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D. José Tolentino Mendonça: “Para mim não há diferença entre uma biblioteca e um jardim”

O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé foi ordenado bispo no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

Domingos Pinto-Lisboa

O Cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente presidiu no passado dia 28 à ordenação episcopal de D. José Tolentino Mendonça, novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé.

A celebração teve lugar no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, e teve como bispos co-ordenantes o cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, e D. Teodoro de Faria, bispo emérito do Funchal.

Para além do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, estiveram presentes diversas figuras do mundo da cultura, e inúmeras personalidades religiosas, da política, académicas e militares.

O mandato apostólico do Papa que confere esta nova missão de “grande relevância”, ao bispo madeirense foi proclamado publicamente por um responsável da Nunciatura Apostólica em Lisboa.

No documento, o Papa Francisco elogia as provas dadas por D. José Tolentino Mendonça “no que toca à excelência de notáveis virtudes de inteligência e de espírito”.

Depois e já na sua homilia, o cardeal-patriarca destacou a sensibilidade e capacidade de diálogo de D. José Tolentino Mendonça, e ainda a importância da sua escolha para assumir a responsabilidade por um “património único de memória criativa”, na Santa Sé.

Neste contexto, D. Manuel Clemente sublinhou a “fecunda escrita” do novo bispo, que propõe uma “pedagogia do olhar”, considerando que o bispo deve ser alguém capaz de um “olhar cuidadoso e vígil”, promovendo o amor a Deus e ao próximo.

Já no final da celebração, e depois de percorrer a igreja saudando os fiéis que o acolheram com aplausos, D. José Tolentino Mendonça dirigiu algumas palavras, começando por dizer que assume estas funções com vontade de “transmitir a beleza aos outros”.

“Para mim não há diferença entre uma biblioteca e um jardim”, referiu o novo arcebispo português que agradeceu a “confiança” do Papa assumindo como missão “a sede de olhar e ajudar os seus semelhantes a olhar os lírios do campo”, o seu lema episcopal.

“Os farrapos de mendigos que interiormente nos vestem têm a beleza dos lírios: é essa a lição”, referiu D. José Tolentino Mendonça que se apresentou a todos como uma “obra dos outros”.

“Jesus é o terapeuta do nosso olhar, o reconstrutor do nosso modo de ver”, explicou o novo prelado que agradeceu ainda o “coração amigo” de D. Manuel Clemente, e expressou a sua “grande admiração” por D. António Marto.

O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé agradeceu também a presença do Presidente da República mostrando-se comovido com este ato de amizade, pessoal e entre Portugal e a Santa Sé.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa, nas breves declarações aos jornalistas após a celebração, disse tratar-se de uma “personalidade excecional” e “uma das grandes figuras da Cultura” nacional, uma presença “muito importante”, junto do Papa, “numa responsabilidade fundamental”.

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30 julho 2018, 15:27