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Menina estereliza as mãos em restaurante em Ouagadougou, Burkina Faso Menina estereliza as mãos em restaurante em Ouagadougou, Burkina Faso  (ANSA)

Burkina Faso: cardeal faz apelo por uma onda de solidariedade internacional

Segundo os pesquisadores, o impacto de uma epidemia semelhante àquela observada na Europa, teria um efeito devastador nessa região. A maior parte dos países da região possui menos de cinco leitos hospitalares para cada dez mil habitantes (Itália e Espanha têm valores de 34 e 35 para cada dez mil) e menos de dois médicos para cada dez mil habitantes (Itália e Espanha têm 41).

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"Do fundo do meu coração de pastor, gostaria de fazer um grande apelo por uma grande onda de solidariedade, quer em nível local, como regional e internacional, em favor dos pacientes de Covid-19. Há uma urgente necessidade de meios adequados para salvar as muitas vidas humanas afetadas! "Um dedo não colhe farinha", ensina a sabedoria africana. Então, vamos nos unir para afastar de nosso país e do mundo, esta terrível praga que gera consequências tão graves".

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O apelo é do cardeal Philippe Nakellentuba Ouédraogo, arcebispo de Ouagadougou, Burkina Faso, que recém recebeu alta da Clínica Les Genets, na capital, onde foi hospitalizado com Covid-19 no final de março.

Gratidão

 

“A situação provocada pela pandemia causou problemas no âmbito da saúde, socioeconômico, cultural e espiritual, e isso se aplica a todos. Assim, como discípulos de Cristo, reiteramos o ato de confiança do apóstolo Pedro: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens palavras de vida eterna!" (João, 6, 68)”, afirma o purpurado em uma mensagem dirigida a sua diocese e a seus amigos cristãos e não cristãos, e publicada no site da Conferência Episcopal do país.

"Uma grande multidão, próxima ou distante, de fiéis, pais, amigos e conhecidos (católicos, muçulmanos, protestantes e seguidores da religião tradicional, autoridades políticas e administrativas)  expressaram sua proximidade: por telefone, por meio de mensagens, às vezes dando conselhos sobre como curar minha doença ou até organizando novenas de orações por mim", diz o cardeal Ouédraogo.

 

"Diante de todas essas expressões de solidariedade e compaixão, ofereço de bom grado esse momento de provação e, acima de tudo, minha oração diária por qualquer pessoa que esteja doente de Covid-19 ou sofra de outras doenças, para pôr um fim à morte de pessoas inocentes perpetradas pelas forças do mal, pela reconciliação, justiça e paz em Burkina Faso”.

Ao apresentar as diretrizes da Igreja burkinabé para combater a propagação do Covid-19, os bispos haviam assegurado "acompanhar com atenção a propagação de infecções e doenças por todo o mundo e no país", cientes de sua "responsabilidade de proteger o povo de Deus e os cidadãos, colaborando com o governo".

 "Não é hora de polêmica ou psicose - enfatiza -, mas do rigoroso cumprimento por todos nós das instruções fornecidas pelas autoridades competentes em nosso país".

 Epidemia semelhante à verificada na Europa teria um efeito devastador na região

 

Na África subsaariana, onde, segundo a ONU, 76 milhões de pessoas têm necessidade da ajuda de organizações humanitárias para viver, a pandemia complica ainda mais o trabalho de ONGs que ajudam pessoas já vulneráveis.

No Níger e Burkina Faso, voos que transportavam pessoal humanitário foram suspensos após ataques jihadistas. De acordo com uma pesquisa conduzida pela London school of hygiene and tropical medicine e publicada na revista "Lancet", a epidemia de Covid-19 que afeta Burkina Faso e Senegal é de uma "particular preocupação", porque em ambos os países os casos "poderiam evoluir para um quadro semelhante ao observado em países europeus com as maiores epidemias”, como Itália e Espanha.

Segundo pesquisadores, o impacto de uma epidemia semelhante à atualmente observada na Europa teria um efeito devastador nessa região. A maior parte dos países da região possui menos de cinco leitos hospitalares para cada dez mil habitantes (Itália e Espanha têm valores de 34 e 35 para cada dez mil) e menos de dois médicos para cada dez mil habitantes (Itália e Espanha têm 41).

Os pesquisadores explicam que a epidemia chegou "mais tarde" na África Ocidental do que em outras regiões do mundo, "devido ao tráfego aéreo internacional limitado".

(L'Osservatore Romano)

19 abril 2020, 07:12