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Nigéria: novo apelo da Igreja por segurança, após sequestro de 8 crianças em orfanato

O arcebispo Ignatius Kaigama faz novamente um apelo às autoridades para proteger a população que vive constantemente com medo de ataques de grupos criminosos e extremistas islâmicos. A exortação acontece após o sequestro de 8 crianças e de um grupo de adultos de um orfanato na cidade de Abuja, capital do país.

Gabriella Ceraso e Andressa Collet - Vatican News

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Nesta terça-feira (26), todos os líderes militares na Nigéria foram substituídos. O presidente Muhammadu Buhari demitiu os chefes das Forças Armadas, da Aeronáutica, da Marinha e da Defesa, nomeados em 2015. A substituição acontece durante a deterioração da situação de segurança dos últimos meses no país.

A Nigéria continua até agora sem solução para enfrentar os ataques das milícias do Boko Haram e a onda desenfreada de sequestros, com pedidos de resgate, especialmente no sul do país, rico em petróleo, e no noroeste, onde centenas de pessoas de todos níveis sociais e proveniência foram sequestradas nos últimos anos. De acordo com as últimas estimativas da SB Morgen, uma empresa de consultoria geopolítica nigeriana, mais de 18 milhões de dólares (quase 15 milhões de euros) já foram pagos em resgate desde o ano de 2011.

O último episódio foi registrado no último sábado (23) quando, por volta da 1 da madrugada, horário local, um grupo de cerca de 25 homens armados invadiu um orfanato, o Orfanato Rachel, em plena capital de Abuja, foi direto aos dormitórios das crianças. Além dos pequenos com idade entre 9 e 14 anos, os homens não identificados também sequestraram alguns funcionários, exigindo um resgate de cerca de 26 mil dólares.

Em dezembro, segundo informações da Acidigital, serviço de notícias vinculado à Igreja Católica, um grupo de homens armados sequestrou mais de 300 alunos da Escola de Ensino Médio de Ciências do governo, em Kankara, libertados após uma semana. O Pe. Valentine Oluchukwu Ezeagu, membro dos Filhos de Maria Mãe da Misericórdia, foi sequestrado no Estado de Imo e libertado no dia seguinte. Já no final do ano de 2020, o bispo auxiliar de Owerri, dom Moses Chikwe, foi sequestrado junto com o motorista e os dois foram libertados cinco dias depois.

A insegurança está em todo lugar

Em entrevista ao Vatican News, o arcebispo de Abuja, dom Ignatius Ayau Kaigama, expressou pesar pelo sequestro no orfanato, o que o prelado descreveu como um "ato sério e sem sentido". Ele lamentou a degeneração da situação de segurança no país:

"Não há lugar onde as pessoas possam se sentir protegidas, em casa ou fora, na periferia ou na cidade, os criminosos podem chegar a qualquer momento, em qualquer lugar."

O arcebispo relatou ainda sobre as dificuldades vividas dentro do ministério pastoral e dos riscos de se deslocar diariamente entre as aldeias. Ainda segundo o prelado, o que tem sido feito até agora pelas autoridades é muito pouco, apesar dos esforços e das repetidas reuniões também realizadas com os representantes da Igreja local:

“Acreditamos que Deus nos protege, mas todos devem fazer a sua parte.”

27 janeiro 2021, 09:33