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Natal Natal  (ANSA)

Redescobrir o Natal em tempo de Pandemia

Que este Natal seja de fato marcado pela Luz Divina que o mundo precisa. Seja o Cristo Salvador lembrado e retorne ao centro desta comemoração.

Padre Marcos Paulo Pinalli da Costa - Diocese de Campos - RJ

Devemos celebrar o Natal do Senhor, a festa da Luz, mesmo em meio à Pandemia do Corona Vírus. Afinal de conta, somos cristãos e chamados por nosso Senhor Jesus Cristo a ser “Luz do Mundo” cf. Mt 5,14. Viveremos um Natal diferente, uma festa sem aglomeração e com modéstia. Muitos ainda, confinados em suas casas, chorando pelos entes que se foram, inseguros à espera da vacina e sua eficácia. Ainda assim, acreditemos que o brilho do Natal não será apagado e muito menos sua mensagem será vazia.

Em meio às trevas que vivemos, o Evangelho nos apresenta a essência do Natal: “Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.”, cf. Jo 1,4-5. O Natal é a celebração da vida, do nascimento do Menino Deus, a Luz celeste desce para a Terra e faz morada entre nós. As Trevas que recordamos, antes e durante a Pandemia, são as seguintes entre tantas outras que não serão citadas: a da indiferença religiosa, do afastamento de Deus e sua Igreja, da corrupção em todas as esferas da sociedade, do materialismo, do consumismo (muito forte neste período), da fome, da injustiça, do racismo, da corrupção, do aborto, do pansexualismo, da pedofilia, do feminicídio, da falta de consciência ecológica em cuidar do nosso planeta, da falta de acesso à saúde e educação, do desemprego, da pobreza, da fome, da sede, da falta de saneamento básico, da moradia, do acesso à terra para ser cultivada, do trabalho escravo, da situação dos refugiados, migrantes e imigrantes. 

As trevas, neste contexto, é sinônimo de morte, a Luz que a domina é o Cristo que se apresenta a nós como “o caminho, a verdade e a vida.” Cf. Jo 14,6. Celebrar o Natal neste ano é lembrar que vale a pena viver, é deixar a Luz do presépio iluminar a tristeza que por mais ou menos nove meses parece ser gerada em muitos corações. Porém, a treva que dificulta o caminhar, confunde as pessoas e leva-as ao erro, mas não nasce. Em meio à esta treva, o Evangelho nos ensina: “14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós.” Cf. Jo 4, 14. Nasce a Vida e a Vida é a Luz do mundo. Esta Vida tem nome: nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o principal motivo para se celebrar o Natal. O aniversariante foi sendo substituído pelos presentes, pela ceia farta com comidas típicas em algumas mesas, pelas bebedeiras. Muita festa e pouca oração. A tradicional missa do Galo, em muitos lugares, acontece antes da meia noite, seja por causa da violência urbana ou para dar lugar à ceia e à confraternização. 

Que este Natal seja de fato marcado pela Luz Divina que o mundo precisa. Seja o Cristo Salvador lembrado e retorne ao centro desta comemoração. No século IV, o Papa Júlio I estabeleceu o dia 25 de dezembro como o do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, assim, a Saturnália, por causa do deus Saturno para os romanos foi Cristianizada. Este festival do solstício de inverno era quase um “carnaval” de hoje, permitia a inversão da ordem social. Eram oferecidos banquetes públicos, onde os senhores serviam aos seus escravos, havia troca de presentes em privado e com dedicatórias, um presente comum era uma vela de cera, representando a luz na escuridão, realizavam-se procissões, enfeitavam as casas com guirlandas, o homem podia vestir-se de mulher e até os jogos de azar proibidos em Roma eram permitidos, sobretudo na República. Ninguém podia ser preso por burlar a lei. 

A comemoração natalina, sobretudo no século XX sofreu alteração em sua essência, quando o consumismo substituiu o Verbo que se fez Carne pelo verbo comprar. O Natal passou a ser o tempo de dar e receber presentes, caracterizado pela compra e venda. Ocorre também que alguns homens, mulheres e crianças que não dão e nem recebem tais presentes ficam tristes e até se sentem os mais infelizes do mundo (sem exagero da minha parte), há quem tem fobia deste dia e o considera um dia triste. 

Antes da Pandemia, o dar presente, muitas vezes, substituía o não estar presente durante todo um ano. Neste ano, o estar presente, quando a família se reúne pode ser perigoso e fatal. Evitar os exageros nas festas deste fim de ano, se dedicar mais à oração e à caridade será o melhor presente. Praticamente inexiste a iluminação natalina nos prédios, no exterior das casas e em gigantescas árvores montadas. Até o velho Papai Noel não tem aparecido. Esta é a imagem do tempo que vivemos. Não podia ser diferente. 

Que este Natal, no século XXI seja lembrado pelo retorno da sua essência, o nascimento do Cristo Salvador. Que nossa alegria seja moderada e nossa tristeza transformada por Aquele que nos dá vida plena e em abundância.  O Natal sem Cristo é festa pagã. Cabe a cada batizado tornar-se responsável por recristianizar o Natal. Apesar de vivermos num tempo difícil e incerto, ainda temos motivo para celebrar o Natal. Basta tirar do centro do presépio o “homem feito deus” que ali foi colocado; e recompô-lo outra vez com o Menino Jesus, ou seja, adorar na manjedoura Deus feito homem. O melhor presente que podemos oferecer será devolver o Natal a Cristo. Bem simples assim.

Que a Virgem Maria e São José intercedam por nossas famílias e pelo fim desta pandemia. 

Padre Marcos Paulo Pinalli da Costa

 

 

23 dezembro 2020, 13:57