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Todos os cristãos, nos vários Estados indianos e nas numerosas comunidades, “são chamados a rezar pelas famílias daqueles que perderam a vida, sofreram perseguições, para que possam viver em segurança e com a proteção necessária” Todos os cristãos, nos vários Estados indianos e nas numerosas comunidades, “são chamados a rezar pelas famílias daqueles que perderam a vida, sofreram perseguições, para que possam viver em segurança e com a proteção necessária”  (ANSA)

Cristãos na Índia recordam os 10 anos das violências anti-cristãs em Orissa

“No dia 23 de agosto, recordamos e confiamos a Deus todos aqueles que morreram durante a violência e todos aqueles que tanto sofreram. Passada mais de uma década daqueles dias trágicos, aqueles cujos direitos foram violados e espezinhados continuam à espera de justiça”, afirmou Dom John Barwa, à frente da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar.

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Os cristãos na Índia viverão duas semanas de oração e outras atividades pastorais, por ocasião do aniversário da violência anticristã ocorrida no Distrito de Kandhamal, no Estado indiano de Orissa, no leste da Índia. A informação à Agência Fides é do padre Manoj Kumar Nayak.

 “No 12º aniversário da violência no Distrito de Kandhamal, nos unimos em oração para apoiar os cristãos perseguidos por sua fé em todo o país”, diz o sacerdote, assistente social e ativista dos direitos humanos da Diocese de Cuttack-Bhubaneswar, que abrange o território de Kandhamal.

A experiência mais dolorosa da história da Igreja na Índia

 

Todos os cristãos, nos vários Estados indianos e nas numerosas comunidades, “são chamados a rezar pelas famílias daqueles que perderam a vida, sofreram perseguições, para que possam viver em segurança e com a proteção necessária”, observa ele.

“Hoje seguimos em frente com a coragem de viver e testemunhar a fé cristã ao próximo, segundo o olhar evangélico da compaixão, do perdão e da acolhida”, disse à Fides por sua vez Dom John Barwa, à frente da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, ao recordar o 12º aniversário da violência por ele definida como "a experiência mais dolorosa da história da Igreja na Índia".

“No dia 23 de agosto, recordamos e confiamos a Deus todos aqueles que morreram durante a violência e todos aqueles que tanto sofreram. Passada ​​mais de uma década daqueles dias trágicos, aqueles cujos direitos foram violados e espezinhados continuam à espera de justiça”, afirmou.

Respeito às garantias constitucionais e à liberdade religiosa

 

“Pedimos que todas as instituições civis e religiosas se comprometam a respeitar as garantias constitucionais e a liberdade religiosa na Índia e a respeitar o Estado de Direito”, reitera o padre Nayak, que é membro do National Solidarity Forum (NSF), uma rede de mais de 70 organizações da sociedade civil na Índia que defendem e promovem os valores democráticos e pluralistas da Índia, consagrados na Constituição indiana.

Na véspera do aniversário, que cai em 23 de agosto, a NSF lançou um apelo a todos os cidadãos para que lutem pelos direitos e por justiça para as vítimas e sobreviventes dos massacres de 12 anos atrás.

Massacre e destruição

 

A violência contra os batizados em Orissa explodiu com ferocidade indescritível no Distrito de Kandhamal em 23 de agosto de 2008. Grupos extremistas hinduístas culparam os cristãos pelo assassinato do líder religioso hinduísta Swami Laxmanananda Saraswati, embora sua morte tenha sido reivindicada por grupos rebeldes maoístas.

O assassinato, foi o pretexto para desencadear uma onda de violência que durou alguns dias. Cerca de 100 pessoas foram mortas, enquanto 40 mulheres cristãs foram estupradas, submetidas a moléstias e humilhações. Cerca de 395 igrejas e locais de culto e 6.500 casas ficaram arrasados, e várias instituições educacionais, sociais e de saúde foram devastadas e saqueadas. Mais de 50.000 fiéis abandonaram suas aldeias e fugiram, enquanto suas propriedades eram ocupadas e apreendidas ilegalmente.

À espera de justiça

 

Conforme consta de uma nota do Fórum Nacional de Solidariedade (NSF), enviada à Fides, após o fim da violência, mais de 3.300 denúncias foram apresentadas à polícia, mas apenas 800 foram registradas oficialmente. Das denúncias, apenas 518 casos foram arquivados. Os restantes foram para no tribunal, mas 88% dos arguidos foram absolvidos por falta de provas ou testemunhas, que frequentemente sofreram intimidação.

Segundo um estudo das advogadas Vrinda Grover e Saumya Uma, o percentual de condenações nos julgamentos por violência em Kandhamal é muito baixo, 5,13% dos casos de acusação. E caso se leve em consideração as denúncias como parâmetro, trata-se de apenas 1%.

Nenhum dos responsáveis ​​pelos crimes cometidos foi preso hoje. No entanto, sete cristãos inocentes estão na prisão há 11 anos, acusados ​​e condenados em primeira instância pelo assassinato de Saraswati, e agora estão em liberdade sob fiança, enquanto o processo de apelação está em andamento no Supremo Tribunal de Orissa.

Em 2016, o Supremo Tribunal Federal julgou "inadequada" a indenização concedida pelos tribunais de primeira instância e ordenou a revisão de 315 casos de violência coletiva denunciados. No entanto, quatro anos depois dessa indicação - que não dava um ultimato temporal - os julgamentos não foram reabertos.

De acordo com a Igreja local, a verdadeira tragédia é o fato de que centenas de famílias cristãs não podem voltar para suas casas e povoados e ainda temem por suas vidas. Os deslocados dentro do distrito vivem em novas colônias, nascidas dos primeiros campos de refugiados, com sérias dificuldades de subsistência e educação.

(SD/PA - Agência Fides)

24 agosto 2020, 13:13