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Serra Leoa: a Igreja guia o árduo caminho da reconciliação

“Somos uma democracia frágil, minada por muitos anos de instabilidade, gostaríamos de pelo menos atingir um nível de decência”, palavras do Padre Paul Sandi, Secretário da Conferência Episcopal de Serra Leoa que nos fala sobre a luta pela reconciliação depois de 30 anos de guerra

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"A Igreja desempenhou um papel fundamental na consolidação da paz e da democracia, mesmo durante a guerra. Os cristãos têm estado na vanguarda juntamente com líderes de outras religiões, também através do Conselho Inter-religioso, ao conduzir as facções aos acordos de Lomé (1999) e ao traçar um caminho de reabilitação para os ex-combatentes. Em todas as quatro dioceses existem comissões de Justiça e Paz, órgãos úteis para ajudar e monitorar as ações do governo em todos os níveis e para fortalecer o processo de reconciliação. Em dezembro passado, o Arcebispo de Freetown, Dom Edward Tamba Charles, foi eleito por unanimidade Presidente do Conselho Inter-religioso de Serra Leoa, um evento que comprometerá ainda mais a Igreja Católica no caminho da paz em nosso país".

São palavras do Padre Paul Morana Sandi, Secretário Geral da Conferência Episcopal da Gâmbia e Serra Leoa, à Agência Fides, ao explicar o lento caminho do renascimento de um país que foi devastado por um conflito interno. De fato, há 30 anos (em 1991) surgiu um terrível conflito civil em Serra Leoa, que há mais de uma década tem visto alguns dos piores crimes da história. Milhares de mortes, violência repetida, mutilações, saques e massacres foram a ordem do dia durante anos, enquanto o triste fenômeno das crianças-soldados aumentou exponencialmente.

Importância dos cristãos na reconciliação

Padre Paul Morana Sandi insiste no papel dos cristãos e nas perspectivas futuras para o país: "Tentamos de todas as maneiras deixar para trás esse terrível período e promover a paz. Podemos dizer que agora chegamos a uma paz relativa e a uma certa estabilidade no país. Esperamos que possamos permanecer neste sulco após tantos anos de violência. Somos toda uma geração que saiu da guerra e de sua horrível retórica. Acredito que todos nós nos tornamos cidadãos mais responsáveis e continuamos a trabalhar com a comunidade internacional para a saída definitiva de uma lógica de conflito e para tomar o caminho do desenvolvimento".

Um dos países mais pobres do mundo

Nos últimos anos, Serra Leoa teve que enfrentar muitos problemas além do conflito. A propagação do Ebola, agora a pandemia e um nível de pobreza severa da qual está lutando para sair: apesar de ser um país rico em recursos, tem a menor renda per capita do mundo e no Índice de Desenvolvimento Humano, o ranking que atesta o nível de progresso no desenvolvimento humano, está em 182º lugar entre 189 países.

Atingir um nível de decência

"Somos uma democracia frágil, minada por muitos anos de instabilidade. Devemos trabalhar para tentar fortalecer as instituições que representam o povo, restaurar plenos direitos e promover a igualdade para que todos os cidadãos possam se sentir protegidos. Nossa economia é muito instável, com uma enorme taxa de inflação e pobreza crescente: temos dificuldade em garantir as necessidades mínimas como água, eletricidade, assistência à saúde, também a escola não consegue decolar, gostaríamos de pelo menos atingir um nível de decência.

Nossas diferenças devem nos enriquecer

Infelizmente, existem divisões étnicas, regionais e políticas que ameaçam a nossa coesão nacional. Mas há também esforços do governo e dos líderes religiosos para superá-los e chegar a uma Serra Leoa que nos representa dignamente no mundo. Teremos sempre diferenças entre nós, mas elas devem nos enriquecer, uma tribo, uma região, enriquece a outra. Como sacerdotes, temos um mandato maior para superar nossas diferenças políticas que nos impedem de enfrentar os grandes desafios que temos pela frente. Temos casamentos mistos entre tribos ou religiões (na Serra Leoa os cristãos estão entre 15 e 18%, 80% são muçulmanos e o resto são religiões tradicionais), seguimos os mesmos times esportivos, temos interesses e esperanças idênticos, não entendemos por que temos que manter as ideologias que ainda resultam em violência".

(Fonte: LA - Agenzia Fides)

22 abril 2021, 11:34