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Laudato Si', Carta encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum Laudato Si', Carta encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum  (AFP or licensors)

Bélgica. Laudato si', apelo dos bispos em defesa do planeta

Diante do risco de extinção em breve tempo de centenas de milhares de espécies animais e vegetais, é somente “através de uma mudança radical, em todos os níveis, local e mundial”, que “se pode alimentar a esperança de inverter a tendência”, afirmam os bispos belgas

Cidade do Vaticano

“É possível fazer muito!” Esse foi o convite, extraído da Carta encíclica do Papa Francisco Laudato si’, relançado pelos bispos da Bélgica num texto publicado recentemente, intitulado “Uma estação da criação – preparar um futuro para a terra e todos os seus habitantes”.

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1º de setembro, Dia de oração pelo cuidado da criação

O Santo Padre quis que 1º de setembro seja Dia mundial de oração pelo cuidado da criação e que o mês de setembro seja considerado um tempo dedicado à proteção do ambiente, recordam os prelados. O mesmo deve ser ocasião, segundo a Conferência Episcopal Belga, para expressar, junto a todas as Igrejas cristãs, a vontade de aprofundar e traduzir em ações concretas a vocação de “guardiães da criação de Deus”.

“Os bispos da Bélgica recordam que mais do que nunca, o contexto atual nos impele a prestar grande atenção ao apelo da encíclica Laudato si’ a unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral.”

A questão ecológica toca a nossa fé cristã, ressaltam os prelados. O Papa fala em “conversão ecológica, que comporta o deixar emergir todas as consequências do encontro com Jesus nas relações com o mundo que o circunda” (Laudato si’, 217).

Somente mudança radical poderá inverter tendência

Do mesmo modo do Santo Padre, os bispos denunciam as várias atitudes que dificultam a busca de soluções, inclusive entre os fiéis, “da negação do problema à indiferença, à resignação cômoda, ou a confiança cega nas soluções técnicas” (Laudato si’, 14).

Outro obstáculo, acrescentam, consiste no ter medo, “medo ligado às incertezas de uma mudança radical, ou medo de uma eventual redução do nível de vida confortável da nossa sociedade, que consideramos como algo adquirido, apesar da sua repercussão nos ecossistemas e a vida das populações do Sul”.

Diante do risco de extinção em breve tempo de centenas de milhares de espécies animais e vegetais, é somente “através de uma mudança radical, em todos os níveis, local e mundial”, que “se pode alimentar a esperança de inverter a tendência”, afirmam os bispos.

Até 2050, eliminação das emissões de dióxido de carbono

No final de 2018 um grupo intergovernamental de especialistas sobre o clima advertiu que para limitar o aumento das temperaturas a 1,5º, como previsto pelo Acordo de Paris, são necessárias mudanças drásticas em todos os setores e que as emissões de dióxido de carbono provocadas pelo homem devem diminuir em cerca de 45% até 2030, para ser depois totalmente eliminadas em 2050.

“Nossos governos nos próximos cinco anos têm uma exigente responsabilidade – comentam os prelados – visto que os próximos cinco anos são a metade do arco de tempo previsto para reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono.”

Em 23 de setembro de 2019 os dirigentes do mundo inteiro se encontrarão em Nova York para um grande encontro de cúpula das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas que busca estimular, nos mais altos níveis políticos, o apoio a uma ação urgente sobre o clima .

Igreja convida a elaborar propostas ambiciosas e corajosas

Por conseguinte, a Igreja convida insistentemente a “elaborar propostas ambiciosas e corajosas, na Bélgica como no âmbito da União Europeia, para salvaguardar as gerações atuais e futuras”.

As crianças e os jovens “temem com razão essa ameaça que recai sobre o futuro deles”, observa ainda a Conferência episcopal. Há vários meses, milhares de jovens lançaram um movimento pelo clima, a fim de que os repetidos alarmes dos especialistas se traduzam em políticas eficazes e equânimes sobre o ambiente.

Escolhas políticas não criem novas pobrezas

E as organizações de combate à pobreza não deixam de chamar a atenção a fim de que essas escolhas políticas sobre o clima não criem novas pobrezas ou desigualdades, mas sejam, ao invés, instrumento de inclusão dos grupos vulneráveis na transição rumo a um futuro climático duradouro.

“Segundo os bispos é insuficientemente ressaltado o aspecto positivo e portador de esperança de uma transição que poderia levar a uma nova prosperidade, para o bem-estar de todos os povos da terra.”

Isso será possível, defendem eles, “se nós eliminarmos a pobreza, transformarmos a economia, protegermos a natureza e vivermos nos limites ecológicos de um planeta sadio. Trata-se de uma perspectiva próspera de futuro e realizável segundo o parecer dos especialistas que indicaram os instrumentos para alcançar esse resultado”.

Bispos encorajam a progredir na conversão ecológica

Os bispos propõem ações concretas, encorajando todos a “progredir na conversão ecológica e viver segundo a ‘sobriedade feliz’”.

Daí, o convite lançado a paróquias, associações, e organizações e instituições a “intensificar seus esforços elaborando um plano climático para construir novos edifícios ecológicos com drástica redução das emissões de monóxido de carbono, e incluindo a preocupação com o cuidado da criação em todos os aspectos da vida da comunidade”.

Reconhecer os sinais dos tempos

Os bispos belgas concluem com um apelo a reconhecer os sinais do nosso tempo, como Jesus nos pediu:

“Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Vem chuva’, e assim acontece. E quando sopra o vento do sul, dizeis: ‘Vai fazer calor’, e isso sucede. Hipócritas, sabeis discernir o aspecto da terra e do céu; e por que não discernis o tempo presente?” (Lc 12, 54-56).

(L’Osservatore Romano)

18 julho 2019, 15:54