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Christus vivit, ter ao lado um anjo da guarda

Um ano depois do Sínodo sobre os jovens, moças e rapazes de todo o mundo se confrontam com a "Christus vivit", a Exortação apostólica do Papa Francisco. Em uma passagem ele escreve: "Os jovens precisam ser respeitados em sua liberdade, mas também precisam ser acompanhados". De Malta, Jeanine fala da importância de estar ao lado dos jovens. Ter um tutor, diz ela, pode ajudar especialmente se a vida reserva mais escuridão do que luz.

Christus vivit

(parágrafos 242-247)

 

O acompanhamento pelos adultos

242. Os jovens precisam de ser respeitados na sua liberdade, mas necessitam também de ser acompanhados. A família deveria ser o primeiro espaço de acompanhamento. A pastoral juvenil propõe um projeto de vida baseado em Cristo: a edificação duma casa, duma família construída sobre a rocha (cf. Mt 7, 24-25). Para a maioria deles, esta família, este projeto concretizar-se-á no matrimónio e na caridade conjugal. Por isso, é necessário que a pastoral juvenil e a pastoral familiar tenham uma continuidade natural, trabalhando de maneira coordenada e integrada para poder acompanhar adequadamente o processo vocacional.

243. A comunidade desempenha um papel muito importante no acompanhamento dos jovens, e toda a comunidade se deve sentir responsável por acolhê-los, motivá-los, encorajá-los e estimulá-los. Isto implica que se olhe para os jovens com compreensão, estima e afeto, e não que sejam julgados continuamente ou lhes seja exigida uma perfeição que não corresponde à sua idade.

244. No Sínodo, «muitos destacaram a carência de pessoas especializadas e dedicadas ao acompanhamento. Acreditar no valor teológico e pastoral da escuta implica repensar a renovação das formas com que, habitualmente, se expressa o ministério presbiteral e verificar as suas prioridades. Além disso, o Sínodo reconhece a necessidade de preparar consagrados e leigos, homens e mulheres, qualificados para o acompanhamento dos jovens. O carisma da escuta, que o Espírito Santo suscita nas comunidades, poderia obter também uma forma de reconhecimento institucional para o serviço eclesial».[132]

245. Além disso, é preciso acompanhar de modo especial os jovens que se apresentam como potenciais líderes, para poderem formar-se e preparar-se. Os jovens, que se reuniram antes do Sínodo, pediram que se desenvolvam «programas de liderança juvenil para a formação e desenvolvimento contínuo de jovens líderes. Algumas jovens notam uma falta de figuras femininas de referência dentro da Igreja, para a qual desejam, elas também, contribuir com os seus dons intelectuais e profissionais. Achamos ainda que seminaristas e religiosos, com maioria de razão, deveriam ser mais capacitados para acompanhar os jovens líderes».[133]

246. Os mesmos jovens descreveram-nos as caraterísticas que esperam encontrar num acompanhador; e fizeram-no muito claramente. «Estes guias deveriam possuir algumas qualidades: ser um cristão fiel comprometido na Igreja e no mundo; uma tensão contínua para a santidade; não julgar, mas cuidar; escutar ativamente as necessidades dos jovens; responder com gentileza; conhecer-se; saber reconhecer os seus limites; conhecer as alegrias e as tribulações da vida espiritual. Uma qualidade de primária grandeza é saber reconhecer-se humano e capaz de cometer erros: não perfeitos, mas pecadores perdoados. Acontece frequentemente que os guias são colocados num pedestal e por isso, quando caem, provocam um impacto devastador na capacidade que os jovens têm de se comprometer na Igreja. Os guias não deveriam levar os jovens a serem seguidores passivos, mas sim a caminhar ao seu lado, deixando-os ser os protagonistas do seu próprio caminho. Deveriam respeitar a liberdade do processo de discernimento de um jovem, fornecendo-lhe os instrumentos para realizar adequadamente este processo. Um guia deveria confiar sinceramente na capacidade que tem cada jovem de participar na vida da Igreja. Por isso, um guia deveria cultivar as sementes da fé nos jovens, sem pressa de ver os frutos do trabalho que vem do Espírito Santo. Este papel não deveria ser circunscrito aos presbíteros e aos religiosos, mas também o laicado deveria poder exercê-lo. Todos estes guias deveriam poder beneficiar duma boa formação permanente».[134]

247. Sem dúvida, as instituições educacionais da Igreja são um ambiente comunitário de acompanhamento que permite orientar muitos jovens, sobretudo quando «procuram acolher todos os jovens, independentemente das suas opções religiosas, proveniência cultural e situação pessoal, familiar ou social. Desta forma, a Igreja presta uma contribuição fundamental para a educação integral dos jovens nas mais diversas partes do mundo».[135]Reduziriam indevidamente a sua função, se estabelecessem critérios rígidos para a admissão de estudantes ou para a sua permanência, porque privariam muitos jovens dum acompanhamento que os ajuda a enriquecer a sua vida.

05 dezembro 2019, 12:00