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Sexta-feira Santa em Amritsar Sexta-feira Santa em Amritsar  (AFP or licensors)

Em aumento episódios de violência contra cristãos na Índia

O modus operandi é quase sempre o mesmo: depois que uma multidão, acompanhada pela polícia local até um encontro de oração começa a gritar slogans e espancar homens, mulheres e crianças, os pastores são presos pela polícia sob falsa acusação de conversões forçadas.

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A violência contra os cristãos na Índia não para. Nem mesmo a propagação da pandemia de coronavírus e o isolamento imposto nacionalmente para contê-la, conseguiram levar alívio aos cristãos.

Segundo um relatório semestral do United Christian Forum (UCF) - organização cristã interdenominacional em Nova Délhi, que luta pelos direitos da minoria cristã, principalmente por meio de protestos – foram registrados 121 episódios de violência em 5 Estados no primeiro semestre do ano, com a perda de duas vidas, e 95 ataques registrados no país. As igrejas invadidas foram frequentemente ocupadas ou lacradas ilegalmente.

"Ninguém deveria ser perseguido por causa de sua fé", disse o presidente do UCF, Michael Williams, em comunicado divulgado em 13 de julho. "É preocupante ver esses horríveis atos de mobocracia que continuam mesmo depois de uma série de indicações da Suprema Corte ao governo". "A e a administração local, responsáveis ​​pela ordem pública - acrescentou o líder cristão - devem agir rapidamente contra qualquer pessoa envolvida nas violências".

O UCF - que juntamente com a Alliance Defending Freedom India, Religious Liberty Commission of EFI e Christian Legal Association conseguiu reabrir 19 igrejas e libertar 28 párocos, sob fiança ou absolvidos de falsas acusações - explicou que os incidentes revelam como a liberdade de praticar a própria fé diminuiu em 15 dos 28 Estados indianos e acrescentou que nenhum partido político está adotando uma postura forte contra esses atos de violência.

Cresce a tendência de não registrar queixa – os primeiros relatórios informativos (FIR) - contra os autores das violências, a ponto que somente 20 dos 121 incidentes ocorridos tenham sido registrados.

O modus operandi é quase sempre o mesmo: depois que uma multidão, acompanhada pela polícia local até um encontro de oração, começa a gritar slogans e espancar homens, mulheres e crianças, os pastores são presos pela polícia sob falsa acusação de conversões forçadas.

Infelizmente, os dados do UCF mostram que a violência contra os cristãos está em constante aumento. O número de incidentes registrados em 2014 foi inferior a 150, quase 200 em 2015, mais de 200 em 2016, mais de 250 em 2017, chegando a 300 em 2018. Já em 2019, foram registrados 328 incidentes envolvendo violência.

"Não se trata mais de fé", concluiu Michael. "Trata-se do direito constitucional de viver de maneira respeitosa, de levar uma vida pacífica e de deixar que também outros vivam a sua. O UCF, cujo principal objetivo é lutar pelos direitos humanos, continuará a lutar por isso".

Vatican News Service - AP

 

15 julho 2020, 13:14