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Venezuelanos atravessam a fronteira com a Colômbia Venezuelanos atravessam a fronteira com a Colômbia  (AFP or licensors)

Maduro não sabe e não consegue governar o país, diz cardeal Urosa

Em uma Exortação Pastoral que não recebeu resposta do governo venezuelano, os bispos pediam a saída "de quem exerce o poder de forma ilegítima", assim como "a eleição no menor tempo possível de um novo presidente da República."

Griselda Mutual - Cidade do Vaticano

A Assessoria de Imprensa da Conferência Episcopal da Venezuela fez referência à entrevista do arcebispo emérito de Caracas Dom cardeal Urosa Savino à ACI Prensa, em que denuncia o governo de Nicolás Maduro como “violador dos direitos humanos” e exige que ele deixe o poder para permitir que os graves problemas da Venezuela sejam resolvidos.

Relatório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos confirma denúncias dos bispos

Na entrevista, o arcebispo emérito de Caracas afirma que o relatório da Alta Comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, de 4 de julho, “confirma as críticas e denúncias feitas pelos bispos venezuelanos há vários anos.”  Um informe, diz o cardeal, que "revela e desmascara a realidade do atual governo venezuelano, como violador dos direitos humanos".

Maduro deve deixar o poder

 

O cardeal Urosa também recorda o documento divulgado pelos bispos ao final de sua Assembleia Geral Ordinária, em que, entre outras coisas, indicam a necessidade de Nicolás Maduro “abandonar o poder que ocupa de fato.” "Já em janeiro deste ano - acrescentou  - havíamos indicado a ilegitimidade da pretensão de Maduro de continuar governando a Venezuela"

"Em julho, pela primeira vez, indicamos a necessidade de ele deixar o poder para permitir uma mudança de governo para resolver os graves problemas enfrentados pelo povo venezuelano". “Chegamos a essa decisão pela convicção de que Maduro não tem capacidade de guiar o país. Simplesmente não consegue fazer isso”, disse o cardeal.

“Venezuela está em ruínas”

 

Da mesma forma - disse a assessoria de Imprensa da CEV - "assegurou que a Venezuela está em ruínas":

“A inflação absolutamente descontrolada; não há luz, não há água, não há gás ou gasolina; não há dinheiro, papel moeda; não há comida ou os preços estão nas nuvens; não há medicamentos, nem peças de reposição para veículos ou máquinas. Simplesmente Maduro não sabe e não consegue governar.”

Ademais, continuou o cardeal Urosa, o governo de Maduro “violou sistematicamente os direitos humanos dos venezuelanos. É por isso que, como eu disse em repetidas declarações desde abril deste ano, Maduro deve sair.”

Situação dos presos políticos clama ao céu

 

Em relação aos direitos humanos, o cardeal destacou a situação dos presos políticos, "alguns dos quais morreram sob custódia do governo, em circunstâncias que indicam a responsabilidade de funcionários do Estado".

"Há prisioneiros militares e civis sujeitos a isolamento e violação de direitos, como o deputado Edgar Zambrano e outros", denuncia Urosa.

“Recentemente ele foi assassinado logo  depois de sofrer torturas por vários dias em uma instalação militar, o capitão de corveta  Rafael Acosta Arévalo. Isso clama ao céu, deve cessar imediatamente e deve ser severamente punido por lei ”.

Exortação Pastoral dos Bispos sem resposta

 

O cardeal na entrevista – acrescenta a Assessoria  de Imprensa da CEV  - diz ainda que “por vários anos, nem Hugo Chávez nem Nicolás Maduro responderam às nossas mensagens, nem mesmo quando, há algum tempo, com a melhor boa vontade, enviamos opiniões e conselhos para resolver os problemas da população".

"Esporadicamente eles responderam a algumas declarações com alguns ataques, porém não à nossa Exortação Pastoral de 11 de julho."

Gratidão aos países irmãos

 

O pensamento do arcebispo emérito de Caracas também foi para os países irmãos, como o Peru, que recebeu tantos venezuelanos que foram forçados a emigrar.

Aos migrantes, expressou sua solidariedade e fazendo um  chamado “à fortaleza, para enfrentarem a difícil situação em que se encontram”, e também um chamado à “esperança”: “que se aproximem mais de Deus que irá ajuda-los a superar as dificuldades atuais.”

23 julho 2019, 17:12