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Em Lagos, na Nigéria, protesto contra o estupro contou com o apoio da "Coalizão de Homens Contra o Estupro" Em Lagos, na Nigéria, protesto contra o estupro contou com o apoio da "Coalizão de Homens Contra o Estupro"  (ANSA)

Em aumento casos de estupro na Nigéria. "Ato bárbaro e criminoso", diz Dom Kaigama

Na Nigéria, o estupro não costuma ser denunciado. Algumas vítimas e suas famílias, temendo ser estigmatizadas, extorquidas pela polícia e sem confiança no processo judicial, optam por não denunciar os casos às autoridades.

“Os crescentes casos de odioso crime de estupro são assustadores. A cultura do estupro é tão repugnante e reprovável quanto desumanizante", disse em 21 de junho o arcebispo de Abuja, Dom Inácio Ayau Kaigama.

“O estupro provoca um trauma psicológico indescritível na vida das vítimas. O estupro não é somente um ato gravemente pecaminoso, mas também um ato extremamente bárbaro e criminoso". "Esperamos que os autores de tais crimes hediondos sejam severamente punidos pela lei e finalmente libertados do espírito maligno que os leva a cometer crimes sexuais horríveis", acrescentou.

"Os crimes sexuais ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e prejudicam a comunidade dos fiéis", disse o prelado nigeriano, convidando os nigerianos, em particular os cristãos, a “ajudar a restaurar nosso mundo doente, que perdeu o senso de pecado".

O aumento dos casos de estupro contra mulheres na Nigéria nas últimas semanas provocou protestos em algumas áreas do país e o lançamento nas redes sociais da hashtag #WeAreTired, para pedir uma ação urgente e justiça para as vítimas.

Entre 28 de maio e 1º de junho, duas estudantes universitárias, Uwaila Vera Omozuwa, 22, e Barakat Bello, 18, foram violentadas e mortas em dois ataques sexuais separados.

"O estupro e a morte dessas duas jovens não são eventos aleatórios, mas são o ápice de práticas culturais insanas", disse por sua vez o grupo Women Against Rape in Nigeria (Mulheres Contra o Estupro na Nigéria), em uma petição apresentada ao Parlamento.

Muitos nigerianos criticam o sistema judicial que, segundo eles, dificulta a condenação de homens acusados ​​de estupro, que acaba se invertendo para acusações difamatórias contra as vítimas de violência sexual.

Na Nigéria, o estupro não costuma ser denunciado. Algumas vítimas e suas famílias, temendo ser estigmatizadas, extorquidas pela polícia e por não terem confiança no processo judicial, optam por não denunciar os casos às autoridades.

Em 2019, na capital federal Abuja, algumas mulheres presas durante uma batida policial acusaram os policiais de as  terem violentado. Os dados sobre o número de casos notificados são muito limitados, mas uma pesquisa nacional sobre violência contra as crianças na Nigéria, realizada em 2014, revelou que uma em cada quatro mulheres sofreu violência sexual na infância, sendo que em cerca de 70% delas tal violência foi cometida mais de uma vez. Somente 5% das vítimas pediu ajuda e apenas 3,5% delas foram atendidas.

Os governadores dos 36 Estados da Nigéria também declararam estado de emergência para estupro e outras violências de gênero contra mulheres e crianças.

(LM - Agência Fides)

24 junho 2020, 11:05