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Arcebispo de Washington reprova instrumentalização de local de oração e paz

João Paulo II "não aprovaria o uso de gás lacrimogêneo e de outros instrumentos destinados a silenciar, dispersar ou ameaçar essas pessoas somente para a oportunidade de uma fotografia diante de um local de oração e de paz”, diz o prelado.

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“Desconcertante e reprovável que qualquer instituição católica aceite ser manipulada e que dela seja feito mal-uso para violar nossos princípios religiosos, que pelo contrário, nos chamam a defender os direitos de todas as pessoas, mesmo aquelas com as quais podemos não estar de acordo. O Papa São João Paulo II foi um fervoroso defensor dos direitos e da dignidade dos seres humanos. Seu legado é um testemunho vivo dessa verdade. Ele certamente não aprovaria o uso de gás lacrimogêneo e de outros instrumentos destinados a silenciar, dispersar ou ameaçar essas pessoas, somente para a oportunidade de uma fotografia diante de um local de oração e de paz”.

Essa foi a dura condenação do arcebispo de Washington DC, Dom Wilton D. Gregory, à visita do presidente Donald Trump ao Santuário nacional João Paulo II. A polícia usou a força e gás lacrimogênio para afastar manifestantes e permitir a visita. O mandatário estadunidense já havia sido criticado por líderes religiosos pelo uso inadequado de um símbolo religioso, ao segurar a Bíblia por longos minutos diante da Igreja Episcopal São João, localizada no outro lado da rua da Casa Branca, ao mesmo tempo em que tecia elogios ao uso esmagador da força por parte da polícia na repressão aos protestos.

Pax Christi: concentremo-nos na justiça para George Floyd

 

"Não se deveria julgar o que está acontecendo em alguns dos protestos, mas o que aconteceu com os negros neste país repetidas vezes, e especialmente a anti-negritude". Estas são as palavras de Bob Shine, presidente do Conselho Nacional da Pax Christi EUA, em comunicado divulgado no site da associação, a respeito dos protestos que se espalham pelas cidades de todo o país, após o assassinato de George Floyd por parte de um policial de Minneapolis.

"O que devemos recordar, o que absolutamente não pode ser perdido aqui - diz Shine - é que um homem negro, George Floyd, foi morto por um policial depois de ser preso pelo suposto crime de ter pago com uma nota falsificada de US$ 20. Um homem foi morto quando um policial apoiou seu joelho sobre seu pescoço por quase nove minutos sem ceder, mesmo quando o Sr. Floyd alegou que não podia respirar. Essa cena se repetiu com variantes ao longo de centenas de anos em nosso país. As pessoas de cor enfrentam ameaças letais todos os dias, uma verdade agora inegavelmente visível nas reações da polícia aos protestos".

“Nosso objetivo, e aqui falo em modo particular aos brancos como eu - conclui o presidente do Conselho Nacional da Pax Christi EUA - é fazer todo o possível para impedir que esses crimes se repitam. A atenção deveria ser voltada à justiça por aqueles que foram mortos."

Notícias do Vaticano - AP

02 junho 2020, 22:10