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A encíclica foi assinada pelo Papa Francisco no início de outubro de 2020, em Assis A encíclica foi assinada pelo Papa Francisco no início de outubro de 2020, em Assis  (Vatican Media)

“Fratelli tutti” ganha tradução em língua russa: resposta rápida e generosa

A edição traduzida em russo e feita por muçulmanos surpreendeu positivamente dom Paolo Pezzi, arcebispo de Moscou: “não podia imaginar uma resposta tão rápida e generosa”.

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O presidente da Conferência Episcopal Russa, dom Paolo Pezzi, descreveu como uma “alegre surpresa” a tradução em língua russa da Encíclica do Papa Francisco "Fratelli tutti", realizada pela editora Medina e pelo Fórum Muçulmano Internacional. Segundo a agência de notícias SIR e dirigindo-se diretamente ao primeiro vice-presidente da Direção Espiritual dos Muçulmanos da Federação Russa e secretário executivo do Fórum Muçulmano Internacional, Damir Hazrat Mukhetdinov, que promoveu a iniciativa editorial, dom Pezzi escreveu:

“Como todo mundo, eu sabia que esta encíclica nasce - em grande parte - do histórico encontro entre o Papa e o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, e pede por renovadas relações fraternas entre os fiéis das nossas tradições religiosas. Mas, eu não podia imaginar que esse apelo suscitaria uma resposta tão rápida e generosa nos corações dos muçulmanos russos.”

Em carta ao representante muçulmano, publicada no site da Igreja Católica Russa e relançada na manhã deste sábado (2) pelo Sismógrafo, o arcebispo acrescenta:

"A importância deste passo de vocês, assim como da própria Encíclica do Papa, é realmente difícil de superestimar. Parece-me que esse gesto seja incrivelmente relevante neste momento, quando muitas pessoas, infelizmente, acreditam que o diálogo inter-religioso seja uma formalidade vazia que não dá nenhum fruto real e não afeta a vida das pessoas. Mas não é assim: temos muitas provas de como seja importante uma ‘cultura de encontro’, que pode reavivar a esperança e levar à renovação".

A Carta cita neste ponto uma frase da Encíclica de Francisco: "a verdade é que a violência não encontra nenhuma base nas convicções religiosas fundamentais, mas sim em suas deformações".

O arcebispo, portanto, agradece Damir-Hazrat, porque a tradução de “Fratelli tutti” não só torna os conceitos expressos pelo Papa Francisco acessíveis aos leitores muçulmanos, mas também permite que "os católicos se vejam através dos olhos de nossos interlocutores". Ele acrescenta: "seria interessante se, num futuro próximo, pudéssemos realizar juntos um encontro sobre os temas importantes discutidos neste documento".

Publicação oficial ainda requer verificações

A Conferência Episcopal Russa explica em seu site oficial que o idioma russo não estava incluído na lista de idiomas das publicações oficiais da Santa Sé da Encíclica Fratelli tutti, que a tradução oficial está sendo preparada pela Conferência dos Bispos Católicos da Rússia e que a publicação oficial requer uma verificação especial da tradução por parte do censor da igreja. A editora Medina e o Fórum Muçulmano Internacional publicaram esta primeira tradução russa em 24 de dezembro, coincidindo com "o início da festa cristã Eid al-Milad (a Natividade de Isa ibn Maryam)". 

No prefácio da edição, Damir Mukhetdinov escreve: "Como a tradução de um documento da Igreja Católica Romana pode ser importante para um muçulmano? A resposta é simples: além das próprias reflexões do Papa Francisco, que discutiremos mais adiante, há a possibilidade de compreender melhor a própria religião, de vê-la de lados inesperados. A libertação do preconceito sobre os outros promove maior liberdade de pensamento, o que inevitavelmente leva à libertação do preconceito sobre si mesmo. Uma melhor compreensão de nós mesmos não passará despercebida pela forma como os outros nos entendem. Esse entendimento mútuo (não só do outro, mas sobretudo de si mesmo) ocorre durante o encontro. E o encontro é a principal mensagem da ‘Fratelli tutti’”.

Agência de Notícias Sir

03 janeiro 2021, 08:35