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Hotel Imperial, em Jerusalém,  é um dos imóveis envolvido no litígio Hotel Imperial, em Jerusalém, é um dos imóveis envolvido no litígio  (AFP or licensors)

Decisão de Tribunal sobre propriedades greco-ortodoxas ameaça status quo, dizem Igrejas

A venda de propriedades do Patriarcado Greco Ortodoxo à organização de colonos judeus Ateret Cohanim ocorreu em 2004, o que provocou protestos e descontentamento na comunidade cristã greco-ortodoxa, levando à deposição do Patriarca Irineu I pelo Santo Sínodo, sob a acusação de alienação indevida de propriedades do Patriarcado.

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O controle das propriedades da igreja em Jerusalém pelos colonos judeus é visto pelos cristãos na Terra Santa como uma ameaça ao status quo e uma "tentativa sistemática" de minar a integridade da Cidade Santa.

Uma declaração conjunta dos patriarcas e líderes das Igreja em Jerusalém condena a recente decisão do Tribunal Distrital de Jerusalém, que novamente rejeitou as evidências apresentadas pela Igreja Greco-Ortodoxa sobre o chamado caso “Jaffa Gate”, uma batalha legal que há 14 anos procura anular o arrendamento de três propriedades dessa Igreja nas proximidades do Porta de Jaffa a um grupo de colonos "que busca aumentar ainda mais a presença judaica em Jerusalém".

"Não vemos esse caso – lê-se no documento - como uma mera disputa de propriedade. Vemos a ação de grupos radicais querendo assumir o controle das propriedades no Portão de Jaffa como uma tentativa sistemática de minar a integridade da Cidade Santa, obstruir o caminho do peregrino cristão e enfraquecer a presença cristã em Jerusalém.”

Em seu compromisso de salvaguardar o status quo histórico dos Lugares Santos e os direitos das Igrejas que são universalmente reconhecidos, os chefes das Igrejas e comunidades cristãs em Jerusalém apoiam “firmemente” os esforços da Igreja Greco-Ortodoxa em seu pedido de Justiça. "Preocupa-nos a recente decisão do Tribunal Distrital de Jerusalém, que rejeitou as provas apresentadas pela Igreja Greco-Ortodoxa no caso", afirma o comunicado.

 

"Apelamos ao governo de Israel para que aja com o objetivo de salvaguardar a integridade da herança cristã e o patrimônio na Cidade Velha, bem como os Lugares Santos e os direitos dos moradores do Bairro Cristão de Jerusalém", afirmam.

A declaração conjunta das Igrejas de Jerusalém, explica que este caso não afeta apenas a Igreja Greco-Ortodoxa e suas propriedades, mas também representa um risco para a coexistência pacífica entre as comunidades pelas quais Jerusalém é conhecida.

“São lugares que mais de dois bilhões de cristãos em todo o mundo veem como o coração de sua fé; que milhões de peregrinos cristãos visitam todos os anos; e em que os cristãos locais vivem sua fé".

A Suprema Corte decidiu na semana passada que não havia razão para intervir em uma decisão do Tribunal de Jerusalém de 2017, que decidiu a favor do direito da organização de colonos judeus de arrendar três propriedades da Igreja em uma localização privilegiada na Cidade Velha de Jerusalém.

O contrato imobiliário assinado em 2004 por três empresas ligadas à organização de colonos Ateret Cohanim, havia sido impugnado pela Igreja, que argumentou que tal contrato havia sido assinado por um funcionário corrupto que não estava autorizado a fazê-lo. No entanto, o Tribunal decidiu que a Igreja não havia fornecido provas suficientes de que as negociações foram feitas de maneira fraudulenta.

 Em 2005, quando o negócio se tornou conhecido, foram realizados protestos de palestinos e cristãos, o que levou à saída do Patriarca Irineos I e o início dessa batalha legal encerrada com a recente decisão da Suprema Corte, última instância a qual recorreu a Igreja Greco-Ortodoxa para impugnar a precedente decisão.

As propriedades incluem os hotéis Petra e Imperial e uma antiga residência muçulmana localizada ao lado do Porta de Jaffa, uma das sete principais entradas da Cidade Velha de Jerusalém e considerada a maneira mais direta de chegar ao bairro cristão.

A declaração assinada por 13 patriarcas e arcebispos das diferentes Igrejas cristãs de Jerusalém, liderada pelo próprio patriarca greco-ortodoxo Theophilos III, pelo patriarca armênio-ortodoxo Nourhan Manougian e pelo arcebispo Pierbattista Pizzaballa, administrador apostólico do Patriarcado Latino, entre outros, conclui com o palavras do profeta Amós: "Mas, antes, que jorre a equidade como uma fonte e a justiça como torrente inesgotável” (Amós 524).

Vatican News - ATD

08 julho 2020, 07:21