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Féretro do cardeal Nasrallah Sfeir em Beirute, Líbano Féretro do cardeal Nasrallah Sfeir em Beirute, Líbano  (ANSA)

O Líbano despede-se do cardeal Sfeir

No Líbano grande dor pela morte do cardeal Nasrallah Boutros Sfeir, Patriarca emérito de Antioquia dos Maronitas, que faleceu no domingo, 12 de maio a quase 99 anos. Na manhã desta quinta-feira (16/5), o cardeal Leonardo Sandri presidiu a Missa em sufrágio do Patriarca falecido, à tarde o solene funeral

Cidade do Vaticano

Na manhã desta quinta-feira (16/5), o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais presidiu uma Missa em sufrágio do Patriarca Sfeir emérito de Antioquia dos Maronitas na sede patriarcal de Bkerké. Na sua homilia, o purpurado disse que o Patriarca sempre desejou a paz e a reconciliação para os cristãos e os muçulmanos do Líbano, rezando que o país possa continuar a ser “uma mensagem de diálogo e convivência” como dizia João Paulo II. Na parte da tarde, o funeral oficial com a presença de autoridades políticas e religiosas e de milhares de pessoas, ligadas por estima e gratidão principalmente pelo seu trabalho de pacificação durante a guerra no Líbano.

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Cardeal Sfeir: homem de diálogo

O cardeal Leonardo Sandri, falou ao Vatican News sobre as homenagens do povo libanês ao cardeal falecido.

"É uma procissão incessante de fiéis, de todas as classes sociais – pobres, ricos, todos  - que vêm homenagear este pastor. Acredito que se possa dizer que o cardeal Sfeir era antes de tudo um homem de Deus. Todas as ruas aqui em Beirute – as avenidas e as ruas laterais - estão atapetadas por cartazes com o rosto do cardeal, sua fotografia, que manifestam o luto pela sua morte. Mas há um detalhe que me comoveu particularmente: um grande outdoor onde se vê o cardeal sorrindo, assim como ele era – um sorriso tranquilo, pessoa muito modesta – com um Terço nas mãos. Obviamente não o vi morto no caixão, com o Terço nas mãos, mas o que eu quero dizer é que este homem levou a experiência de Deus a todo o povo do Líbano. Era uma pessoa que caminhava muito, mesmo com 90 anos, fazia longas caminhadas – com exceção dos últimos tempos – mas certamente era naqueles momentos que conversava com Deus, e esta era a sua força, porque foi um homem da Igreja, um pastor; visitou todas as paróquias e todos os fiéis".

"O cardeal Sfeir levou adiante a vida da igreja maronita durante todo o período da guerra no Líbano, que como sabemos foram anos e anos de atentados e de violências, mortes e destruições. Quando o Papa João Paulo II veio visitar o país (em 1997) parecia que a guerra tinha terminado, logo depois foi realizado um sínodo especial para o Líbano, um sínodo dos bispos para o Líbano onde surgiu a famosa frase de João Paulo II: “O Líbano não é um simples país, mas é uma mensagem”. Naquela fase o protagonista foi sempre, por parte da igreja maronita, o Patriarca Nasrallah Sfeir. Portanto entendi muito mais o porquê de tanta homenagem, de tanta gratidão por parte do povo que quer manifestar a sua proximidade ao Patriarca e a toda a igreja maronita. Além disso foi um homem que levou ao diálogo com os muçulmanos, com todas as instituições da sociedade civil, com o poder político; foi um homem de encontro com o diálogo – e como eu disse na homilia – justamente no sentido de todas as coisas que nos ensina o querido Pai, Papa Francisco". 

16 maio 2019, 16:49