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Prémio D. António Francisco atribuído aos Jesuítas pelo apoio aos migrantes e refugiados no Porto

Um ano após a morte de D. António Francisco dos Santos, o Prémio que homenageia o bispo que liderou a diocese do Porto entre 2014 e 2017, reconhece o trabalho da Companhia de Jesus no campo dos migrantes e dos refugiados.

Rui Saraiva – Porto

Na primeira edição do Prémio D. António Francisco as instituições que promovem este galardão, Associação Comercial do Porto, Irmandade dos Clérigos e Santa Casa da Misericórdia do Porto, resolveram reconhecer o trabalho da Companhia de Jesus no campo dos Migrantes e Refugiados no Porto.

Esta iniciativa solidária tem um valor de 75 mil euros e destina-se a apoiar organizações e cidadãos que se distingam na promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz.

Um Prémio para a Companhia de Jesus no Porto

 

Em particular, são galardoados em 2018 os seguintes serviços de apoio a migrantes e refugiados na cidade do Porto:

- o Centro Comunitário São Cirilo que é uma comunidade de inserção criada pelos jesuítas no Porto para acolher e (re)capacitar pessoas e famílias estrangeiras e nacionais a passar por fase temporária de fragilidade social. Desde a abertura oficial, a 4 de Janeiro de 2010,  o Centro já ajudou mais de 6000 pessoas de 113 nacionalidades e conseguiu mais de 300 colocações em emprego;

- o  Centro de Instalação Temporária para migrantes em situação irregular (detenção administrativa), Unidade Habitacional de Santo António (UHSA) da responsabilidade do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no Porto. Este Centro conta com o apoio do Serviço Jesuíta de apoio a Refugiados (JRS) na sequência de um Protocolo de Colaboração entre o Ministério da Administração Interna/ SEF e a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Tem capacidade para alojar trinta adultos e seis crianças e alberga pessoas que receberam uma ordem de afastamento do país por estarem em situação irregular e que aguardam a efetivação da medida.

O padre Luís Ferreira do Amaral, presidente da direção do Centro Comunitário São Cirilo revelou a sua satisfação pelo reconhecimento conferido por este Prémio:

“Foi com grande alegria que nós tomamos conhecimento deste Prémio e serve para confirmação do trabalho no Centro Comunitário São Cirilo. E também por esta causa que é tão atual no apoio a pessoas nacionais, internacionais, migrantes e refugiados. Pessoas que precisam de ajuda. Este Prémio confirma o nosso trabalho” – declarou.

O padre Luís Ferreira do Amaral assinalou ainda que D. António Francisco dos Santos era “um bispo muito querido” na diocese do Porto, pois era alguém “que demonstrava claramente uma preocupação social, com os mais fracos e com os mais pobres”. O sacerdote jesuíta confessou também sentir uma “certa responsabilidade pelo trabalho futuro” que vierem a desenvolver no Centro São Cirilo.

Por sua vez, o trabalho dos jesuítas no âmbito da Unidade Habitacional Santo António, apoiando o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras na tarefa da instalação temporária de migrantes em situação irregular, é desenvolvido pelo Serviço Jesuíta de apoio a Refugiados do qual é diretor em Portugal o Dr. André Costa Jorge:

“Enorme gratidão e reconhecimento pela atribuição do Prémio ao nosso trabalho no Porto no âmbito do acompanhamento que fazemos a migrantes que estão em espaço de detenção administrativa. Um trabalho muitas vezes difícil e silencioso sobre o qual tem sido feita uma reflexão profunda em todo o mundo. Concretamente, em Portugal, temos este trabalho de acompanhamento. É um motivo de grande orgulho” – afirmou.

O diretor do JRS-Portugal, recorda a grande visão cristã e humana de D. António Francisco dos Santos e as suas constantes palavras “que nos desafiavam muito a sermos criativos, a sermos ousados na ação que fazemos” – declarou o Dr. André Costa Jorge acentuando a vulnerabilidade e fragilidade das pessoas migrantes ou refugiadas que vivem uma situação de detenção administrativa.

Um bispo inesquecível

 

A figura de D. António Francisco dos Santos no último ano já foi motivo da atribuição do nome de uma futura ponte sobre o rio Douro que ligará os municípios de Porto e Gaia e também de uma sentida homenagem na sua terra natal com a inauguração de um monumento em sua memória. E tudo isso porque a ação pastoral de D. António Francisco na diocese do Porto foi intensa, próxima e profundamente evangélica.

De entre tantos outros assuntos, ações e iniciativas incansáveis que marcaram o serviço de D. António Francisco dos Santos na diocese do Porto, quatro momentos foram especialmente marcantes: o plano diocesano de pastoral, a visita aos doentes, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima e a Peregrinação Diocesana a Fátima.

A este propósito, recordamos aqui a crónica que foi publicada pelo programa português do Vatican News sobre a última grande etapa do bispo do Porto: a Peregrinação Diocesana a Fátima.

Fátima, a última grande etapa do bispo do Porto

 

A manhã de dia 11 de setembro (2017) foi de dor e tristeza para a diocese do Porto, em Portugal, devido à morte inesperada do seu bispo, D. António Francisco dos Santos. Com 69 anos o seu coração fraquejou e não aguentou. Dois dias antes tinha sido a grande Peregrinação Diocesana a Fátima (9 de setembro 2017).

Foi grande a consternação na diocese e em todo o país: a morte de um bispo em exercício e de forma súbita provocaram profunda comoção. E Fátima, em ano de centenário das aparições, foi a última grande etapa do bispo do Porto.

D. António Francisco, um homem bom, próximo e sempre atento aos mais desfavorecidos, afirmou, na sua mensagem após a recitação do Rosário na Cova da Iria, que Fátima é o lugar do milagre, do silêncio, da santidade e da paz. E dali o bispo do Porto convocou os seus diocesanos para a missão:

“Que este seja o dia e o lugar do milagre para a Igreja do Porto que daqui parte enviada em missão e fortalecida pela proteção e bênção da Senhora de Fátima. Que este seja o dia e o lugar do milagre da alegria de sermos Igreja do Porto a viver em comunhão e mobilizada para a missão” – disse D. António Francisco.

Na Peregrinação Diocesana a Fátima D. António Francisco estava feliz e emocionado, segundo o relato de quem o acompanhou de perto nesse dia. Era uma etapa significativa para o futuro de união e comunhão que ele desejava e que poderia ser o princípio de algo de novo para a diocese do Porto. E, por isso, na sua mensagem final proferida logo após a oração de consagração a Nossa Senhora, D. António Francisco agradeceu o empenho de todos e convocou a diocese para a missão guiados pela bênção de Maria:

“Queridos diocesanos e diocesanas, convoco-vos a partir daqui e desta admirável peregrinação e abençoada jornada para a missão, mas é Jesus, o Enviado do Pai, que vos envia. Igreja do Porto digo-vos aqui como o Papa Francisco nos disse: Temos Mãe! Temos Mãe! Guiados pela sua mão materna e iluminados pelo seu olhar terno, vamos partir rumo ao Porto com a certeza da sua bênção e a garantia da sua proteção. Obrigado, Mãe! Obrigado, Igreja do Porto!”

D. António Francisco dos Santos faleceu no dia 11 de setembro de 2017 no Paço Episcopal da Diocese do Porto vítima de ataque cardíaco. Será sempre lembrado como um homem próximo, amigo e profundamente evangélico. O vencedor do Prémio neste ano de 2018 foram dois serviços de apoio a migrantes e refugiados da Companhia de Jesus.

Laudetur Iesus Christus

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12 setembro 2018, 13:03