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Belém prepara-se para um Natal diferente em 2020 Belém prepara-se para um Natal diferente em 2020  (AFP or licensors)

Natal em Belém focado no essencial

A Missa na véspera do Natal será sem a presença de fiéis. Sem peregrinos devido à pandemia, a população local sofre com perdas econômicas. Por outro lado, a atual situação permite a redescoberta do que é essencial: a alegria do estar juntos e de poder rezar.

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“Devido à pandemia e para a segurança de todos”, a Missa na noite do dia 24 de dezembro “será reservada apenas ao clero e será transmitida pela TV palestina”. Foi o que anunciou o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, em um encontro realizado com expoentes religiosos, no contexto das celebrações de Natal em meio às medidas adotadas para conter a propagação do coronavírus. A Cisjordânia registrou até o momento 78 mil contágios e 740 óbitos.

Na ocasião também foram confirmadas outras atividades agendadas, entre as quais, a entrada em 24 de dezembro do novo Patriarca de Jerusalém dos latinos, o arcebispo Pierbattista Pizzaballa, sem a presença dos fiéis em cumprimento ao estabelecido pelas autoridades sanitárias.

Um Natal concentrado no essencial

 

O pároco de Belém, padre Rami Asakriek, comentou à Agência Asia News que não obstante a atual situação, “se sente que este Natal é especial, porque se torna a ocasião para concentrar-se no essencial, deixando de lado o supérfluo. Cristo nasce entre nós, vem para todos, ninguém é excluído de sua mensagem de salvação e nisto que devemos nos concentrar”.

Durante a pandemia – observou o sacerdote - os fiéis “entenderam que estão há muito tempo imersos em uma realidade ligada ao materialismo do mundo, na necessidade de coisas superficiais, que acabam consumindo tempo e energia”. Nesta espera pelo Natal, “se está redescobrindo a importância do repouso, do tempo transcorrido juntos, da partilha, apesar do sofrimento”. Os pais poderão oferecer quem sabe um presente a menos, mas “acabam por redescobrir uma dimensão familiar e íntima”. Diante dos problemas causados pelas dificuldades econômicas – pontua - surge “o desejo de estar juntos, de se conhecer, de encontrar novas e diferentes formas de apoio”.

Falta de peregrinos prejudica sobrevivência da população

 

De fato, apesar de não ter interrompido as atividades, a pandemia eliminou efetivamente a presença de peregrinos, uma fonte de vitalidade para a Igreja da Terra Santa e uma contribuição fundamental para a economia dos cristãos. 30% deles vivem dos recursos advindos da presença dos fiéis de todo o mundo. Uma crise que atingiu também a cidade natal de Jesus, lotada todos os anos por centenas de fiéis locais e estrangeiros à meia-noite na Igreja de Santa Catarina, ao lado da Basílica da Natividade.

A visão de uma praça e de uma basílica sem peregrinos – acrescenta - “certamente é fonte de tristeza, mas para nós o poder entrar e rezar, permanece um gesto de grande esperança. Vemos que Deus permanece conosco, nos enche de alegria em visitar o lugar santo”, que permanece um lugar privilegiado, uma espécie de "refúgio onde podemos rezar".

Alegria e esperança que nasce do lugar santo

 

Nessas últimas semanas os fiéis, mesmo no respeito às regras sobre a temperatura, o distanciamento e o uso de máscaras, “nunca deixaram de frequentar as igrejas”, confirma o sacerdote. “Nós mesmos – acrescenta - continuamos a celebrar missas, casamentos, batismos e, mesmo que a Natividade esteja fechada, nos reunimos na Igreja de São Francisco”.

“Somos um único corpo de Cristo - conclui padre Rami - e se um membro está doente o outro também sofre e cuida dele. É por isso que a partir deste lugar santo continuaremos a rezar e a encher os corações de alegria e esperança. Uma alegria que não é a do mundo, mas que deriva da fé e da certeza de sermos acolhidos pelo Senhor, de nos confiarmos à sua misericórdia e à sua ajuda para nos ajudar a viver o Natal”.

Com Asia News

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Basílica da Natividade, em Belém
12 dezembro 2020, 08:22