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Fórum para a Cooperação China-África, Pequim 2018 Fórum para a Cooperação China-África, Pequim 2018  (ANSA)

Fórum China-África: onde está a Igreja "perita em humanidade"?

Teólogo Pe. Zagore: “Onde está a Igreja da África? Quem se fará sua porta-voz neste encontro tão crucial para o continente? Por que não participa de tais debates que dizem respeito à vida da sua própria população? Sua vocação de ‘perita em humanidade’ limita-se apenas às quatro paredes das igrejas?”

Cidade do Vaticano

“Faz certo efeito ver a maciça participação de chefes de Estado africanos no Fórum para a Cooperação China-África (Focac): trata-se de um verdadeiro record. O destino de milhões de africanos selado por parcerias políticas e econômicas de todo tipo”, afirma o teólogo marfinense da Sociedade das Missões Africanas, Pe. Donald Zagore.

Voz profética da Igreja deve ser ouvida

Comércio, tecnologia, mídia, diplomacia, agricultura, cultura e intercâmbios interpessoais encontram-se entre os setores examinados durante a realização do Fórum para a Cooperação China-África com a parceria de 52 países africanos, a Comissão da União Africana e a República Popular da China.

Ajudas e empréstimos de 60 bilhões de dólares à África

 

O presidente chinês Xi Jinping anunciou ao Fórum para a cooperação China-África ajudas, investimentos e empréstimos aos países africanos num valor de 60 bilhões de dólares. O anúncio foi feito diante das delegações e dos dirigentes de 53 países africanos.

O Fórum concluiu-se em 4 de setembro com a publicação de dois documentos que sintetizam os resultados alcançados: a “Declaração de Pequim” e o “Plano de ação de Pequim”, que ilustram a vontade de aumentar a qualidade e a eficiência da cooperação bilateral.

A Igreja, a grande ausente: quem falará por ela?

 

“É preciso admitir que uma força tão importante do nosso continente como a Igreja resulta ausente a este evento internacional”, continua o teólogo marfinense comentando o evento.

“Onde está a Igreja da África? Quem se fará sua porta-voz neste encontro tão crucial para o continente? Por que não participa de tais debates que dizem respeito à vida da sua própria população? Sua vocação de ‘perita em humanidade’ limita-se apenas às quatro paredes das igrejas?”

“Com sua ausência, dá razão a homens como Wayne S. Peterson, quando defende que aqueles nos quais Cristo hoje se encarna, aqueles que gozam da sabedoria de Deus, não mais se encontram entre os homens da Igreja, mas entre os líderes do mundo político e econômico, aos quais Deus explica seus projetos de reforma mundial? – pergunta-se Pe. Zagore.

Divisão dos poderes não seja pretexto para exclusão da Igreja

 

“A divisão dos poderes políticos e religiosos não deveria de modo algum ser pretexto para a exclusão radical dos religiosos, em particular quando se trata de tomar decisões sobre o destino do povo. A voz profética da Igreja é importante, deve ser ouvida”, insiste o religioso da Sociedade das Missões Africanas.

Atuação preponderante da Igreja em favor dos mais fracos

 

“Na África, a Igreja, mediante projetos sociais em matéria de instrução, saúde, água, ambiente, compromisso em favor dos fracos, os pobres, participa ativamente para a melhoria das condições sociais da população. Permanece presente onde os governos africanos são ausentes ou relutantes, e é o primeiro parceiro dos governos africanos. É trise e surpreendente vê-la ausente de um Fórum de tal magnitude”, conclui o sacerdote.

Fórum, edição precedente

 

O precedente Fórum para a Cooperação China-África realizou-se em Johanesburgo, na África do Sul, em 2015, presidido conjuntamente pelo mandatário chinês Xi Jinping e seu homólogo sul-africano Jacob Zuma (hoje ex-presidente).

(Fides)

10 setembro 2018, 19:38