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Procissão dos mártires em Uganda (2016) Procissão dos mártires em Uganda (2016) 

Dia dos Mártires Ugandenses: exemplo das promessas de Cristo

No dia dedicado aos mártires ugandenses, a Igreja recorda a memória dos Santos Carlos Lwanga e Companheiros. Canonizados em 1964 por Paulo VI, Pio X e Bento XV já haviam ficado muito tocados pela "sabedoria e firmeza de espírito."

Emanuela Campanile - Cidade do Vaticano

Sua história é de amor ao Evangelho, conversão e coragem. Estamos no final do século XIX, na região africana de Buganda - atualmente o maior dos reinos tradicionais que permaneceram na Uganda moderna.

O rei do território era Mwanga II, que para preservar seu poder, persegue com ferocidade católicos, anglicanos e muçulmanos. E é neste contexto que se insere a história dos Santos Carlos Lwanga e Companheiros, canonizados por Paulo VI em 1964, e cuja memória é celebrada neste dia 3 de junho, no Dia dedicado ao Mártires Ugandenses.

O Santuário no local do martírio

 

Em 28 de novembro de 2015, durante a sua Viagem Apostólica a Uganda, o Papa Francisco celebrou a Eucaristia no Santuário de Namugongo, construído no local do martírio. Vinte e dois são os pilares sobre os quais a igreja foi construída, pois vinte e dois é o número dos mártires ugandenses alí assassinados.

Na homilia de Francisco, assim são descritas as vidas desses jovens, entre os quais também alguns fiéis anglicanos, queimados vivos:

“Hoje lembramos, com gratidão, o sacrifício dos mártires ugandeses, cujo testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja chegou, justamente, até «aos confins do mundo». Recordamos também os mártires anglicanos, cuja morte por Cristo dá testemunho do ecumenismo do sangue. Todas estas testemunhas cultivaram o dom do Espírito Santo na sua vida e, livremente, deram testemunho da sua fé em Jesus Cristo, mesmo a preço da vida, e vários deles numa idade muito jovem. (…). Vidas marcadas pela força do Espírito Santo, vidas que ainda hoje testemunham o poder transformador do Evangelho de Jesus Cristo. Não tomamos posse desta herança com uma comemoração passageira ou conservando-a num museu como se fosse uma jóia preciosa.”

O renascimento da Igreja na África

 

Já em 1993, João Paulo II havia visitado o Santuário de Namugongo, confirmando que o sacrifício daqueles mártires havia "acelerado o renascimento da Igreja na África". Mas o exemplo de Carlos e seus companheiros, foi colhido pela primeira vez pelo Papa Bento XV, que os proclamou Beatos em 1920, trinta e quatro anos após seu sacrifício  cruento (e não cinquenta, como se esperava). Em 1934, Pio XI declara Carlos Lwanga como "Patrono da Juventude Cristã da África".

"Eu te segurarei pela mão. Se devemos morrer por Jesus, morreremos juntos, de mãos dadas (as últimas palavras pronunciadas por Carlos Lwanga a Kizito, que morreu ao seu lado aos 14 anos)."

Um final que questiona

 

Historicamente, a história do rei Mwanga II é um conjunto de ascensões, revoltas, perseguições, quedas, acordos e fugas no período do colonialismo inglês. Mas o que impressiona é a sua morte. Capturado e deportado para as Ilhas Seychelles em 1899, ele teria morrido depois de se converter ao cristianismo. Ele que, mesmo tendo frequentado a escola de missionários (os chamados "Padres Brancos" do Cardeal Lavigerie) para defender o próprio reino da “ameaça” do Evangelho e por consequência também dos próprios hábitos dissolutos, decidiu em 1885 desencadear a perseguição. Nesta verdadeira caçada humana, 200 jovens cristãos foram mortos.

"Estabelecemos, na data 19 de dezembro de 1918, que se poderá legitimamente tratar do martírio e da Causa do martírio, assim como dos indícios e provas miraculosas, embora ainda não transcorridos cinquenta anos do massacre dos Veneráveis Servos de Deus (Papa Bento XV)."

 

 

03 junho 2019, 11:43