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Pandemia: familiares e amigos no cuidado aos idosos

Aos 88 anos de idade, Edith de Souza Machado não perdeu a vaidade. Acorda cedo e liga a televisão para rezar o terço, assistir as missas e encontra tempo para se arrumar. Maria da Conceição Ramos, 90 anos em casa com a filha que cuida e ajuda a viver o isolamento social. As boas recordações da visita do Bispo de Campos, Dom Roberto Francisco soa como uma mensagem de carinho e afeto do pastor.

Ricardo Gomes – Diocese de Campos

Ao mesmo tempo em que a pandemia causa terror e transforma toda a sociedade num clima de mortes, idosos superam os desafios do isolamento social com a oração e o convívio dos familiares.  Aos 88 anos de idade, Edith de Souza Machado encontra alegria de se arrumar e ficar bem bonita para participar das missas transmitidas pelas emissoras de inspiração católica. E entre uma celebração e outra reza o terço todos os dias e curte o bisneto Pietro de 8 anos. Mas alegria, devoção se junta e sua esperança em Nossa Senhora Aparecida.

“Minha avó esta vivendo esse tempo com tranquilidade. Vaidosa gosta de se arrumar, nunca esquece o batom e assiste as missas na televisão. Reza o terço e nunca fica sozinha, sempre estamos cuidando dela. Com todos os cuidados e meu filho sabemos que temos de manter as medidas sanitárias de uso de máscara e higienização das mãos. Neste tempo ela sente um pouco a falta das pessoas amigas, mas está consciente que deve ficar em casa”, conta Daiane de Souza.

Aos 88 anos de idade, Edith de Souza Machado encontra alegria de se arrumar e ficar bem bonita.
Aos 88 anos de idade, Edith de Souza Machado encontra alegria de se arrumar e ficar bem bonita.

Maria da Conceição Ramos transmite amor. Em casa aos 93 anos agradece a Deus pela filha Rita de Cássia Ramos Soares e esposo Isalmar Soares que deixaram a casa na cidade para cuidar da idosa numa localidade no meio rural. Recordações e saudades dos amigos que não podem visitá-la. Na casa as fotos e recordações da visita do Bispo de Campos, Dom Roberto Francisco Ferreria Paz no ano que completou 90 anos. Janeiro ela se prepara para receber amigos que chegam para a tradicional Festa de Santo Amaro. Se encanta com as missas do novenário e no dia 15 de janeiro a cavalhada, folguedo que por cinco décadas deu sua contribuição na confecção das roupas.

Recordações da visita do Bispo de Campos, Dom Roberto Francisco
Recordações da visita do Bispo de Campos, Dom Roberto Francisco

“Muita saudade de meus meninos. E hoje tenho muita alegria por ter minha filha cuidando de mim. A esperança é que essa doença passe e que possa receber meus amigos. A festa de meu glorioso Santo Amaro é um momento que posso ver os amigos, minha família que se reúne. Coloco nas mãos de nosso Pai Santo Amaro e em Nossa Senhora Aparecida as minhas orações para que no ano que vem as coisas voltem ao normal”, disse.

Para Rita de Cássia Soares este momento é de cuidar da mãe idosa e zelar pela saúde dela. Fala da alegria da mãe aos 93 anos estar superando o isolamento social. Mesmo com algumas dificuldades continua com sua alegria e a certeza de que esse tempo de medo e incertezas passará logo. A idosa acorda e gosta de ficar na varanda vendo o movimento da praça e sente falta das visitas.

“Minha mãe é muito tranquila e aos 93 anos gosta de receber os amigos e já está pensando na festa de Santo Amaro e se vai ter como receber os familiares e amigos que todos os anos lotam a casa dela. Os componentes da Cavalhada que sempre fazem a homenagem pela contribuição de décadas confeccionando as roupas dos cavaleiros. E a fé que ajuda a superar o isolamento que estamos vivendo. E com alegria que eu e meu esposo estamos com ela para cuidar e expressar nosso amor”, revela Rita de Cássia.

Tempo de cuidar: idosos e a presença da Igreja

Com a pandemia a Pastoral da Pessoa Idosa cancelou todas as atividades presenciais. Semanalmente o encontro que acontecia na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Italva, Diocese de Campos promovia momentos agradáveis e ajudando ais idosos a melhor qualidade de vida. Dalva Filgueira aproveitava para aprender artesanato e partilhar um pouco da vida. Com o isolamento familiar sente falta das amigas, mas com mais tempo para curtir a família. Na Paróquia as missas presenciais dois horários dedicados aos idosos com cuidado redobrado e normas sanitárias. Padre Maxiliano Barreto explica que a medida foi uma forma de cuidado com os idosos em isolamento social.

“Confesso que está sendo um desafio, preparar a matriz com todos os cuidados sanitários para acolher os idosos, mas como é gratificante oferecer esse conforto e minimizar o isolamento. Outra iniciativa na nossa paróquia que gosto de recordar foi as crianças da catequese preparando cartinhas amorosas aos idosos. Afinal a igreja tem de cuidar de todos e expressar o amor de Deus”, disse padre Maxiliano.

22 setembro 2020, 12:49