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Recordados os 30 anos da morte de Dom Proaño, o bispo que "viveu o Evangelho da parte dos indígenas" Recordados os 30 anos da morte de Dom Proaño, o bispo que "viveu o Evangelho da parte dos indígenas" 

Equador. 30 anos da morte de Dom Proaño, bispo das causas indígenas

Dom Proaño iniciou um trabalho significativo e, ao mesmo tempo, árduo e lento para resgatar a dignidade dos indígenas, a fim de que se sentissem pessoas, conhecessem e reconhecessem seus direitos, quer individuais quer coletivos. O bispo foi recordado num Simpósio na capital equatoriana Quito.

Cidade do Vaticano

Concluiu-se no último sábado (25/08) na Universidade Andina Simón Bolivar de Quito, no Equador, o Simpósio dedicado ao 30º aniversário da morte de Dom Leonidas Proaño, bispo de Riobamba e verdadeiro pioneiro da pastoral indígena.

Exortou a uma Igreja pobre entre os pobres

Cem delegados indígenas de diferentes continentes

Mais de cem delegados indígenas provenientes da Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, EUA, México, Nova Zelândia e República Dominicana participaram do encontro.

Entre os participantes, o vigário apostólico de Esmeraldas e presidente da Conferência Episcopal Equatoriana, Dom Eugenio Arellano. “Não podemos crer na Igreja se não dá testemunho de simplicidade e pobreza, assim como viveu Dom Proaño”, disse Dom Arellano, que exortou a Igreja equatoriana a ser uma Igreja pobre entre os pobres e a promover um relançamento das Cebs – comunidades eclesiais de base.

Ensinamento de Dom Proaño: ser pobre e fazer-se pobre

A representante da fundação Povo Índio e amiga do bispo de Riobamba, Nidia Arrobo Rodas, traçou um perfil espiritual de Dom Proaño, articulado em seis pontos: fidelidade às origens, ensinar aprendendo, saber ouvir, respeito pelo outro, atenção à atualidade, e restituir a dignidade.

“Creio que o princípio do ser pobre e fazer-se pobre seja uma importante contribuição ao processo de ensino e aprendizagem da obra pedagógica de Dom Proaño. Era sempre fiel às próprias origens, que continuamente recordava, e lhe permitia ser completamente aceito pelos pobres e pelos indígenas.”

“O bispo foi um grande mestre, porém, por sua vez um excelente aluno, ensinava aprendendo. Não demonstrava aquilo que sabia. Quando lhe diziam quer era o mestre, repetia as palavras de Jesus: ‘Eu não sou o mestre, somente Deus é o Mestre’. Para Dom Proãno era importante manter esta relação de igualdade com os indígenas, não lhe interessava criar distâncias entre quem sabia e quem e quem não, e nem barreiras”, prosseguiu a relatora.

O bispo que pediu dignidade aos povos nativos

Dom Proaño foi sobretudo o bispo que pediu dignidade aos povos nativos: “Naquela época os indígenas eram considerados objetos, como animais de carga que eram incluídos no preço das fazendas como os animais e os móveis. Nesse contexto feudal do Equador, especialmente no Chimborazo, onde havia situações de escravidão em relação aos indígenas, Dom Proaño iniciou um trabalho significativo e, ao mesmo tempo, árduo e lento para resgatar a dignidade dos indígenas, a fim de que se sentissem pessoas, conhecessem e reconhecessem seus direitos, quer individuais quer coletivos”.

Ele se preocupou em “viver o Evangelho da parte dos indígenas.” Um trabalho que agora continua com as atividades das organizações indígenas como a Conaie (Confederação das nacionalidades indígenas do Equador) e a pastoral indigenista da América Latina. “Sua mensagem é atualíssima e ressoa também à distância de 50 anos da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín” (1968), ressaltou o especialista em direitos humanos na América Latina, Cristiano Morsolin.

28 agosto 2018, 11:24