de fiéis católicos birmaneses que acompanharam pelo youtube e facebook a Missa presidida pelo Papa Francisco no domingo, 16, na Basílica de São Pedro, com a comunidade de Mianmar presente na Itália. O Santo Padre decidiu celebrar a Missa em resposta ao pedido enviado por uma carta escrita por um sacerdote birmanês presente em Roma.

 

“Os fiéis birmaneses estão surpresos e até mesmo comovidos: nunca teríamos podido imaginar ouvir as palavras e os sons da nossa terra proclamados na Basílica. Sentimo-nos verdadeiramente no seio da Igreja universal. Obrigado ao Papa pela sua profunda humanidade. Sentimos uma profunda comunhão com a Igreja universal”, afirmou Za Hmung à Agência Fides.

Em particular, uma mulher de Banmaw viu seu irmão, um sacerdote birmanês que estuda em Roma, proclamando o Evangelho durante a Celebração Eucarística. Expressando sua grande alegria, ela afirmou: “Esta é uma autêntica bênção de Deus para a nossa família e para todo o nosso povo”.

Fazendo-se porta-voz dos bispos, sacerdotes e religiosos e de todos católicos birmaneses, o cardeal Charles Maung Bo expressou profunda gratidão, dizendo um "obrigado ao Santo Padre por suas orações e porque tem nosso amado povo em seu coração".

A Santa Missa também contou com a presença de cidadãos birmaneses não cristãos que apreciaram muito a oração especial do Papa e sua atenção à nação, ainda marcada e ferida pela dura repressão militar após o golpe de 1° de fevereiro.

A celebração na íntegra (áudio original, sem dublagem)

A homilia

 

Na homilia, o Santo Padre pediu aos fiéis, em Mianmar e no exterior, para manterem a fé, a unidade e a verdade, mesmo arriscando a vida pelo Evangelho. “Guardar a fé - frisou - é manter o olhar voltado para o céu, quando na terra se combate e derrama sangue inocente. É não ceder à lógica do ódio e da vingança, mas ficar com o olhar voltado para o Deus do amor que nos chama a ser irmãos entre nós.”

 

“Guardar a verdade - continuou o Pontífice - não significa defender ideias, tornar-se guardiões dum sistema de doutrinas e dogmas, mas permanecer ligados a Cristo”, porque Ele “é a verdade”. “Guardar a verdade significa ser profeta em todas as situações da vida” e ser testemunhas dela. “O Evangelho pede-nos que estejamos na verdade e sejamos pela verdade, dando a vida pelos outros. E ser fiéis ao Evangelho e artesãos de paz onde há guerra, violência, ódio significa comprometer-se, mesmo através das opções sociais e políticas, arriscando a vida. Só assim podem mudar as coisas. O Senhor não precisa de gente tíbia: quer-nos consagrados na verdade e na beleza do Evangelho, para podermos testemunhar a alegria do Reino de Deus mesmo na noite escura da tribulação e quando o mal parece mais forte.

O Papa Francisco lançou então um apelo à fraternidade, contra qualquer divisão: “Quanta necessidade há de fraternidade, sobretudo hoje! Sei que algumas situações políticas e sociais são maiores do que vós, mas o empenho pela paz e a fraternidade nasce sempre de baixo: cada qual, na medida das suas possibilidades, deve fazer a própria parte. Cada um há de empenhar-se, na medida das suas possibilidades, por ser um construtor de fraternidade, um semeador de fraternidade, há de trabalhar por reconstruir o que se rompeu em vez de alimentar a violência. Somos chamados a fazê-lo, também como Igreja: promovamos o diálogo, o respeito pelo outro, a custódia do irmão, a comunhão!”

Jesus Cristo, concluiu, “reza e intercede por todos nós, para que nos guarde do maligno e nos livre do poder do mal”. E, portanto, não devemos perder a esperança.

Com Agência Fides

18 maio 2021, 08:26