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O caso envolve cerca de 1.400 iraquianos residentes nos Estados Unidos, alguns dos quais foram atingidos por medidas de deportação, impostas após serem julgados por cometer crimes. O caso envolve cerca de 1.400 iraquianos residentes nos Estados Unidos, alguns dos quais foram atingidos por medidas de deportação, impostas após serem julgados por cometer crimes.  

"Desumana e imoral" expulsão de iraquianos dos EUA, diz Patriarcado Caldeu

A operação de repatriação forçada de cidadãos iraquianos residentes nos EUA ganhou impulso com o acordo sancionado entre o governo Trump e o governo de Bagdá, que havia aceitado acolher um certo número de cidadãos iraquianos submetidos à ordem de expulsão dos EUA, a fim de remover o Iraque da lista negra de países afetados pela chamada "Muslim Ban”.

Cidade do Vaticano

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O Patriarcado caldeu, liderado pelo cardeal Louis Raphael Sako, acompanha com preocupação o desdobramento da história de iraquianos residentes de longa data nos Estados Unidos, que são enviados de volta ao seu país de origem porque ainda não receberam os documentos necessários para obter a cidadania estadunidense ou porque acusados de cometer crimes.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, 20 de julho, o Patriarcado caldeu definiu essa medida ordenada pela Administração dos EUA como uma forma de deportação "desumana e imoral", porque atinge pessoas que residem nos EUA há muitos anos, às vezes forçadas a se separar de sua família ou levar consigo para o Iraque filhos nascidos nos Estados Unidos que não falam árabe, expondo toda a família ao risco de isolamento social e à falta de trabalho e meios de subsistência.

O posicionamento patriarcal, divulgado pelos canais oficiais do Patriarcado Caldeu, faz votos que a Administração dos EUA repense tal medida e proteja os direitos e a tranquilidade familiar dos iraquianos, vítimas potenciais das medidas de expulsão.

Na quinta-feira, 2 de julho, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou a ação um grande grupo de iraquianos que pedia o cancelamento das medidas de expulsão emitidas contra eles pelo sistema judicial dos EUA, com o consequente retorno forçado ao Iraque. 

O caso envolve cerca de 1.400 iraquianos residentes nos Estados Unidos, alguns dos quais atingidos por medidas de deportação, impostas após serem julgados por crimes cometidos. Muitos deles, em petições enviadas para não serem submetidos às ordens de expulsão, alegaram que o repatriamento forçado ao Iraque os exporia ao risco de sofrer "tortura e perseguição".

Até alguns anos atrás, eram os próprios governos iraquianos a se opor ao repatriamento forçado de seus concidadãos residentes nos EUA, atingidos por medidas de deportação. A situação mudou a partir junho de 2017, devido às novas regras de imigração implementadas pelo governo Trump.

Tais regras também levaram à prisão, em junho de 2017, de 114 iraquianos por ordens da Immigration and Custom Enforcement (ICE, a agência federal dos EUA responsável pelo controle da segurança nas fronteiras e da imigração).

Nas semanas seguintes, o juiz de Detroit, Mark Goldsmith, bloqueou temporariamente a potencial deportação de cristãos caldeus e outros imigrantes iraquianos, mostrando que também os casos penais e judiciais apresentados pela polícia como motivação para as ordens de expulsão, eram na realidade casos "adormecidos", espanados quando necessário, sob pretexto evidente.

Na realidade, mesmo antes das tentativas de resistência legal apresentadas pelo juiz Goldsmith, a operação de repatriação forçada de cidadãos iraquianos residentes nos EUA ganhou impulso graças ao acordo sancionado entre o governo Trump e o governo de Bagdá, que havia aceitado acolher um certo número de cidadãos iraquianos submetidos à ordem de expulsão dos EUA, a fim de remover o Iraque da lista de países afetados pela chamada "Muslim Ban”, proibição anunciada pelo presidente Donald Trump de impedir o acesso aos EUA para cidadãos provenientes de seis países de maioria muçulmana, considerados potenciais "exportadores" de terroristas.

(GV - Agência Fides)

21 julho 2020, 12:59