Cerca

Vatican News
Patriarca de Babilônia dos Caldeus, no Iraque, Sua Beatitude Louis Raphaël I Sako Patriarca de Babilônia dos Caldeus, no Iraque, Sua Beatitude Louis Raphaël I Sako  (ANSA)

Patriarca Sako: Natal seja dia de festa para todos os iraquianos

O cardeal Sako pede que o dia de Natal se torne festa nacional. “Pedimos que seja aprovada uma nova lei a fim de que ela se torne uma festa oficial no Iraque, especialmente em consideração ao respeito que os irmãos muçulmanos têm por Cristo, cujo nome é mencionado em 93 versos do Sagrado Alcorão”.

Cidade do Vaticano

Que o Natal se torne um dia de festa para todos os iraquianos: é o que pede o patriarca de Babilônia dos Caldeus, no Iraque, cardeal Louis Raphaël I Sako, numa carta publicada à distância de um ano da derrota do autoproclamado Estado Islâmico (EI) no País do Golfo.

Promover a cultura da aceitação do outro

“Por ocasião do aniversário da derrota da organização do Estado Islâmico, congratulamo-nos pela vitória com o povo iraquiano e agradecemos a todas as forças de segurança que contribuíram para a libertação dos territórios do Estado”, lê-se na carta assinada pelo patriarca caldeu publicada no site do patriarcado.

País possa ser testemunha de um verdadeiro renascimento

“Pedimos a Deus misericórdia para as almas dos mártires e a recuperação dos feridos. Pedimos aos amados iraquianos que trabalhem em grupo, que acabem com a cultura de divisão, eduquem o povo para os perigos do extremismo e do terrorismo, promovam a cultura da aceitação do outro, consolidem os valores da paz e da cidadania e favoreçam a coexistência”, exortou o patriarca iraquiano, manifestando “a esperança de que com o novo governo o Iraque possa ser testemunha de um verdadeiro renascimento”.

“Por ocasião da celebração desta grande vitória, e em resposta ao convite dirigido pelo primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, pedimos a nossos fiéis que às nove horas da manhã de segunda-feira tocassem os sinos das igrejas e rezassem pela paz e a estabilidade. Senhor da paz, concedei a paz ao nosso país”, prossegue a missiva.

Apelo aos cristãos: permaneçam no Iraque

Além da referida carta, o site do patriarcado publicou outra mensagem, desta vez endereçada ao presidente do parlamento iraquiano, Mohamed Halboussi, com a qual o cardeal Sako pede oficialmente que o dia de Natal se torne festa nacional.

A festa “é difundida no mundo inteiro, incluindo países como a Jordânia, Síria, Líbano, a região do Curdistão iraquiano e a província de Kirkuk”, lê-se no texto. Por esta razão, “pedimos que seja aprovada uma nova lei a fim de que ela se torne uma festa oficial no Iraque, especialmente em consideração ao respeito que os irmãos muçulmanos têm por Cristo, cujo nome é mencionado em 93 versos do Sagrado Alcorão”.

Uma decisão nesse sentido faria feliz “os cidadãos iraquianos de fé cristã encorajando-os a permanecer no país e a não emigrar, reforçaria o respeito pelas religiões e teria repercussão em nível internacional”, conclui a carta.

Fecunda espiritualidade

Em várias ocasiões o patriarca Sako reiterou a necessidade de desenvolver uma sugestiva e fecunda espiritualidade capaz de sustentar e confortar as pessoas que experimentam o afastamento de suas casas, que vivem a experiência de encontrar-se na condição de exílio, detenção e perseguições e, além disso, vivem a experiência do retorno aos lugares de sua vida ordinária.

Trata-se de uma espiritualidade a ser promovida em todas as comunidades cristãs do Oriente Médio, que nos últimos anos, por causa das guerras e da violência jihadista, foram muitas vezes obrigadas a abandonar os lugares de sua radicação tradicional.

Redescobrir a riqueza das próprias experiências

“Hoje – afirmou o patriarca numa precedente declaração – somos chamados a redescobrir a riqueza dessas experiências, lendo-as atentamente com uma fé profunda, à luz da nossa experiência durante a invasão da Planície de Nínive em agosto de 2014 por parte dos terroristas islâmicos de Daesh”, quando muitos cristãos partilharam a condição de “deslocados, de ter suas casas destruídas e viver durante mais de três anos e meio nos campos de refugiados, além de ter que enfrentar desafios sociais, econômicos, psicológicos, políticos e religiosos”.

Teologia da migração

Após a libertação daquelas áreas, completada em 2017, muitos cristãos deslocados voltaram para suas casas, e estão vivendo agora o tempo da reconstrução e do retorno, com todas as suas complicações.

Num tal contexto “pode ser útil para a vida cotidiana a tentativa de desenvolver uma verdadeira “teologia” da migração, do exílio e do retorno, comparando a própria experiência às narradas na Sagrada escritura, para ajudar todos a ler os sinais dos tempos e viver a virtude teologal da esperança mesmo na condição na qual se encontram, e a não deixar-se sucumbir pela frustração e pelo desespero”.

(L'Osservatore Romano)

14 dezembro 2018, 16:00