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Igreja Ortodoxa russa festeja a Transfiguração com a bênção das maçãs

Na festa da Transfiguração, a Igreja Ortodoxa recorda a "metamorfose" do paganismo aos cristianismo. A bênção das maçãs é vista como uma "correção do pecado original", como uma "nova criação", uma fonte de contínua inspiração na Rússia de ontem e de hoje.

Em 19 de agosto, segundo o calendário ortodoxo e com grande participação popular, foi celebrada a festa da Transfiguração, também chamada a festa do "Salvador das Maçãs".

Bênção das maçãs: correção do pecado original

 

Os russos, de fato, receberam à sua maneira a tradição dos gregos, que  atribuíam a festa também à “metamorfose”  do paganismo ao cristianismo, substituindo as bacanais da colheita da uva por maçãs.

Com efeito, na Rússia antiga, o licor popular era um hidromel feito à mão no campo; a vodka foi introduzida somente por Pedro, o Grande, no século XVIII, importada dos Bálticos após a conquista de seus territórios.

O poeta Shmelev, em uma famosa composição, explica a bênção das maçãs como uma "correção do pecado original", em que o fruto proibido foi a causa da queda de Adão e Eva. A bênção das maçãs é como uma "nova criação", uma fonte de contínua inspiração na Rússia de ontem e de hoje.

A Transfiguração na tradição russa

 

A popularidade da "luz tabórica" ​​criou raízes na Rússia como um sinal de renascimento, sobretudo após a longa noite do "jugo tártaro". São testemunho disto os extraordinários ícones de Teófanes, o Grego, e de Andrej Rublev,  no início do século XV, assim como muitos outros ícones sobre o mesmo tema, antigos e novos, e as tantas igrejas russas dedicadas justamente à Transfiguração.

Não somente igrejas, mas também praças, ruas e vilarejos carregam o título do Preobrazhenie, como é chamada em russo a revelação de Jesus aos discípulos Pedro, Tiago e João.

Muito famoso é o primeiro navio de assalto com 66 canhões, chamado justamente de Preobrazhenie Gospodne, que no final do século XVIII se cobria de glória sob as ordens do lendário contra-almirante Ushakov. O mais antigo regimento da guarda imperial, protagonista de muitos eventos da história russa, que reunia a elite da aristocracia, chamava-se Preobrazhenskij Polk.

A Transfiguração foi exaltada por muitos poetas russos, incluindo cantores da revolução como Blok e Esenin, que também viram nas mudanças sociais uma "transformação" espiritual. O maior escritor russo Lev Tolstoj, descreve a alma russa na "transfiguração" de Natasha Rostova, a protagonista feminina de Guerra e Paz.

Patriarca Kirill e as celebrações em São Petersburgo

 

Atualmente, na festa da Transfiguração, recita-se o moleben de ação de graças a Deus "pelos dons da terra", como fez o próprio patriarca Kirill (Gundjaev) ao presidir a liturgia da Vigília na Catedral de Nossa Senhora de Kazan, em São Petersburgo, sua cidade natal.

A Catedral, construída no século XIX com o pórtico imitando o de São Pedro, em Roma, também foi "transfigurada" e restituída ao culto após as décadas de sacrilégio do regime soviético, quando foi transformada no Museu do Ateísmo.  

O patriarca sublinhou que desejou celebrar precisamente em Kazanskaja para magnificar o milagre do renascimento espiritual da Rússia nos últimos anos.

Já no dia da festa, Kirill presidiu o rito na Catedral do Salvador Transfigurado, também em São Petersburgo, onde recordou os 265 anos de sua consagração. De fato, trata-se de uma das poucas igrejas que sempre permaneceu aberta, mesmo após a revolução, e onde o então jovem Kirill celebrava como monge e mais tarde como bispo.

Na Catedral está preservado o ícone venerado por Pedro, o Grande, o "Salvador não pintado por mão humana", abençoado pelo patriarca, em memória do mesmo czar reformista.

(Com Asia News)

20 agosto 2019, 16:39