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Crianças indo para a escola Crianças indo para a escola  (AFP or licensors)

Índia: remoção de personagens religiosos do currículo escolar

"É muito triste saber que os nossos filhos, que são o futuro deste país, perderão capítulos importantes sobre o cristianismo e o islamismo", afirmou o Arcebispo de Bangalore, Dom Peter Machado.

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A Igreja e os líderes políticos do estado de Karnataka ficaram profundamente consternados pela remoção, do currículo escolar, dos capítulos sobre Jesus Cristo e o Profeta Maomé. Teriam sido removidos também capítulos sobre líderes eminentes, que, um tempo, eram guias do estado, como Tipu Sultan e Hyder Ali.

"É muito triste saber que os nossos filhos, que são o futuro deste país, perderão capítulos importantes sobre o cristianismo e o islamismo", afirmou o arcebispo de Bangalore, dom Peter Machado, à UCA News. "A Índia - explicou - é conhecida no mundo pela sua unidade na diversidade. Somos um exemplo de respeito e harmonia entre as comunidades. Se, realmente, isto acontecer, perderemos a Índia leiga, da qual todos nos orgulhamos". E acrescentou: “A Índia pode dar à nossa sociedade a unicidade da harmonia entre as comunidades; privar nossos filhos destes temas é uma injustiça em relação a eles. Devemos educá-los à fraternidade e harmonia entre as comunidades, que todas as religiões ensinam".

O arcebispo Machado deplorou que o governo do Estado esteja interferindo nos valores seculares da Constituição e o exortou a "rever, se possível, a sua decisão".

Por sua vez, o governo declarou que decidiu encurtar o programa 2020-21 por causa da pandemia da Covid-19, a fim de diminuir a carga horária dos estudantes. Também o site da Sociedade de Livros de Texto de Karnataka reiterou que as revisões foram feitas para reduzir o programa escolar em 30%, devido à emergência sanitária.

No entanto, segundo a oposição, o partido governamental filo-hindu, Bharatiya Janata (BJP), omitiu estes capítulos, sobretudo dos líderes políticos, para mudar o programa. "O partido BJP - afirmou Shivkumar, presidente do Comitê do Congresso de Karnataka Pradesh - vê tudo sob a perspectiva política. Eles querem promover seus programas pessoais, que é inaceitável". E concluiu: “não é justo que o Comitê queira mudar o programa, pois isso deve ser discutido com todos os partidos políticos. Não podemos mudar a história! História é história!".

Vatican News Service

01 agosto 2020, 09:35