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Igrejas e organizações religiosas pedem à Europa uma política que respeite os direitos dos migrantes

No documento, as Igrejas e as organizações religiosas reafirmam o compromisso de apoio aos migrantes, mas “pedem à União Europeia um pacto sobre o asilo e migrações, a aplicação do Pacto Mundial pelos Refugiados e do Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, o respeito dos direitos e dignidade humanos e uma efetiva solidariedade entre os Estados membros”.

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Numerosas Igrejas e organizações religiosas, inclusive o Conselho Mundial de Igrejas (Coe), a Conferência das Igrejas Europeias (Cec) e a Comissão das Igrejas para os Migrantes na Europa (Ccme), enviaram uma Carta à Comissão Europeia, - junto com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos -, pedindo ajuda aos migrantes e comunidades de acolhimento.

No documento, as Igrejas e organizações religiosas reafirmam seu compromisso de apoio aos migrantes, mas “pedem à União Europeia um pacto sobre o asilo e migrações, a aplicação do Pacto Mundial pelos Refugiados e do Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, o respeito dos direitos e dignidade humanos e uma efetiva solidariedade entre os Estados membros”.

A iniciativa nasceu após o incêndio, no campo de Moria, na ilha grega de Lesbos, que deixou 13.000 migrantes desabrigados. Na Carta, os signatários afirmam: “A migração faz parte integrante da história e da experiência humana (...); expressamos nossa profunda preocupação pelo modo com o qual a mobilidade está sendo estigmatizada (...); pedimos que isto seja revisto na política, na mídia e nas nossas comunidades, em consonância com os princípios da dignidade, da solidariedade e dos direitos humanos”.

Para as Igrejas e organizações signatárias do documento, "a solidariedade deveria ser o princípio básico para orientar a migração e, em particular, o acolhimento dos refugiados". Daí, o desejo de que a Comunidade Europeia possa mudar sua política de temor e dissuasão e adotar soluções baseadas em seus valores fundamentais. Os recentes acontecimentos na fronteira com a Turquia e o incêndio de Moria demonstram – lê-se na Carta – que o problema dos migrantes e refugiados na Europa ainda não foi resolvido.

Enquanto, no Velho Continente, um milhão de pessoas vieram em busca de asilo, em 2015, e ainda centenas de milhares continuam, nos anos seguintes, a desafiar o continente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) calculou que, em 2019, foram cerca de 80 milhões os requerentes de asilo, em todo o mundo, dos quais quase 50 milhões os migrantes na Comunidade Europeia. Dos que conseguiram cruzaram as fronteiras, 85% foram hospedados em países em desenvolvimento e 73% em Estados vizinhos. Dois terços dos refugiados do mundo foram hospedados por países fora da Europa: África (31%), Ásia (20%), Oriente Médio e África do Norte (13%) e Américas (3%).

A pandemia do Covid-19 contribuiu para exacerbar as condições de vida desumanas dos migrantes já existentes, - lê-se ainda no documento - devido a uma higiene inadequada nos ambientes de acolhimento e aos cortes drásticos na ajuda e assistência alimentar. As restrições de circulação interna e além-fronteiras reduziram ainda mais o acesso de quem precisa de proteção.

Diante desta realidade, as Igrejas e organizações religiosas estão comprometidas “em dar acolhimento digno, proteção e cuidado aos migrantes”, dando apoio e promovendo uma integração social e uma convivência justa e pacífica. Por fim, os signatários da Carta exortam a mídia e os jornalistas a respeitar a dignidade dos migrantes e refugiados e a narrar suas histórias de modo equilibrado, evitando estereótipos e expressões negativas.

MT / Vatican News Service - TC

27 setembro 2020, 10:42