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Protestos na Nicarágua completam 100 dias Protestos na Nicarágua completam 100 dias  (AFP or licensors)

Cardeal Brenes defende diálogo sincero e exorta fiéis a não cederem ao ódio

Já são 100 dias de protestos na Nicarágua. Cardeal Brenes insiste no "diálogo franco e sincero" e exorta população a não ceder ao ódio e às provocações. Colegas homenageiam estudante brasileira assassinada e Ajuda à Igreja que Sofre lança campanha de intenções de Santas Missas pela Nicarágua.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

Neste momento dramático para a Nicarágua, não se deve ceder às provocações, mas trabalhar pelo diálogo e a paz. Este é o cerne da mensagem do cardeal Leopoldo Brenes durante a Missa celebrada em 25 de julho na cidade de Jinotepe, cuja paróquia foi completamente destruída em 9 de julho por forças paramilitares apoiadoras do regime. E na intenção de fortalecer a construção da paz no país, a fundação de direito pontifício Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) lança a Campanha de Missas pela Nicarágua.

Não responder ao mal

 

Durante a celebração em Jinotepe, o arcebispo de Manágua recordou os atos perpetrados por apoiadores do governo Ortega, exortando os fiéis a “não cederem às provocações, de não responderem ao mal”. O ódio e a violência – afirmou – “podem ser superados somente com o amor que Cristo nos dá”.

Já no domingo, o cardeal havia reiterado que apesar da campanha de difamação do governo contra o clero, a Igreja vai insistir em manter vivo o diálogo.

“Nós somos pastores, não políticos, e acreditamos, insistimos que no diálogo franco e sincero está a solução para a violência que nos atinge e nos dói como pastores e sabemos que afeta e dói a todos os nicaraguenses”, afirmou o purpurado.

Homenagem à estudante brasileira

 

Um grupo de estudantes nicaraguenses de medicina homenageou na quinta-feira a colega brasileira Rayneia Gabrielle Lima, assassinada na noite de segunda-feira ao sul de Manágua, vítima de disparos de “um grupo de paramilitares”, segundo o reitor da Universidade Americana (UAM), Ernesto Medina.

Bandeiras brasileiras e nicaraguenses estavam lado a lado na rótula Jean Paul Genie, lugar onde várias cruzes, flores e fotografias recordavam os tantos estudantes mortos desde o início dos protestos em 18 de abril passado.

100 dias de protestos

 

E justamente na quinta-feira os protestos no país completaram 100 dias, naquela que que se tornou a crise mais sangrenta desde a década de 80. Segundo um relatório divulgado pela  Asociación Nicaraguense Pro Derechos Humanos (ANPDH), são 448 os mortos, 2.830 os feridos e 595 desaparecidos.

Ajuda à Igreja que Sofre

 

Depois de conversar com o cardeal Leopoldo Brenes, o presidente internacional da Ajuda à Igreja que Sofre, cardeal Mauro Piacenza, sublinhou a importância da campanha de intenções de Santas Missas pela Nicarágua, lançada pela seção italiana da Fundação de direito pontifício. “Em momentos difíceis como o vivido atualmente pela Nicarágua, as pessoas veem na Igreja um apoio, um rosto amigo”, portanto, “é fundamental apoiá-la, sobretudo aqueles que na Igreja estão mais próximos das pessoas: os párocos e os sacerdotes”.

“A Santa Missa – explicou - tem um valor infinito para todos e para tudo e é a primeira contribuição à paz. Uma contribuição agora mais do que nunca essencial para todos os nicaraguenses”.

Oração, informação e ação

 

“Um papel central da missão da AIS, acompanhado da ajuda concreta – acrescenta o cardeal Piacenza – é o de fornecer informações constantes para estimular a oração e a atenção de toda a comunidade cristãs e do próprio mundo pelos dramas mais cruéis e bárbaros”.

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100 dias de protestos na Nicarágua
27 julho 2018, 11:08