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Patriarca de Babilônia dos Caldeus, cardeal Louis Raphaël I Sako Patriarca de Babilônia dos Caldeus, cardeal Louis Raphaël I Sako 

Patriarcas: Ocidente é co-responsável por conflitos no Oriente Médio

Em seu discurso, o patriarca Sako recordou as causas do longo período que contribuíram, no século passado, a tornar mais precária a condição das comunidades cristãs do Oriente Médio.

Cidade do Vaticano

Realizou-se em Munique, na Alemanha, a 55ª Conferência internacional não governamental sobre Segurança.

O encontro concluiu-se no último domingo (17/02) e contou com a participação de alguns representantes de governo e também do patriarca de Babilônia dos Caldeus, cardeal Louis Raphaël I Sako, e do patriarca ortodoxo, Mor Ignatius Aphrem II.

Durante o evento, os patriarcas tiveram a oportunidade de participar de encontros bilaterais com representantes políticos de vários países. Participaram também de um painel sobre a condição das comunidades religiosas no Oriente Médio, organizado no último dia 16, pela Fundação Hanns Seidel.

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Ocidente não favoreceu a criação de Estados de direito no Oriente Médio

Em seu discurso, o patriarca Sako recordou as causas do longo período que contribuíram, no século passado, a tornar mais precária a condição das comunidades cristãs do Oriente Médio.

O primaz da Igreja Caldeia, criado cardeal pelo Papa Francisco, lembrou que desde a queda do Império Otomano, as potências ocidentais ocupantes não mostraram nenhuma intenção de favorecer a criação de Estados de direito no Oriente Médio, que garantiriam a todos os cidadãos direitos iguais.

O patriarca destacou o conflito israelense-palestino, como um fator histórico que alimentou o Islã político, e o preconceito (que remonta a eventos históricos distantes no tempo, como as Cruzadas) que rotulam os cristãos do Oriente Médio como “aliados” das políticas e poderes ocidentais no Oriente Médio.

Política ocidental incentivou o conflito no Oriente Médio

Referindo-se à situação específica do Iraque, o patriarca Sako afirmou que os iraquianos experimentaram um verdadeiro caos a partir da queda do regime de Saddam Hussein, em 2003, que causou uma situação de vazio político institucional e o aumento das chagas do sectarismo, da corrupção e da multiplicação de milícias e grupos armados fora de controle das autoridades estatais.

“A instabilidade no Oriente Médio”, ressaltou o patriarca caldeu, “contribuiu ao dilema dos cristãos, por causa da ‘política ocidental’ que fomenta o conflito nessa região, ao invés de promover a democracia e a liberdade”. “Em outras palavras”, acrescentou o patriarca, “os responsáveis ocidentais fizeram de tudo para promover a sua economia e servir seus interesses em detrimento dos nossos países. Por exemplo, controlando o petróleo e outros recursos naturais, assim como a venda de armas para as frentes em conflito”.

Governo de Bagdá não fez nada para o retorno dos deslocados internos

Em relação à emergência na Planície de Nínive e ao desejado retorno das populações cristãs que fugiram daquela área nos anos da ocupação dos jihadistas do Estado Islâmico, o primaz da Igreja caldeia sublinhou que o Governo iraquiano não fez nada para ajudar os deslocados internos a voltar para as suas casas, devido também a práticas corruptas que levam alguns a pedirem dinheiro para a restruturação de casas e igrejas destruídas durante o conflito.

“Sofremos o suficiente”, disse o cardeal Sako, sublinhando que os países do Oriente Médio poderão sair da atual situação de crise, somente se for reconhecida a igualdade de direitos de todo cidadão, se os programas escolares forem corrigidos de toda forma de instigação à discriminação, e se for eliminada “a ideologia da Jihad no Islã ou da Guerra Santa no Cristianismo e outras religiões”.

O cardeal Sako espera que a recente visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos e a publicação do documento sobre a Fraternidade Humana, assinado pelo pontífice junto com Grão Imame de Al Azhar, possam contribuir na eliminação das causas do fanatismo religioso.

Situação na Síria agravada por sanções impostas por alguns países

O patriarca ortodoxo, Mor Ignatius Aphrem II, dedicou o seu discurso à situação na Síria, recordando os dois arcebispos de Aleppo, o greco-ortodoxo Boulos Yazigi e o sírio-ortodoxo Mar Gregorios Yohanna Ibrahim, desaparecidos durante o conflito, em abril de 2013, e lamentando a ausência de representantes do Governo sírio entre os convidados ao encontro sobre a segurança.

O primaz da Igreja sírio-ortodoxa ressaltou que na fase atual, os sofrimentos da população síria, que vive num país devastado pelo conflito, aumentaram por causa da política de sanções internacionais impostas por alguns países contra a Síria.

Participaram também da Conferência internacional de Munique sobre Segurança a chanceler alemã, Angela Merkel, o vice-presidente estadunidense, Mike Pence, e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergej Lavrov.

19 fevereiro 2019, 11:12