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Poloneses em casa para conter a difusão do Covid-19 Poloneses em casa para conter a difusão do Covid-19  (AFP or licensors)

Polônia: Igreja é fonte de esperança e contra “profetas do pessimismo” que espalham medo

Uma nota da Comissão para a Doutrina da Fé dos bispos poloneses alerta sobre os “autoproclamados profetas do pessimismo” que se aproveitam da emergência do Covid-19 para espalhar medo e desespero. A Igreja, então, é chamada a ser “sacramento de esperança” e fonte de conforto das pessoas diante do sofrimento e da dúvida da pandemia.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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A Comissão para a Doutrina da Fé da Conferência Episcopal da Polônia, através de uma nota sobre a pandemia do coronavírus, faz um alerta contra os autoproclamados profetas que, neste momento de grande dificuldade, distribuem “receitas simples e ingênuas”. O documento é assinado pelo presidente, o arcebispo Stanisław Budzik, e pode ser acessado no site oficial do Episcopado.

No texto, a Comissão enfatiza como, além de uma reação espontânea de medo diante do perigo, exista também “um fenômeno negativo de medo indutivo artificial, gerado pelos modernos profetas do pessimismo”, que anunciam o fim apocalíptico do mundo e a presumível hora da punição de Deus.

O erro desses autoproclamados profetas é falar sem direito em nome de Deus, promovendo “receitas simples e ingênuas para mudar a situação”, interpretando a Providência como uma intervenção mecânica e imediata de Deus ao chamado do homem. Existe, assim, o perigo concreto de manipular Deus, de testá-lo. Na nota, os bispos afirmam que o homem não pode ser um juiz, acusar Deus. Percorrendo esse caminho ilusório “nunca irá encontrar uma resposta satisfatória à questão sobre o significado do sofrimento”.

A missão da Igreja

A Igreja, então, nesta emergência sanitária, é chamada a ser “sacramento de esperança”, enfatiza a nota. Deve redescobrir a sua missão que é aquela de proclamar Cristo como fonte de esperança, conforto e fortalecimento, num mundo afetado pelo sofrimento e pela dúvida, contra a ameaça de um desespero destrutivo. A Igreja deve mostrar o seu rosto materno e misericordioso e se preocupar em tornar mais forte a esperança no coração das pessoas que lutam contra a pandemia.

Enfim, a Comissão Episcopal, diante das restrições à liberdade de movimentos e reuniões – necessárias para combater a epidemia e dolorosas para os fiéis que não podem ter acesso direto à Eucaristia e aos sacramentos da Igreja, recorda: é possível se conectar espiritualmente com Cristo eucarístico através das transmissões feitas pela TV, rádio e internet. Convida, enfim, a desfrutar desse momento tão difícil para redescobrir a prática da oração em família e de rezar o terço todos os dias.

02 abril 2020, 12:11