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Cardeal Sandri na Terra Santa Cardeal Sandri na Terra Santa 

Cardeal Sandri visita lugar do Batismo de Jesus

Também o rio Jordão foi o cenário das comemorações do 800º aniversário do encontro entre Francisco e o sultão al-Kamil, acontecimento recordado num convênio em Jerusalém e do qual o Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, foi um dos conferencistas.

Silvonei José - Jerusalém

Na manhã de ontem, quarta-feira, depois de ter falado sobre a atualização do significado do encontro entre São Francisco e o Sultão no Magistério e nos gestos do Papa Francisco, o Cardeal Sandri visitou, junto com o Custódio da Terra Santa, frei Francesco Patton e alguns franciscanos, o lugar que recorda o Batismo de Jesus nas margens do rio Jordão; Qasr Al-Yahud. É ali que as ruínas de uma capela do século IX foram descobertas em 1950.

Depois de sua chegada, o cardeal Sandri recebeu as explicações sobre o lugar do frei Eugenio Alliata, Diretor do Museu Terra Sancta. No lugar onde Jesus recebeu seu batismo de São João Batista, houve um momento de oração: as leituras da Sagrada Escritura e a bênção do cardeal Sandri. Depois de uma visita às margens do Jordão.

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Falando com a Rádio Vaticano, VaticanNews sobre a importância de um lugar como esse e da visita do cardeal Sandri, o custódio frei Patton afirmou que a “importancia vem do fato que este lugar é o local do batismo de Jesus e é de propriedade da Custódia da Terra Santa e esteve praticamente fechado por 50 anos por ser um campo minado. Desde 1967, até o ano passado foi um campo minado. Depois que foi feito todo o trabalho de bonifica, de limpeza, agora pode ser um lugar de acolhida dos fiéis, dos peregrinos.

Mas quando se bonifica um terreno, se tira a minas, para mim – contiuou o frei Patton -, “é sempre um evento, porque um lugar que indicava um conflito, as minas são algo de terrível, um campo minado pode se tornar um campo de paz, um campo de oração, um campo de encontro para os peregrinos. É muito bonito hoje o fato que venha aqui o cardeal Sandri, nesta visita, no âmbito do 8º centenário do encontro de São Francisco com o sultão al-Kamel, e isso também é um sinal, um sonho que se realiza, essa capacidade de ousar, de esperar, de ter paciência, de pedir, e isso faz com que esse lugar, provavelmente já no próximo mês de janeiro seja capaz de acolher os peregrinos para a celebração da festa do Batismo de Jesus. E aqui poderemos celebrar, e aqui os peregrinos poderão ver a margem do rio Jordão da parte da Jordânia e a margem da parte cisjordâniana da Terra Santa.

Padre Patton fala também de que lado do Jordão Jesus foi batizado: “segundo a narração de João, João Batista batizava do outro lado do Jordão, e provavelmente isso tinha un significado simbólico, purificar-se para depois poder entrar com uma dignidade nova na Terra Prometida, quase como refazendo o caminho do êxodo. Para nós, estarmos de um lado ou do outro da margem do Jordão não importa, é evidente que este lugar, no conjunto, recorda o momento inicial do ministério público de Jesus, que é um momento no qual Jesus se manifesta de fato, como Filho de Deus, mas também, nos diz o Evangelho de João, como o Cordeiro de Deus que toma sobre si os pecados do mundo. Portanto, é o momento em que compreendemos que o mistério da encarnação, é um mistério de solidariedade. O Filho de Deus que se fez homem, para assumir sobre si mesmo tudo o que torna menos humana a nossa vida.

Sobre o que significa para os franciscanos poderem celebrar a Santa Missa num lugar como esse o frei Francesco Patton afirma que é “restabelecer o fio da tradição. Sempre nestes anos celebramos ao longo das margens do rio Jordão, utilizando outro lugar, pois possuimos outro local ao longo do rio, mas claramente esse era o lugar onde tradicionalmente era destinado à acolhida dos peregrinos da parte nossa. Portanto, poder recuperar este lugar, este santuário significa para nós, um passo ulterior, também no desempenhar a missão que a Igreja nos confiou, que também é a missão, não só de custodiar os santuários, mas também de recuperar os santuários, restaurar os santuários e fazer de modo que os santuários sejam lugares abertos aos fiéis, para que os fiéis possam aprofundar a sua fé”.

Nesta quinta-feira um dos momentos mais esperados do evento por ocasião dos 800 anos do encontro de Francisco com o Sultão do Egito, a visita e o encontro com Muhammad Ahmad Hussein, Gran Mufti de Jerusalém, dentro dos espaços da Mesquita de Al-Aqsa e depois, à tarde, a celebração do Trânsito de São Francisco, que abrirá as celebrações da festa do Santo.

Amanhã sexta-feira, o cardeal Sandri celebra a Missa Solene na festividade de São Francisco na Igreja de São Salvador.

03 outubro 2019, 08:00