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Bispos do Uruguai, foto de arquivo Bispos do Uruguai, foto de arquivo 

Bispos do Uruguai: tempo de eleições, tempo de esperança

Em vista das eleições no país, os bispos do Uruguai lançaram um comunicado no qual convidam o povo a viver na esperança o período que precede o voto e pedem aos líderes políticos lealdade e respeito recíproco. O texto refere-se também aos valores fundamentais para o bem comum

Cidade do Vaticano

"Os uruguaios vivem felizes na democracia e amam a liberdade". Assim inicia a mensagem que os bispos católicos do Uruguai escreveram aos cidadãos e pastores, com o desejo de contribuir à reflexão em curso no país neste período que precede o voto presidencial de 27 outubro de 2019. O comunicado foi lançado no final da Assembleia Plenária realiza em Florida e no qual os bispos falaram também sobre o recente encontro no Vaticano sobre a tutela dos menores e do Congresso eucarístico nacional previsto para 2020.

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A política, forma preciosa de caridade

A mensagem é intitulada Tempo de eleições, tempo de esperança. “A Igreja Católica não se compromete com nenhum partido – esclareceram os prelados – mas encoraja o compromisso político dos leigos católicos, conscientes de que a política é uma das formas mais preciosas de amor, porque busca o bem comum”. Os bispos referem-se à atualidade do país que apresenta luzes e sombras. Apesar de ainda registrar uma forte emigração dos jovens uruguaios, observam os bispos, muitos homens e mulheres chegam ao Uruguai, inteiras famílias que abandonam sua pátria por falta de segurança ou situação difícil. Somos “um povo de coração”, escrevem os bispos, recordando as palavras de São João Paulo II na sua visita ao Uruguai.

Suicídios e baixa taxa de natalidade

Porém, não faltam sintomas de males que alarmam. Um destes é o grande número de suicídios, outro é a baixa taxa de natalidade. A consciência coletiva é de que “algo” está errado e é necessário fornecer meios para superá-lo. E é por isso que os pastores evidenciam alguns elementos fundamentais “que, segundo a visão cristã da existência e a doutrina social da Igreja, deveriam estar presentes no discernimento das opções eleitorais”.

Alguns pontos fundamentais: família, vida nascente, educação

Primeiramente os bispos reafirmam o valor da vida humana desde a concepção até a morte natural. E mesmo compartilhando o sofrimento de tantas mulheres, indicam claramente a incompatibilidade deste valor com o alto número de abortos realizados no país. Sublinham também a presença das mulheres como “um grande sinal de esperança para tempos melhores” e escrevem que sustentam “suas justas pretensões”. Portanto a atenção deve ser dada à família “fundamento da nossa sociedade”. Em seguida observam que apesar do apoio do Estado às família, principalmente os núcleos mais vulneráveis, há em ato uma tentativa de difundir “uma visão da pessoa e da sexualidade finalizada à ‘desconstrução’ da família, que equivale à sua destruição”. Neste caso incluiria a apropriação por parte do Estado do direito-dever da educação das crianças, substituindo-se aos pais, “para dar-lhes desde cedo uma visão distorcida da sexualidade, do matrimônio e da família. O Uruguai está sendo submetido a uma autêntica “colonização ideológica” denunciam os bispos.

Apesar da melhora, ainda há muita precariedade econômica

Com relação à economia os bispos escrevem que “embora os indicadores da situação econômica tenham melhorado nos últimos anos e o impulso dado às políticas redistributivas tenham criado condições para reduzir o número de famílias em condições de pobreza, ainda há setores que não tiveram acesso a um teor de vida mais digno”. Portanto deve-se dar mais atenção ao trabalho e ao desemprego e também às condições de trabalho com adaptação às mudanças oferecidas pela tecnologia. Entrando em detalhes, o mundo rural “merece particular atenção pelas consequências do despovoamento dos campos”. Enfim os bispos recomendam o cuidado do meio ambiente que é uma necessidade para a sobrevivência.

Aos líderes: transparência e respeito

A mensagem da Conferência Episcopal do Uruguai conclui com um desejo manifestado pelos jovens do país em outubro de 2018 por ocasião do 35º aniversário da volta da democracia. “Os líderes políticos devem agir de modo transparente”, pediam os jovens, “para que o povo possa viver mais uma vez um período eleitoral em paz, caracterizado principalmente pelo compromisso dos seus protagonistas em respeitar-se reciprocamente”, para um Uruguai “mais justo e mais livre”.

 

08 abril 2019, 10:22