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Vigília realizada em Mineápolis por Jacob Blake Vigília realizada em Mineápolis por Jacob Blake   (2020 Getty Images)

Dor da Igreja nos Estados Unidos por acontecimentos em Kenosha

Os bispos dos Estados Unidos uniram-se ao apelo de Dom Listecki, convidando os católicos a participarem de um dia especial de oração e jejum contra o racismo nesta sexta-feira, no 57º aniversário do famoso discurso de Martin Luther King “I have a dream” ou, alternativamente, no dia 9 de setembro, festa de São Pedro Claver.

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Permanece alta a tensão em Kenosha, Wisconsin, após a morte de dois manifestantes por um jovem armado de 17 anos, durante os confrontos e protestos que se seguiram aos graves ferimentos sofridos por Jacob Blake, o afro-americano baleado nas costas em 23 de agosto por um agente do polícia.

Sobre mais este triste acontecimento se pronunciou o arcebispo de Milwaukee, Dom Jerome Edward Listecki, que em nota publicada no site diocesano lançou um apelo contra o racismo e a violência que, afirma, “nunca poderá ser o meio para obter paz e justiça”.

“Os pecados da violência, a injustiça, o racismo e o ódio devem ser eliminados de nossas comunidades com atos de misericórdia, com a proteção e o cuidado da dignidade de cada pessoa humana, no respeito pelo bem comum e com uma busca incansável pela igualdade e paz", sublinha o prelado na nota.

Os bispos dos Estados Unidos uniram-se ao apelo de Dom Listecki, convidando os católicos a participarem de um dia especial de oração e jejum contra o racismo nesta sexta-feira, no 57º aniversário do famoso discurso de Martin Luther King “I have a dream” ou, alternativamente, no dia 9 de setembro, festa de São Pedro Claver.

Em uma nota, Dom Shelton J. Fabre, presidente da Comissão contra o racismo da Conferência Episcopal (USCCB), convida em particular todos os fiéis a participarem nas Missas em reparação pelos pecados do racismo, a recitarem o Rosário pela cura dessa chaga e a pedirem a intercessão dos Santos que lutaram pela igualdade racial, como São Pedro Claver e Santa Katharine Drexel.

“Reafirmamos o valor daqueles cuja vida e dignidade no país são marginalizadas pelo racismo e pela necessidade de lutar também em defesa da vida dos nascituros”, diz o comunicado, recordando as fortes palavras proferidas pelo reverendo King em seu histórico discurso de 18 de agosto.

"Indignação" pelo ocorrido em Kenosha também foi expressa em 26 de agosto pelo Conselho Nacional de Igrejas, que em nota também recorda a morte de outros afro-americanos pelas mãos da polícia, a última delas apenas um dia antes dos ferimentos em Blake, em Lafayette, quando foi morto Trayford Pellerin.

“As notícias sobre esses trágicos acontecimentos são desmoralizantes e nos levam a nos perguntar quando tudo isso irá acabar?”, lê-se na nota publicada do site do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). “Estamos cansados, mas não o bastante para desistir de nossa batalha por mudanças e justiça”, continua o comunicado, que destaca a urgência de reformar a polícia nos Estados Unidos e mudar seu treinamento.

“O fato de que essas injustiças continuem após meses de fortes protestos contra as mortes de George Floyd, Breonna Taylor e Ahmaud Arbery e muitos outros, indica o quão arruinados estão nossos sistemas e quanto trabalho ainda precisa ser feito para acabar com o racismo, a supremacia branca, os preconceitos inconscientes”, conclui o Conselho Nacional de Igrejas.

Vatican News Service - LZ

28 agosto 2020, 18:23