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Conselho permanente dos bispos italianos: esperança para além da emergência

Na reunião do Conselho permanente dos bispos italianos, uma mensagem de solidariedade: “Trazemos no coração os defuntos, aqueles que estão trabalhando para aliviar os sofrimentos das pessoas (médicos, agentes sanitários, sacerdotes). Ao mesmo tempo, olhamos para o pós-pandemia, com um olhar de esperança e de perspectiva”

Cidade do Vaticano

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Um Kairós (tempo de graça, ndr) que marca uma fratura, uma ruptura com o passado, deixando “uma herança preciosa, a nível social e eclesial, da qual repartir com confiança e esperança, fazendo uso de todas aquelas experiências de solidariedade, atenção aos últimos e às pessoas em dificuldades, nascidas da fantasia da caridade das nossas comunidades.”

Junto ao sofrimento e ao luto, também oportunidade e graça

Com a certeza de que a retomada “não será caracterizada pelos ritmos e costumes precedentes à crise”, os bispos italianos participantes na sexta-feira (17/04) em videoconferência (também esta, uma coisa nova, incomum) da sessão primaveril do Conselho episcopal permanente ressaltaram que a pandemia do coronavírus, junto ao sofrimento e ao luto, trouxe consigo também oportunidade e graça.

Da leitura espiritual e bíblica da emergência em andamento, sob a condução do presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Gualtiero Bassetti, nasceram perguntas que exigem respostas. “Se é verdade que ninguém sabe como será o novo início, também é verdade que se está em caminho”, lê-se no comunicado final.

Três lições

O comunicado destaca três lições: a primeira “diz respeito à sobriedade, à essencialidade, à simplificação”; a segunda “chama em causa o ser Igreja e a capacidade projetual”, ou seja, “aquele olhar que permite ir além da emergência do tempo presente”; a terceira “é a grande lição sobre o valor da vida que inclui a doença e a fragilidade”.

A proposta é que esses temas sejam retomados nas Conferências episcopais regionais para depois poder aprofundá-los na próxima sessão do Conselho permanente, programado para setembro próximo. Por sua vez, de 16 a 19 de novembro se realizará a assembleia geral, adiada por causa da crise sanitária atual (estava prevista para realizar-se de 18 a 21 de maio).

O pós pandemia com olhar de esperança e de perspectiva

A reunião teve início com uma mensagem de solidariedade: “Trazemos no coração os defuntos, aqueles que estão trabalhando para aliviar os sofrimentos das pessoas (médicos, agentes sanitários, sacerdotes). Ao mesmo tempo, olhamos para o pós-pandemia, com um olhar de esperança e de perspectiva”.

Foi expresso um pensamento de proximidade ao vigário geral do Papa para a Diocese de Roma, cardeal Angelo De Donatis, ainda convalescente em casa depois do internamento no hospital (após ter sido acometido pela Covid-19, a doença causada pelo novo cocornavírus).

Interlocução da Igreja com instituições governamentais

“A Igreja está presente”, afirmam os bispos: nestes dias a experiência de fé foi “força moral”, um “propulsor” que deu energia e fez brotar a “criatividade” necessária para animar as várias inciativas espirituais e pastorais.

A Igreja, evidencia-se na nota, “sempre esteve presente e continuará presente”, inclusive na interlocução com as instituições governamentais “para definir um percurso menos condicionado ao acesso e às celebrações litúrgicas para os fiéis em vista da nova fase que se abrirá após 3 de maio”, data em que deverá acabar a fase atual de isolamento social imposta pelo governo em todo o território nacional italiano.

(fonte L’Osservatore Romano)

18 abril 2020, 13:31