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2018.08.08 Udienza Generale 2018.08.08 Udienza Generale  (Vatican Media )

Arcebispo de Palermo: Papa vem trazer a beleza do Evangelho

"O Evangelho chega como um outro poder, na fraqueza da cruz, que porém consegue realmente, até mesmo, provocar medo nos mafiosos”, diz o arcebispo de Palermo Dom Corrado Lorefice, ao comentar a visita do Papa Francisco à Sicília.

Fabio Colagrande – Cidade do Vaticano

“Palermo é uma cidade que tendo visto tanto sangue derramado de tantos homens justos e santos, não pode que esperar com grande emoção a visita do Papa. A maior razão no 25° aniversário de padre Pino Puglisi”.

Foi o que afirmou Dom Corrado Lorefice, arcebispo da capital da Sicília, em entrevista à Rádio Vaticana Italia, a pouco menos de uma semana da visita do Papa Francisco à ilha no sul da Itália.

“O Papa – explica o prelado – vem confirmar que hoje é o tempo oportuno para que se anuncie um Evangelho que se encarna na cidade dos homens como justiça, e sobretudo como energia de um amor que é disposto a dar também a vida”.

O Papa está sempre pronto

 

O arcebispo foi recebido em audiência pelo Papa Francisco na sexta-feira, 7 de setembro. “Encontrei o Papa pronto para visitar a Sicília e Palermo”, explica.

“Ele está sempre pronto: pode ter provações, mas está sempre pronto. O encontrei com o seu coração e suas preocupações, mas sobretudo com um grande desejo de vir a Palermo. Penso que seja a enésima etapa de um itinerário que Francisco está desenhando para a Itália: por assim dizer, dos Alpes às pirâmides, de Mazzolari e Puglisi. Um trajeto ao longo dos lugares de homens, padres, sacerdotes, que anunciaram um Evangelho que – como sempre – não pode ser imediatamente compreendido, mas que é capaz de se tornar realmente companhia dos homens, sobretudo nos desdobramentos históricos mais importantes”.

O Evangelho provoca medo nos mafiosos

 

“No programa que o Papa Francisco irá cumprir na sua visita a Palermo – explica Dom Lorefice – além da Eucaristia no Foro Itálico e do encontro com o clero na Catedral – que dão um claro tom pastoral à visita – a passagem pela missão Esperança e Caridade do irmão Biagio Conte, mas sobretudo a visita a Brancaccio – o bairro onde padre Pino nasceu e morreu em 15 de setembro, há 56 anos – são um sinal particular. Significam que o Santo Padre vem a nós também para indicar uma direção: porque a comunidade cristã  deve estar dentro das vicissitudes da história, lá onde há pobreza e lá sobretudo onde há a concentração de poder. O Evangelho chega, como nos recorda nestes dias a primeira carta aos Coríntios, como um outro poder, na fraqueza da cruz, que porém consegue realmente, até mesmo, provocar medo nos mafiosos”.

O Papa traz a beleza do Evangelho

 

Em 1993, o ano do martírio de Puglisi, foi um ano muito particular para Palermo, e também para a Itália”, recorda o arcebispo de Palermo. “Sobretudo um momento em que a máfia queria também demonstrar a sua força em relação à Igreja. Mata um sacerdote em Palermo. Depois, explode bombas em São João de Latrão e depois em San Giorgio al Velabro, em Roma.

E, no ano sucessivo, mata padre Beppe Diana. Por isto, é claro que a visita do Santo Padre, deste ponto de vista, marca uma renovada tomada de posição em relação a estes poderes ocultos que – sem dúvida – passam a fazer parte da cultura. O Papa vem trazer a beleza do Evangelho que transfigura a vida dos homens na dimensão messiânica. Portanto, para sublinhar valores elevados, não somente evangélicos, mas como nos recorda o Concílio Vaticano, também humanos”.

Atualmente Palermo sabe posicionar-se contra a mentalidade mafiosa

 

“Aqui em Palermo, em 3 de setembro, recordamos Dalla Chiesa; em 19 de julho Paolo Borsellino”, acrescenta Lorefice. “Esta é a cidade em que tantas testemunhas doaram sangue, e o sangue dos mártires frutifica sempre, mesmo no silêncio, como nos recorda o Evangelho. E é esta também a beleza de Palermo: tantos homens mesmo do mundo civil, não somente eclesial, foram fortalecidos por este sangue. E hoje em Palermo, sem sombra de dúvida, há também a capacidade de expor-se, para que a cultura dos valores humanos e a cultura evangélica possa continuar a fazer frente contra a mentalidade criminosa e mafiosa”.

Os predadores da África somos nós

 

“Outro tema desta visita é no entanto o dos migrantes”, reflete Dom Lorefice. “O Papa Francisco fez sua primeira viagem, justamente aqui na Sicília, em Lampedusa. E Palermo está no coração do Mediterrâneo. E quando penso no Mediterrâneo, penso no sonho de Giorgio La Pira que o via como um novo Lago Tiberíades, onde todas as pessoas podem encontrar-se. O único caminho é o do encontro. Devemos preservar um coração humano. No rosto de cada homem, acima de sua cor – e estejamos atentos: somos todos de cor, mesmo o branco é uma cor – os homens devem se encontrar com a sabedoria que nos vem também de nossa visão bíblica: o homem é imagem de Deus e como tal traz consigo o único chamado a ser respeitado e acolhido, com maior razão se este rosto é desfigurado pelo sofrimento e pela opressão que, muitas vezes, fomos nós ocidentais que criamos, fomentamos. Eu ouso dizer uma palavra pesada: os predadores da África somos nós. E se fizermos um pouco de exame de consciência, veremos que ainda hoje o ocidente escraviza estes povos, e portanto devemos assumir as nossas responsabilidade”.

11 setembro 2018, 11:34