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Vigília em memória às vítimas dos ataques terroristas na Páscoa de 2018 Vigília em memória às vítimas dos ataques terroristas na Páscoa de 2018  (AFP or licensors)

No Sri Lanka, cresce pressão da Igreja por esclarecimento sobre autoria de atentados

"Recordemos que não houve nenhuma reação, nem mesmo imediatamente após os ataques, em um momento em que as pessoas estavam particularmente feridas espiritual e fisicamente por essa violência. Poderiam ter reagido e não o fizeram: prevaleceu a razão e não os sentimentos. E também agora é assim. Isso acontece por causa daquela atitude cristã de saber perdoar até mesmo aqueles que fizeram algo errado", havia afirmado o cardeal Ranjith em uma entrevista quando da recordação das vítimas dos atentados.

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Cresce no Sri Lanka a pressão da Igreja para que justiça seja feita às vítimas dos sangrentos atentados perpetrados por terroristas islâmicos de 21 de abril de 2019, que mataram pelo menos 260 pessoas, mais da metade delas cristãs.

Um ano após os ataques a três hotéis de luxo e três igrejas - duas católicas e uma evangélica - enquanto fiéis celebravam o domingo de Páscoa, os nomes dos responsáveis ​​permanecem desconhecidos e ainda se aguarda pela abertura de um processo, afirmaram dois sacerdotes que foram testemunhas das tragédias, em uma coletiva de imprensa realizada on-line  no sábado, 2 de maio, devido à quarentena por causa da emergência coronavírus.

"Um ano se passou, mas a justiça ainda não foi feita", reiterou padre Manjula Niroshan, pároco da Igreja de São Sebastião, em Negombo, onde 115 fiéis perderam a vida, incluindo 32 crianças. Às vítimas fatais, somam-se os mais de 500 feridos pertencentes a 313 famílias, 10 dos quais ainda estão acamados e 50 estão sob tratamento, informou o sacerdote citado pela Agência UCA News.

 

Já segundo o padre Jude Raj Fernando, administrador do Santuário de Santo Antônio em Kochchikade (Colombo), onde 51 fiéis morreram, as famílias atingidas pelo ataque ainda estão lutando para sobreviver, enquanto os responsáveis ​​estão à solta. "Continuamos esperando que um dia encontremos justiça em Deus, enquanto aqui a verdade permanece  oculta".

Às vozes dos sacerdotes uniu-se a do cardeal Albert Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo, que nos últimos dias teve um encontro  na capital com o presidente Gotabaya Rajapaksa, para pedir novamente que seja esclarecida a autoria dos atentados reivindicados pelo Estado Islâmico, mas atribuídos a um grupo islâmico radical local. Autoridades de segurança cingalesas negligenciaram na véspera dos ataques os alertas de inteligência da Índia sobre a existência de possíveis atentados.

A Conferência Episcopal há muito pede às autoridades do Sri Lanka que crie uma comissão independente de inquérito para levar os culpados à justiça. Até agora, a polícia prendeu 135 suspeitos, mas o início de um julgamento ainda está longe de ocorrer.

Neste meio tempo, a Igreja no Sri Lanka recebeu 516 milhões de rúpias como compensação (cerca de 67 milhões de dólares), dos quais 372 milhões foram usados para assistir as vítimas. O restante será usado para ajudá-las a reconstruir um futuro. Ademais, a Igreja ofereceu 228 bolsas de estudos para crianças direta ou indiretamente vítimas dos ataques.

A Igreja de São Sebastião e o Santuário de Santo Antônio foram reabertos para os fiéis neste sábado, 02, mas a Igreja evangélica de Sião ainda passa por reformas, em função dos danos provocados pelas explosões.

03 maio 2020, 07:39