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Religiosos vão às ruas e evitam violência em Myanmar

À exemplo do que já havia ocorrido em pelo menos duas oportunidades com religiosas, o padre Celso Ba Shwe e um pastor protestante se posicionaram entre manifestantes e policiais, implorando aos agentes para deter o avanço e não atirar. “Vamos convencê-los a voltar para casa. Deem-nos um pouco de tempo. Não queremos que sangue banhe nossa terra”, implorou padre Celso Ba Shwe aos policiais.

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Segundo a Agência Fides, na cidade de Loikaw, capital do Estado birmanês de Kayah, onde os batizados são 90% da população, centenas de jovens manifestantes saíram às ruas na terça-feira, 9 de março, em direção à Catedral Cristo Rei. As forças policiais bloquearam, preparando-se para o confronto com os manifestantes contra o golpe militar de 1° de fevereiro.

A exemplo do que já havia ocorrido em pelo menos duas oportunidades com religiosas, para evitar a violência, o padre Celso Ba Shwe - administrador diocesano de Loikaw (Diocese sede vacante após a recente morte do bispo) - e um pastor protestante, se posicionaram entre as duas partes, implorando aos agentes para deter o avanço e não atirarem contra os manifestantes. “Vamos convencê-los a voltar para casa. Deem-nos um pouco de tempo. Não queremos que sangue banhe nossa terra”, implorou padre Celso Ba Shwe aos policiais.

Sua corajosa tentativa de mediação surtiu efeito: os militares dispararam tiros de advertência e granadas de atordoamento para dispersar a multidão, sem causar vítimas. “Cada vida é preciosa. Isso é o que queremos dizer hoje com nossa ação que se inspira somente na fé”, afirmou à Agência Fides padre Celso Ba Shwe.

 

Gesto semelhante já havia sido feito por religiosas da cidade de Myitkyina, capital do Estado de Kachin, onde nos últimos dias houve forte repressão policial contra jovens manifestantes, que se refugiaram no complexo de a Catedral. “Pedimos para não matar. Por isso nos dirigimos aos militares. Temos medo que os policiais matem os jovens manifestantes. Nossa presença como pessoas de fé, agentes de paz, pode ajudar a fazê-los desistir. Por isso estamos aqui na rua".

No dia 8 de março, dois jovens manifestantes foram mortos, mais de 7 feridos e a polícia, que cercou a Catedral, fez 91 prisões durante a noite, conforme informam fontes locais à Agência Fides. As freiras e o bispo emérito, Dom Francis Daw Tang, saíram às ruas para tentar acalmar os ânimos e persuadir a polícia a não usar de violência contra os jovens desarmados.

Sempre de acordo com fontes da Fides, a junta militar ordenou medidas repressivas cada vez mais fortes nas ruas, enquanto vários meios de comunicação independentes foram tirados de circulação, e teme-se agora, que a qualquer momento, a junta possa declarar um rígido toque de recolher para impedir qualquer forma de protesto.

Em Myitkyina, a intervenção de religiosos católicos evitou um massacre, mas a morte dos dois jovens gerou indignação, dor e amargura. Apesar da violência contínua, fiéis católicos e pessoas de diferentes comunidades religiosas se reuniram em silêncio em frente à Catedral Católica de São Columbano, observando e rezando pelos dois jovens mortos e suas famílias. Entre os presentes estava o bispo emérito da Diocese de Myitkyina, Dom Francis Daw Tang, que declarou à Fides: “Estou aposentado, mas a caridade não se aposenta. Neste momento difícil para o nosso país, como cristãos somos chamados a oferecer a nossa contribuição de paz, de misericórdia, de perdão”.

Os cristãos de Mianmar estão vivendo a Quaresma em meio à tensão e à instabilidade, com fé e com uma oração que se torna ação de caridade. Irmã Ann Nu Tawng, a religiosa que se tornou um "ícone da paz" por ter se ajoelhado diante de uma barreira policial, detendo seu avanço contra os manifestantes, repetiu o apelo e o gesto, e alguns soldados de religião budista ficaram de joelhos ao seu lado, mostrando respeito pela sua presença e suas palavras de mansidão e compaixão. “Pregamos e testemunhamos a escolha da não-violência evangélica, disse a religiosa à Agência Fides. Nossa missão é anunciar e viver plenamente o amor de Cristo, também em relação ao inimigo”.

Com Agência Fides

10 março 2021, 12:43