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Fiéis na Missa presidida pelo Papa no Zayed Spor City Stadium Fiéis na Missa presidida pelo Papa no Zayed Spor City Stadium  (ANSA)

Milhares de fiéis participam das celebrações em Abu Dhabi

São muitos e provenientes de diversos lugares os fiéis que fazem adoração a Jesus Eucarístico, e que participaram depois da Missa em Coena Domini, nos ritos da Sexta-feira Santa. O depoimento direto de Abu Dhabi, do padre Bernardo Cervellera, diretor de Agência Asianews

Gabriella Ceraso - Cidade do Vaticano

No pátio da Catedral de São José, em Abu Dhabi, os fiéis são realmente muitos. Ali o Papa Francisco esteve na primeira etapa do seu último dia da Viagem Apostólica aos Emirados Árabes Unidos, para uma visita privada a esta que é uma duas únicas igrejas católicas na cidade. Foi no dia 5 de fevereiro, ocasião para o Pontífice recolher-se em oração antes de celebrar a histórica Missa no Centro Esportivo Zayed, na presença de 180.000 pessoas

Esperança em Cristo: justiça social e respeito pelos direitos

 

Padre Bernardo Cervellera, missionário do PIME e diretor da Agência de notícias Asia News, está entre os fiéis de Abu Dhabi nestes dias e contou ao Vatican News na Sexta-feira Santa como a Semana Santa está sendo vivida pelo "pequeno rebanho" de católicos: uma participação também com grandes sacrifícios, vivida com o silêncio diante do Tabernáculo, a Eucaristia compartilhada por uma multidão de diferentes rostos e etnias, todos chamados a ser, como disse o Papa na homilia de 5 de fevereiro passado, "oásis de paz", "testemunhas humildes e caridosas de Jesus".

O padre Cervellera também enfatizou o significado da Páscoa para os fiéis de Abu Dhabi: "a esperança é a palavra-chave”:

R. - É algo impressionante ver como todas as pessoas em um país que é totalmente islâmico, em um país com leis islâmicas, encontram tempo, a hora da oração para se afastar do trabalho, o dia das férias, como é hoje que é sexta-feira ou como em outros dias, pedindo horas de descanso, para participar das celebrações, Missas ou simplesmente da Adoração! Esta manhã, às cinco horas, já havia uma enorme fila para poder ter um momento, apenas um momento diante do Santíssimo Sacramento: é algo realmente impressionante. E isso, por que? Porque a vida, aqui, é toda centrada no trabalho, na eficiência, nos ganhos ... e essas pessoas, muitas vezes de origem humilde, vêm para ter seu momento de silêncio diante do Santíssimo Sacramento. E são de diversas proveniências: encontrei quer ocidentais - italianos, ingleses, escoceses, franceses -, mas também pessoas do Oriente Médio, bem como - na maioria, devo dizer - indianos, filipinos, cingaleses, nepaleses. É uma coisa incrível, porque parece o Apocalipse: uma multidão de raças, povos e línguas que louvam ao Senhor.

Que Páscoa será, na sua opinião, para este pequeno rebanho que o Papa visitou? Precisamente na Catedral de São José Francisco passou antes de  celebrar a Missa no estádio?

R. - Uma Páscoa sem dúvida de esperança. A ressurreição de Jesus é o que essas pessoas mais sentem necessidade de viver. Digamos que a liberdade religiosa que os cristãos têm é dada com um conta-gotas e, portanto, há essa dificuldade. A mensagem do Papa e do Grão Imame de Al Azhar foi uma mensagem, também ela, de esperança, isto é, da possibilidade de construir uma fraternidade entre cristãos e muçulmanos, que é precisamente o que todos desejamos e, quem sabe, também tantas pessoas aqui nos Emirados.... Depois, há todo o problema da esperança no trabalho. Agora a situação não é tão próspera para os Emirados, porque o preço do petróleo baixou por muito tempo e, portanto, há problemas econômicos. Depois há problemas de justiça social, ou seja,  também há situações de violência e de escravidão, de direitos afirmados mas não aplicados. Há a esperança, no entanto, para tudo isso: a questão é que as pessoas não se abatem, mas caminham, trabalham, procuram  ver alguma melhora, de provocá-la e, na minha opinião, essa é a força da ressurreição.

20 abril 2019, 14:06