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Coronavírus. Bispos da Guatemala: Deus jamais nos abandona

“Como discípulos de Jesus, é tempo de fazer reviver em nossos corações a confiança que professamos em Deus, que como o bom Pai jamais nos abandona. A Quaresma nos convida a elevar os olhos para a Paixão de Jesus que, carregando a Cruz, partilha a nossa situação de dor e de angústia, e abre o caminho para a esperança com a alegria da sua Ressurreição”: escrevem os bispos em carta aos fiéis face à emergência causada pela epidemia coronavírus

Cidade do Vaticano

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“E não só. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança uma virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

Com essas palavras extraídas da Carta aos Romanos (Rm 5, 3-5), os bispos da Guatemala iniciam uma carta aos fiéis do país centro-americano publicada no site do Episcopado e que contém uma reflexão sobre o momento difícil que todo mundo está vivendo por causa da emergência sanitária em andamento causada pela epidemia do coronavírus.

Quaresma, tempo de Graça

“Assumimos com responsabilidade e como cidadãos as disposições emanadas pelo governo, que em grande parte condicionaram nossas atividades diárias, sociais, religiosas, laborais e familiares – lê-se –, a experiência que estamos vivendo adquire um significado particular no tempo da Quaresma, tempo de Graça que deveria ser utilizado para uma atitude mais atenta ao chamado de Deus através de Seu Filho Jesus para buscar a comunhão com Ele e com nossos irmãos.”

Como o bom Pai, Deus jamais nos abandona

Os bispos escrevem também que o medo e o desespero nestes momentos são atitudes humanas que podem causar crises sociais e de fé: “Como discípulos de Jesus, é tempo de fazer reviver em nossos corações a confiança que professamos em Deus, que como o bom Pai jamais nos abandona. A Quaresma nos convida a elevar os olhos para a Paixão de Jesus que, carregando a Cruz, partilha a nossa situação de dor e de angústia, e abre o caminho para a esperança com a alegria da sua Ressurreição”.

Famílias, oportunidade de reforçar-se como 'Igreja doméstica'

A ausência da celebração eucarística comunitária é certamente um problema, “todavia, o Espírito de Deus nos faz viver em comunhão com nossas famílias, que hoje têm a oportunidade de reforçar-se como ‘Igreja doméstica’ em que o cuidado com a vida é assumido com responsabilidade, sobretudo em relação aos mais frágeis, como nossos anciãos e nossas crianças”.

Gratidão dos bispos aos profissionais da saúde

Ao reiterar seu compromisso unido ao dos sacerdotes e dos agentes pastorais no acompanhamento ao povo de Deus com a Eucaristia e na oração através da mídia, os bispos expressam também sua gratidão aos responsáveis pelos vários serviços de medicina e saúde que, diante dessa calamidade, acolhem e cuidam dos mais atingidos.

Por outro lado, expressamos repreensão e preocupação por todas aquelas ações deploráveis que prejudicam todo o povo e que denunciam pecados muito graves, como a usurpação de bens e os aumentos injustificados dos preços.

O testemunho e a intercessão dos mártires

Por fim, ao pedirem a proteção de Maria, unindo a própria voz à do Papa Francisco, os bispos concluem recordando que o povo da Guatemala viveu no passado momentos difíceis e provações em sua história, provações que enfrentou “com paciência e com a firmeza da fé”. “Muitos irmãos demonstraram um testemunho de fidelidade a ponto de dar a vida, como mártires. Eles nos convidam às atitudes de Jesus e nos acompanham com sua intercessão”.

18 março 2020, 12:48